segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Até a canela

Brandon Flowers, o vocalista dos the killers, é mórmon. Herança familiar. Não pode beber, fumar, nem tomar chá, muito menos café...Dez por cento do que recebe de grana por mês tem que ir para a igreja. Além disso, tem que comparecer lá na sede da igreja com frequencia para ajudar nos serviços comunitários.

Quando começou a fazer sucesso, lá pelos idos de 2005/2006, tornou-se um cachaceiro inveterado. Mas a esposa, que estava grávida, recolocou mr. flores no caminho da fé. Agora, quando não está trabalhando, ele está em casa com os dois filhos, pregando a palavra de Brigham Young.

Bueno, da nossa parte, Flowers já conseguiu 40 reais para dar aos intermédiarios de Jesus Cristo e os Santos dos Últimos Dias. Cada ingresso para o show de sábado em SP foi duzentinho.

O fato de nào cair na esbórnia, nos fez ter algumas certezas em relação ao embalo de sábado à noite: ele jamais faltaria à aprensentação por causa de uma overdose ou ressaca fenomenal. Em entrevista ao jornal Estadosp, ele disse: "Não consumo drogas. Meu combustível é a música".

Por isso mesmo, o show foi meio que previsível. Havia dado (opa!) uma olhada no set list com antecedência e sabia quais músicas ele tocaria. Flowers confirmou a previsão e não mudou uma linha do repertório que apresentara em Lima, na semana passada. Esse é o problema de shows com cantores que não abusam das drogas: não existe a chance de ele querer esticar as músicas, falar palavrões em português, incitar o público, esquecer as letras, inventar versões de antigos sucessos...Só faz isso quem tá muito louco.

Se flowers fizesse isso na noite chuvosa de sábado, nem os 10% que ele dá mensalmente aos pastores o livraria do purgatório.

De qualquer maneira, o show foi bom. Pouco mais de dez mil pessoas cantaram junto com flowers, mas não conseguiram dançar. Choveu loucamente antes do show e a tal chácara do jockey inundou. Voltamos para casa, eu e anapô, desse jeito:



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Glamorous indie rock 'n roll

Rock indie e glamorous é o que os caras de os The Killers precisam. Eles mesmo disseram isso na música que entitula este post. Certamente não vào cantá-la no show de sábado, na Casa do Chapéu (28 km de distância da Pompz), em São Paulo.

E eu estarei lá. Juntamente com Anapô, outra fã dos matadores. Sou tão inexperiente em shows de rock internacional como em textos sobre música. Ao ponto de chamar os the killers de rock. Acordei na manhã desta quarta-feira pensando em que tipo de rock se encaixariam os the killers.

Para tanto, fiz uma pesquisa com cinco amigos que mais entendem de música. A pergunta era:

- Os the Killers são indie?

1) Timbú:
São emo-indie...Vá se fuder, isso não é conversa para se ter na internet.


2) White Martins:
Sim e não.

Sim porque o conceito de indie é banda desconhecida, que ainda nao arrasta multidões para estadios, que nao vende muitos discos, mas que é promissora.

So que o killers ja tem quatro discos, ja tocou em festivais e ta lançando ate dvd. Sei la, eu sempre critiquei o conceito de indie porque acho uma coisa meio egocentrica. tipo a banda pode ser boa para caralho. Se ela se torna acessivel a mais pessoas, se "estoura no mercado", nego para de chama-la de indie....

3) Mr. Rabbitt:
Não, eles não são indie. O som tem umas pitadas de alternativo, mas a intenção da banda é ser um rock pop no maior estilo U2. Os caras querem ser a maior banda do mundo. E isso de indie não tem nada...

4) Berna, the beat:
eu te diria que não, eles não são indies.
o som deles não creio que possa ser enquadrado em qualquer um dos vários tiques do som indie, mesmo que esse seja um rotulo pouco coerente ou coeso. mas é certo que eles não soam como belle and sebastian ou pixies, por exemplo, dois pilares do indieismo como o conhecemos, essa cousa pós-anos noventa.
ao contrário, o som deles me lembra o queen ou o depeche mode ou ambos juntos.
eu qualificaria o killers de rock-eletroniko-de-arena, que também não quer dizer lá muita cousa...
e eles têm aquele visual glitter de lantejoulas e luzes e cores neons que faria um artista indie encabular de vergonha.
bueno, eu acho que seja por aí.

Bueno, digo eu agora, pelas respostas dá para perceber que eu não entendo nada de música. Sim, porque se soubesse, jamais faria esse tipo de pergunta. Meu amigo Timbu, por quem tinha grande admiracao até entao pelas influencias musicais, também se mostrou um retrógrado (seu retrógrado!!!) ao responder de forma impaciente e errada à dúvida de um amigo. Ele mudou desde que passou a ouvir rock de goiânia cantado em inglês...sem contar as sertanejas (de goyaz também).

Se me perguntassem: por que você curte os the killers?

A primeira resposta: não é por causa do bigodinho freddy do Brandon Flowers. Alias, o camarada se deixou influenciar pelo nome da família e requebrou de vez nas últimas gravações. Dizem que ele é pegador, mas tá fazendo um som GLS. O que você me diz de uma letra assim:

- Somos humanos? Ou somos dançarinos?

Como se uma coisa anulasse a outra (Talvez no meu caso).

Como a poesia foi em inglês com um tecladinho embalando uma bateria amigável e uma guitarra simpática, ficou bonito e as mulheres gostam. E os homos, idem...

Justiça seja feita, toda vida eles tiveram essa tendência.
Vamos à prova:

- Nos meus lábios, você não beija mais do mesmo jeito. (For reasons unknown)

- Se eu não brilhar, você não vai brilhar. (Read my mind)

- Tenho essa energia abaixo dos meus pés como se algo coisa subterrâneo fosse chegar e me carregar (Sam's Town)

- Garoto, um dia você será um homem. (Smile like you mean it)

Como eu disse, coloca em inglês, com a voz marcante do Flowers, a guitarra simpática, o tecladinho plagiado do Joy Division, a bateria educada e envolvente...pronto, temos os Assassinos.

Ops, perdão. Os the Killers.

Mas, realmente, eles são menos rock e mais pop. Tanto que ficaram famosinhos ao permitir que tocasse When we were young em um seriado tipo Orange Beach, Melrose Place, essas patuscadas da tv dos EUA.

Anyway, dando uma vasculhada pelo Mininova, encontrei o set list do show deles nos EUA em agosto, provavelmente com o repertório que deve repetir la na Casa do Chapéu.

Human
This is your life
Somebody told me
For reasons unknown
The World we live in
Joy Ride
Bling (Confessions of a King)
Shadowplay
Smile like you mean it
Spaceman
A dustland fairytale's
Sam's Town
Read my mind
All these things of done
When we were young

Eles devem forçar a barra com as músicas do cd mais recente que é justamente o momento de sair da frente do palco para ir buscar cerveja. De qualquer maneira, vai ser legal ouvir ao vivo algumas músicas. Eu tenho memória auditiva. Gravo lugares, pessoas e pequenos instantes da vida em trechos de música.

Como da vez que fugi de golfinhos com Ana Paula em Pipa ouvindo Bones. No dia que decidi ir para a South Africa estava ouvindo Spaceman (é do cd mais recente, mas é boa). A última vez que corri no Parque da Cidade cantando Read my mind. Das festas que sempre tocam Mr. Brightside (um abraço para Mr. Rabitt). Quando tomei uma gelada com amigos de SP e conversamos sobre Shadowplay (Um abraço pro Kike Nuñez e pro Costa). Do vôo de volta da Costa Rica embalado por Sam's Town(um alô pro White). Quando Timbu me passou o arquivo da primeira música do Killers que coloquei no MP3 (Jenny was a friend of mine). Das tardes de folga com guitar hero, cerveja e o Vieira Fernandez (When we weeeeeeeerrreeeeee yoooounnng). Das minhas últimas férias na pequenina e heróica (All these things that I've done)...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

When I feel heavy metal

Diferetemente do texto que você vai ler a seguir, eu acredito em Global warming. Talvez porque eu não tenha Fox News em casa. Mas, na boa, colocar a culpa em mim e nos meus hábitos preguiçosos é tremenda sacanagem.

Quando eu lavo a louça em casa, às vezes esqueço a torneira aberta enquanto esfrego a esponja na grelha engordurada. Água descendo, tipo 100cl por segundo, sem que haja nada ali no meio do caminho até o ralo que a devolve ao Lago Paranoá... Às vezes penso em Ana Paula e seu discurso de ativista da WWF, rio sozinho e deixo aberta por mais 30 segundos só para provocá-la aa distância.

Às vezes me dá uma dor na consciência e pensar que no interior da pequenina e heróica tem gente fudida (eu disse F-U-D-I-D-A) sem água dessa qualidade para beber.

Daí eu lavo o resto da louça com responsabilidade de quem tem que irrigar todo o Nordeste e calculando quanto que aqueles dois minutinhos de torneira ligada renderia de água potável ao pessoal de Cocal de Telha ou de São José de Lagoa Tapada.

O grande lance é que o mundo se move com aquela máxima: privatizar os lucros e socializar os prejuízos.

Porra, os caras estão aterrando o mar no Golfo Pérsico para construir condomínio de luxo. China, dia desses eu li na BBC, provocou tempestade de neve com dois meses de antecedência para amenizar a seca do próximo ano. É, isso mesmo que você leu, o governo chinês fez nevar!!!

Tem mais: Estados Unidos se recusaram a apresentar uma proposta para diminuição da emissão de gás carbônico. Imagina o trânsito lá no centro de Lagos, na Nigéria, e o tanto de gás poluente que não deve soltar por esse meio de mundo? E os milhares de campos de futebol que estão desmatando na Amazônia?

Eu sei que um problema global precisa ser resolvido inicialmente em esfera local, mas o mundo ainda não tá preparado para mais do que esse discurso bonitinho. Aquele papinho de que 'se cada um fizer a sua parte...'

Olha, eu faço a minha parte. Desde que transformei o Pacato em uma viagem para a Costa Rica, Peru e Bolívia, só ando de ônibus. E tá foda andar de ônibus. Eu penso no mundo, mas esqueceram de avisar isso ao motorista e ao cobrador. Na última eleição, por exemplo, fiz minha parte, votei 16 (contra burguês), mas não deu em nada.

Vamos colocar aqui então, se toda a classe média do Brasil fizer sua parte...não elege nem o presidente do país. Taí Lula para não me deixar mentir. A gente passa quatro meses com o relógio adiantado em uma hora e, ao final do horário de verão, o Brasil economiza 2% de energia.

No final das contas, eu me preocupo em fechar a torneira por uma questão de ética. Igual aos 10 mandamentos, os sete pecados capitais. Não precisariam estar na Bíblia, é só saber um pouco de relações humanas e ética da boa convivência. Mas como tá na Bíblia, é sagrado.

Por isso eu digo, eu tento não desperdiçar água, mas não é por causa do discurso da moda.

It's not my problem, its not my problemmmmmm.
Wooohooo
When I feel heavy metal...

PS - Prefiro conviver num mundo com três graus celsius acima do normal a aturar flamenguistas ensandecidos e embasbacados por uma possível (e cada vez mais provável) conquista de título nacional de futebol.

PS2 - Acho que me meti em uma grande encrenca...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu venci o Google

Então...

Eu venci o Google. Consegui armazenar mais informações do que a maior empresa de todos os tempos da última semana consegue me dar de espaço.

Está lá no pé do meu Gmail:

Você está usando 7015 MB (94%) de 7390 MB no momento.

Faz mais de dois meses que eu me desfaço de toda a cultura inútil que abarrota minha caixa de emails, mas o Google insiste em dizer que eu tô prestes a explodir meu gmail.

Fui um dos primeiros mortais de Brasília a ter um email do google. Foi em 28 de junho de 2004. Na época, era fantástico ter um email que comportava incrivelmente 1gb. O slogan era: "Não apague mais seus emails".

Cada proprietário tinha direito a 10 convites e eles eram disputados a tapa pelos amigos/colegas/conhecidos. O próprio Google freava a distribuição de convites para não aparecer um engraçadinho logo no começo do empreendimento dizendo que tinha mais informações do que o Google poderia guardar.

Com o tempo, aumentaram a capacidade para 2gb, pq surgiram concorrentes com 10gb e outros tentaram empatar com 1gb. Meses mais tarde, quando os convites já estavam liberados para 100 amigos, despausaram o odômetro de gigas e ele segue rolando até hoje.

Para quem não se lembra ou é novato aqui, meu gmail tem algumas peculiaridades. Por ser um dos primeiros, consegui colocar meu nome.sobrenome@gmail.com o que me causa um certo inconveniente, conforme citado neste texto e neste outro.

Desconfio que alguns dos remetentes citados nos dois textos anteriores devem ter lido e pararam de me escrever pensando que estava falando com outro Daniel Brito qualquer, cujo email é quase igual ao meu. Mas, por outro lado, passei a receber mensagens por engano de outros descuidados.

Tem um tal de roberto cardoso que passa as tardes me enviando powerpoint de paisagens ao som de flautas peruanas. Ele copiou meu email após alguém da família dele me mandar as fotos da família em férias na Paraíba. Quer dizer, uma dupla coincidência. Além de ter email parecido, foi à pequenina porém heróica...

Tem um tal de Aacosta de Angola ou Mozambique que vive mandando piada sobre angolano em Portugal. Hoje mesmo ele mudou o tom e me enviou um salmo bíblico. Nào posso transcrevê-lo justamente porque meu gmail está estoporando e tô tendo que apagar tudo.

Às vezes vou na caixa de spam e a esvazio, mas nào mexe nem 100kb do armazenado. Daí vou para as postagens mais antigas.

É curioso ver as mensagens de quatro, cinco anos atrás. Eram outros amigos, continuam amigos, mas distantes, que me enviavam quilos de porcaria e eu deixava lá. O que não mudou ao longo dos tempos foi os títulos das mensagens:

- Meninas de família - parte III (CUIDADO)
- Vacilou caiu na net (CUIDADO AO ABRIR)
- (VEJA SOZINHO) Para não dizer que sou egoísta
- Relatório plurianual - Só para a diretoria (DANGER)

Se a professora da quarta série tivesse me ensinado figuras de linguagem via títulos de emails de sexo, não teria reprovado tantas vezes.

Além de espaço na caixa de entrada é preciso uma super conexão para ver os vídeos de 17mb, com catorze minutos de duração. Outro fato estranho é que só quem me mandava eram os amigos que trabalhavam na Esplanada.

Confesso que alguns eram realmente bons e eu repassava. O que causou um certo constrangimento na minha família, quando minhas tias vieram me reclamar do conteúdo que enviava para seus respectivos maridos (meus tios, no caso). Daí o email que tinha 17mb acumulava 34mb no meu gmail, já que ele ficava duplicado na caixa de itens enviados.

Bom, mas agora, tô em busca dessas trolhas para apagar e voltar a contar com o alto poder de armazenamento do Google. Também porque acho que todos os vídeos do mundo eu já vi no meu email e não tô mais com paciência (nem internet rápida) para baixa-los. Alguns, simplesmente deleto. Prefiro que mandem o link do Youtube mesmo que só tem um 1kb.

Não posso nem sonhar em perder este gmail. Apesar de ter só 7gb e uns quebrados, metade da minha vida está aplicada nos emails.

Tentei fazer um upgrade no meu gmail, mas teria que desembolsar uma bela graninha em doletas para aumentar em dois milhões de giga. Aí já é demais. Prefiro apagar os antigos e espalhar por aí que eu tenho mais informações do que o Google pode comportar...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Crônica da caganeira anunciada


No dia em que comi carne de chigüiro, sabia que aquilo daria merda. Literalmente.

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Para entender melhor este post, recomendo uma passada de olhos nos seguintes textos:



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Foi na surpreendentemente interessante ciudad de Bogotá, a capital de todos os colombianos. Um dia desses aí de outubro passado último.


A convite do motorista da van, fomos eu e alguns companheiros de trabalho provar uma comida típica local. O que não é meu forte, conforme foi dito em "Um cara insípido". Paramos na esquina da Calle 34 com a Carrera 63. Lá é assim, de norte-a-sul, sao as calles. De leste-oeste, carreras. Ou vice-versa.

- Señor, se puedes provar um almuerzo en un assadero?
- Sí, como no?

Era um rincón meio pobre de Bogotá. Muito parecido com a Ceilândia e a pequenina porém heróica Paraíba. Onde não havia calçadas, policiais, sinais de trânsito, garis, casas ornamentadas, basureros... Era um lugar tipicamente latino, podemos colocar desta maneira.


O assadero, que lembra aqueles fogo de chão que os gaúchos fazem para preparar costela, fica virado para a rua, recebendo todas as partículas soltas naquela calle. Talvez isso seja o segredo do tempero, todas as impurezas da rua bogotana dáo o sabor super especial ao chigüiro. O assador passou, com muito esmero, um pano molhado nas grelhas de ferro maciço para nos passar a impressão de higienizado.... e começou o preparo.


Retirou da travessa localizada abaixo do balcão no meio da rua um pedaço todo especial de carne de chigüiro. Preparado com folhinhas locais (não eram marijuana) que estavam ali para somar ao sabor da poeira da calle.




Em seguida, deitou cuidadosamente a fatia lateral do pobre do Chiguiro em toda extensão mais bem aquecida da grelha.





Aproximadamente 45 minutos mais tarde, lá veio nossa refeição. Generosas porções de chiguiro em cumbuca, acompanhadas de batata preta (soterradas pela carne na cumbuca) e uma bolacha de feita de uma espécie de banana que eles chamam de plátano. Aliás, é uma desfeita nào comer esse plátano nos almuerzos.

Em tese, conforme está dito em "Um cara insípido", carne-com-batatas eu topo em qualquer lugar.

O legal de tudo, disse-me Manoel Affonso, o cicerone, é comer com a mão. É que na Colômbia, Bogotá em particular, as coisas estão ficando muito americanizadas. Nos xopens, só se servem comidas dos EUA (assim como em todos os lugares do mundo).

- Comer o chiguiro com a mão é uma forma de sentir ainda mais o sabor da terra, explicou Manoel.

Sim, sim, claro. O sabor da terra e da gordura e do pobre do chiguiro...E o cheiro (nas mãos, principalmente)!

É uma luta grande. Carne de chiguiro é macia. Mas não há uma seleção da picanha do chiguiro, milo da alcâtra do chiguiro, file mignon...vem nervo, vem carne de pescoço, vem subrecú, vem tudo dentro da cestinha. É uma aventura caníbalesca comer chiguiro nesta região de Bogotá. Me senti como um cachorro que só come ração e teve que provar pela primeira vez carne de gato...

A mão e os lábios terminaram ensopados de gordura, como se fossem as lágrimas do chiguiro. Pobre chiguiro.Meus dentes ficaram completamente apertados pelos fiapos do chiguiro. Ah, a carne tem gosto de churrasquinho de gato mesmo.

A conta deu 20 mil pesos colombianos, ou seja, exatamente R$ 20.

Os destroços na mesa comprovaram que a carne pode até ser macia mas é preciso ter nervo-de-aço para comer nervo de chiguiro.
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Passaram-se 24 horas. Eu almocei qualquer Mcdonald's no dia seguinte. O bolo alimentar deste dia empurrou para a boca do túnel o bolo alimentar do almuerzo anterior, ou seja, a carne de chiguiro. Esse, por sua vez, não desceu tãããããão bem.

Eu trabalhava normalmente até que subiu-me um vento frio pelo espinhaço. Era o chiguiro! Queria sair.

D-E-S-E-S-P-E-R-A-D-A-M-E-N-T-E.

Como se diz na pequenina porém heróica, depois que o vento do ártico atravessa os trópicos e cruza seu caminho, não tem mais volta. Lá é o que eles chamam de dilúrio. O dilúrio é fatal. Se você sentiu o dilúrio, amigo velho, é porque o urubu já tá quase bicando a gaiola. Não adianta pedir retorno.

Só havia um baño no local onde estava. E ele, para meu desespero, era self-service.

Sim, o banheiro era self-service. Uma mocinha ficava na porta com um rolo industrial de papel higiênico e o condenado tinha que pegar um montante pré-determinado de papel para levar para a cabine.

Sobre traumas de banheiros públicos, vide "Warning: coarse language and scatologic content".

A mulher se espantou quando corri em direção à cabina fantasiado de múmia. Era preciso estar precavido. Enrolei todo o braço esquerdo em papel. Peguei mais uns 80 centímetros e enfiei no bolso direito. Enfaixei a mão direita com mais uma porção caprichada.

Quer saber?

Não foi suficiente.

Dentro da cabine, vendo o mundo se acabar em porções de papel higiênico, pensei na saída mais higiênica: reutilizar o papel. Comecei a me lembrar das aulas de educação artística da segunda série e passei a a fazer origamis.

Nunca pensei que origami pudesse salvar minha vida.

Aliás, nunca pensei que chiguiro pudesse me salvar de uma prisão de ventre...

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Ficou curioso para saber o que é, finalmente, um chiguiro?

Chiguiro é a nossa simpática e aparentemente inofensiva capivara.

Que deus a tenha...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O ataque à cidade-parque e o contra-ataque dos quero-queros

Quem vem a Brasília pela primeira vez estranha a quantidade de espaços vazios, só com grama e árvores retorcidas. Lembro-me da visita de Da Silva, cinco anos atrás, quando passávamos por aquela regiào do Bosque da Constituinte, atrás do Praça dos Três Poderes.

Ele perguntou:

- E ninguém constrói nada aqui nesses lugares?

Ri da dúvida. Afinal, cresci 'nesses lugares', não no Bosque, mas nessas áreas verdes. Aprendi a jogar bola nesses gramadões. Habilidade (pouco) desenvolvida com a ajuda dos troncos sinuosos das árvores típicas do cerrado que lembravam a forma de uma trave com travessão.

Para cada prédio, havia um super gramadão. E a gente analisava as condições do terreno para fazer um novo campinho. Aliás, mania que meu irmão conservou até os últimos dias que morou em Brasília.

Passei férias andando de bicicleta por essas áreas, fingindo ser um mountain biker, procurando jamelão e manga pelas quadras vizinhas.

Ou seja, nada mais normal do que ver espaços 'em branco' entre um prédio, uma quadra, um setor e outro. Estranho era aquele amontoado de prédios mal planejadas, com as janelas se beijando, com vizinho dando bom dia para você, ao acordar, coçando os bagos...Isso que era estranho.

Em Campina Grande, a propósito, áreas verdes são terrenos baldios.

Por causa das áreas verdes, Brasília planejada pelo genial Lúcio Costa recebeu o nome de cidade-parque. A ideia de uma metrópole rodeada por verde, onde as pessoas circulariam e conviveriam em um espaço limpo, sem a claustrofóbica proximidade de grandes centros, o que dá aquilo que as pessoas gostam de chamar de qualidade de vida.

Para os animais também. Desde os domésticos, passando pela grande quantidade de aves que deixa de migrar para outra região porque seu habitat foi (teoricamente) mantido. Eu já vi tucanos sobrevoando áreas residenciais em Brasília. E estava longe do zoológico. Hoje de manhã fui acordado por um casal de papagaios cantarolantes dando um vôo rasante na minha janela. Ainda tem as corujas, os periquitos, as tesourinhas, os carcarás, as maritacas, os quero-queros...

Os quero-queros são aqueles pássaros de perna fina e meio longa, com bico saliente, de cor cinza, branco e detalhes em preto. Adoram vegetação rasteira. Estào frequentemente em campos de futebol, nas transmissões de TV. Já foram alvos de diversas reportagens 'diferenciadas'.

Dia desses, caminhando do trabalho, no Setor Bancário Norte, para um restaurante na 402 norte, passando por uma grande área verde de Lúcio Costa, saí em disparada depois que uma dupla de quero-queros me atacou . Eu devia estar passando ao lado de um ninho ou simplesmente de um lugar que eles julgavam que seria deles.

Foi uma ofensiva perigosa: ouvi um zunido mais alto do que o de um zangão nervoso. Em seguida, olhei para trás e um quero-quero desceu em alta velocidade em direção à minha cabeça, me esquivei e do outro lado veio mais um ataque. Eu estava com um guarda-chuva. Tentei espanta-los, mas eles pareciam que pairavam no ar esperando eu abrir a guarda. Corri desesperadamente sob o olhar vigilante dos quero-queros, à distância.

Foram 45 segundos de tensão. Eu não queria fazer nada a elas, apenas passar para o outro lado da quadra.

Mas eles devem estar se sentindo muito ameaçados desde que o governo do DF adotou a tática de Juan Laporta, o presidente do Barcelona.

(Tá, eu sei, É um absurdo, realmente, comparar o profissionalismo e o planejamento estratégico do milionário clube catalão à mesquinheza e cegueira dos políticos locais)

Veja se você não concorda com essa minha teoria:

O time ostenta a fama de nunca ter exibido publicidades na famosa camisa blau-grenà. Três anos atrás, Laporta veio com essa ideia de ajudar as crianças carentes e estampar a marca da Unicef no peito e nas costas e ainda pagar por isso. Bela carta de alforria. Um dia, o contrato vai acabar e Laporta vai falar: bueno, agora é nossa vez de ganhar. Vai lá e mete um mega patrocinador no espaço que já foi da caridade por um bom tempo...

O mesmo acontece com as áreas verdes de Brasília. Estão construindo prédios que servirão como sede para órgãos oficiais, tipo delegacia, tribunal militar, nova sede da PF, nos espaços em branco, aquele mesmo que Da Silva perguntou se alguém construía algo.

As obras se encaixam ali sob o pretexto de melhor servir aa população. Mas, eu disse maaaassss, para servir aaqueles que vão servir aa população, é preciso ter um restaurante por perto, uma agência bancária, uma academia de ginástica, uma padaria, uma farmácia, uma kitnet em cima de cada um desses estabelecimentos comerciais... Assim, vão atacando e destruindo o conceito de cidade-parque de Lúcio Costa e enchendo o bolso de dinheiro.

Aí a gente vai ter que torcer pelo contra-ataque dos quero-queros...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Atenção, tripulação: chek de portas

Doismilenove entrou para história como o ano em quem mais viajei na minha vida. Me arrisco a dizer que nunca mais vou ouvir tantas vezes aquele inglês macarrônico da Paloma Sayumi, xefdicabine, ou os anúncios imperativos do comandante Araújo, em um espaço de tempo tão curto.

Saiba mais aqui.

Entre tantas indas-e-vindas, já deu para decorar as instruções e até ajudar a velhinhas estreantes a seguir as orientações (please, raise your seat to the upright position and make sure your trail table is locked).

Aliás, qual foi escola de inglês que os comissários frequentaram? Não, só para saber, porque eu jamais vou indicar o curso que eles fizeram, principalmente as aulas de spelling and pronunciation...

Até o inglês que se fala na South African Airlines é escalafobético. Mas aí o problema já é meu, que não entendo african style.

Bueno, mas o grande lance, no final das contas, é que aprendi algumas dicas importantes para o conforto e tranquilidade durante o voo. Por exemplo, as companhias metem os passageiros nas fileiras da janela, de frente para trás, depois pelo corredor. Por último, no meio.

Portanto, se você, assim como eu, não quer ter ninguém ao seu lado durante aquelas horinhas, que escolha as últimas fileiras, no corredor, porque a chance é maior de ir com as pernas folgadas. A não ser, óvio, que você esteja num voo para o Rio às vésperas do carnaval, ou indo para São Paulo na semana do GP do brasil de F1, ou subindo para Salvador no verão, ou indo para qualquer lugar no feriado.

Se o voo tiver menos de 90 minutos de duração, até vale escolher a última fileira, aquela que não reclina. Porque você pode perder em conforto nas costas, mas ganha nas pernas. Sim, claro, porque companhia aérea não vai te dar conforto total de qualquer maneira.

Outra dica: o aeroporto mais barato do Brasil é justamente o mais movimentado. Se você vai para SP, escolha Barulhos. É mais longe da cidade e tal, mas é mais barato incluir na viagem. Sabe lá deus por quê. Só em doismilenove eu passei por lá mais de 10 vezes (mesmo). E ainda vou na quinta-feira para a Colômbia, fora os planos do reveillon. É mais barato. Tipo umas 100 lascas mais baratas.

Falando em aeroporto, desde que o avião da GOL caiu na Serra do Cachimbo, em setembro de 2006, que iniciou-se aquela revolta dos operadores de voo, nada foi mudado no espaço aéreo brasileiro. Nada! Aquela confusão que a gente viu no final de 2006 cessou com o tempo e os controladores continuam lá na deles, sobrecarregados. Volta e meia rola uma confusão no aeroporto, mas os controladores continuam na mesma.

Quero só ver quando chegar essa história de Copa e Olympics. Ninguém tá falando dos aeroportos, apertados, mal servidos e limitados...Até porque, a maioria passou por 'reformas' menos de seis anos atrás.

Isso vai dar merda.

Mais uma dica: não beba cerveja no vôo. A 30 mil pés, uma cerveja tem efeito avassalador. Dá uma baita dolor de cabeza. É até meio brega tomar cerveja em aviào. Eu falo porque já tomei várias. Num voo entre Madri e Barulhos, após fazer uma entrevista com Carlos Alberto Parreira em meio ao Atlântico, tomei sete latinhas (com ajuda de uma mulher que estava ao meu lado e não bebia mas pedia por mim, e um mineiro que bebia mais que eu) para comemorar o feito.

Desci trôpego...Para nunca mais!

Anyway, para terminar, deixa eu contar uma história que eu vi num voo entre BSB e SP, dia desses.

Depois da decolagem, o comandante Montenegro passou aquelas informações sobre altitude de cruzeiro, clima no local de destino, as cidades pelas quais sobrevoaríamos e tudo mais. Ao terminar, esqueceu-se de desligar o microfone.

Pelo sistema de som, a gente (passageiro) ouviu ele convernsando com o co-piloto:

- Agora eu vou ligar o piloto automático, tomar um café e chamar a aeromoça para fazer aquele sexo oral caprichado...

Não precisa nem dizer que o avião ficou chocado com os planos ousados do Montenegro.

Nisso, a aeromoça, Bianca Dias, que estava ao meu lado, lá no fundão do avião, desatou seu cinto, saiu correndo pelo corredor desesperada para avisar ao comandante que o microfone estava ligado.

Até que um engraçadinho gritou para ela:

- Não tenha pressa, moça, porque ele ainda vai ligar o piloto automático e tomar um café...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Um cara insípido

O cara errou de ônibus e desceu pela porta da frente no exato instante em que eu subia as escadas do mesmo ônibus pela mesma porta. Por um segundo que ficamos frente-a-frente percebemos que usávamos a mesma camiseta: de listras com tons de azul e um número qualquer no peito.

Um rápido constrangimento nos acometeu, mas cada um foi para um lado e ninguém percebeu (espero) que havia dois caras com a mesma camiseta dentro do mesmo ônibus. Eu comprara numa loja brega-chik do Conjunto Nacional para poder ir ao trabalho, dois dias antes.

Lá no meu sirviço recomenda-se o uso de camisas sociais, diferentemente das duas firmas onde trabalhei anteriormente. Lá eu podia usar todas as minhas camisetas velhas de motivos futebolísticos/esportivo e ainda era cool por isso.

Foi dureza ir aa Riachuelo e aa brega-chik mudar de estilo.

Eu sou um cara de estilo único. Não tô dizendo que sou único no planeta, tô dizendo que eu só sei usar um tipo de roupa: calça jeans, camiseta, tênis. As camisetas geralmente são de futebol, lembrança de algum lugar que visitei ('Alguém que te odeia trouxe esta lembrança da Paraíba') e/ou a super coleçào de camisas brancas sortidas que mantenho desde 2005.

Se não for assim, não sei nem onde poner las manos. O que é curioso, porque meus irmão são super antenados com essa história de roupa.

Eu não faço a mínima questão. A não ser que o Chelsea tenha lançado uma camiseta nova...Aí não ficaria constrangido em cruzar com um maluco na rodoviária com a mesma blusa.

Não é só no armário das roupas que eu não tenho criatividade. No armário da cozinha e na geladeira, idem idem.

Sou completamente sem gosto para comidas. Há 28 anos, quase 29, enche o bucho basicamente com as mesmas coisas. Eu fui à Bolívia em janeiro e comi exactamente o que como em casa: carne com batatas. Em casa, nos Estados Unidos, na França, na África do Sul, na Costa Rica, Campina Grande, Canadá, Portugal, na Pomps...

Bueno, eu não consigo me empolgar com uma comida diferente. Não tenho a mínima curiosidade em conhecer pratos e temperos novos. Não consigo dizer qual foi a comida mais saborosa que já provei na vida. Nem o dia em que mais comi na vida.

Deve ser uma herança genética da família do meu pai. Porque minha mãe e meu irmão são grandes apreciadores de excentricidades culinárias. Até o dia em que eu trouxe um pedaço de carne de kuddu (um bicho da savannah sul-africana) para minha mãe e ela se absteve de provar.

Bueno, eu sei que vou cair no conceito de muita gente depois dessa. Mas a carne-com-batatas está para minha refeição como as camisas brancas estão para meu guarda-roupas. Imprescindível.

sábado, 3 de outubro de 2009

Assim no Rio como em Cape Town

Eu não vibrei.

Na hora em que anunciou-se o nome do Rio de Janeiro, fiz de conta que não era comigo. Quase como a reação de um paulista que odeia o Rio (e existe?).

Ah, sei lá, pensei nas coisas que todo mundo que torcia por Madri pensou.

Daí Anapô me ligou aos prantos, minha mãe disse que chorou, a irmà dela que mora nos EUA, também, Lula, aquele verme, Pelé...

Depois me lembrei da áfrica do sul. Os negões idolatram Sepp Blatter por ter levado a Copa do Mundo para lá. Ele vai ser canonizado em Soweto. Acho que é um dos únicos suíços que pode caminhar em Hillbrow, o bairro dos assassinos, sem ser assaltado. Ou seja, se der alguma merda na Copa, a culpa (também) é de Blatter.

Mas o que eu me lembrei da África foi dos branquelos. Os branquelos detestam futebol. A colonização holandesa/britânica, fez os caras terem umas manias esquisitas como matar negros, gostar de rúgbi e críquete acima de todas as coisas. E serem indiferentes ao futebol.

Como o país tá na crista por causa da Copa, os branquelos compactuam de uma revolta inaudível. Pega muito mal falar mal do próprio país. Conheci um par de irmãos branquelos de Cape Town com sobrenome de ponta direita da Seleção da Holanda de 1974.

A indignação deles com a Copa era diametralmente proporcional à empolgação dos negões com o evento que se avizinha. Por que?

- Man, it's a matter of priorities, disse Phill, o irmão mais velho, dentista.

O discurso deles é o mesmo que se ouve aqui sobre Rio e Copa de 14:

- Tanta miséria, roubalheira, educação de m*rda, pobreza...

Não deixa de ser verdade,' mamuidaverdade'.

Mas como é legal ser do contra, até para estimular o debate, eu tô começando a ser contra o contra.

Como bem disse o Barão de Itararé, revolta moral neste país é 99% revolta e 1% é moral. Ou seja, maioria das pessoas que fala o que o sul-africano falou reclama mas faria exactamente o mesmo.

Essa revoltinha de quitanda tá fazendo minha cabeça.

Menos de 24 horas depois de fingir que eu tinha 'nadas avê' com Rio-2016, tô começando a ponderar e achar legal que o Brasil tenha ganhado tantas chances de ser protagonista. Vai ser ótimo para o ego já inflamado dos brasilianos.

Ainda não virei totalmente a casaca. Talvez nem vire completamente. Talvez só depois da Copa e da Olimpíada, mais precisamente em setembro de 2016...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Efeméride

Foi comemorado de forma discreta, em primeiro de setembro último, os dois anos de existência deste blog. Com um mês de atraso, registramos aqui a data.

Dois anos atrás eu morava só, num outro quartim-cubículo, do outro lado do Plano Piloto, negociava na surdina para mudar-me para São Paulo, bebia muito menos que hoje, comia um pouco menos mal do que hoje, lia muito mais do que hoje, ganhava muito menos do que hoje.

Naquele tempo, eu estava com tanta disposição para escrever que em 30 dias postei 28 textos. Alguns no estilo twitter. Teve um post assim:

"Choveu! Também, depois de 123 dias..."

Para você ver como em 2007 os tempos eram outros, a seca durava muito mais do que esses míseros 68 dias de 2009.

Essas e outras baboseiras foram justificadas, numa espécie de habeaus corpus preventivo, logo no primeiro post, às 14h46 de 1o. de setembro de 2007:

"Coisas que vi, vivi, ouvi, li ou sonhei. Diferentemente dos tempos de colégio, estou numa fase da vida em que escrever tem me deixado cada dia mais feliz. Mesmo que tenha escrito besteira, que é bem provável que aconteça aqui."

Nos três primeiros meses, estabeleci um ritmo frenético de atualização. Fechei 2007 com 89 posts em 120 dias. Chegou 2008, minha vida começou a mudar, uma porrada de coisa
começou a se desenrolar, eu comecei a perceber que era melhor afastar este blog da realidade, deixar ele menos diário e mais uma exercício de disciplina (sim, me sinto na agradável obrigação de não deixar este espaço envelhecer) e os posts foram rareando.

Quanto mais coisa acontecia na minha vida, menos frequente a atualização. Quando chegou o primeiro aniversário em setembro/08, encontrei o ritmo legal de postagem, com dez ou doze textos por mês, tipo três por semana. Poderia ser mais, mas me censuro para não entrar gratuitamente em atritos com os (três) leitores mais assíduos.

(Alô, mãe! Aquele abraço)

Neste formato de diário, ainda que 'afastado da realidade', minha mãe, que tá em São Paulo; Da Silva, que tá na pequenina e heróica; meu primo, em Recife (acho que ele nem entra mais); e alguns amigos de BSB com quem não tenha a oportunidade de conversar diariamente, sabem mais ou menos onde eu tô pisando.

E outra, o blog me livra de um baita trabalhão de ter que explicar histórias que já repeti milhares de vezes. Tipo assim:

- Pô, fiquei sabendo que tu foi para Moz, é verdade? Como foi lá?
- Ah, sim, Fui a Mozambique. Mas, cara, entra nesse link aqui porque eu contei toda a história la.

É, eu sei que é meio chato de minha parte nào contar a história e esperar que ele acesse o blog. Mas é que a coisa já está toda dramatizada aqui, se eu for contar de novo, posso aumentar um ponto, esquecer outro.

E outra, como dizia a tia da primeira série, ler faz bem.

Mesmo que seja tudosobrenada.