quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu venci o Google

Então...

Eu venci o Google. Consegui armazenar mais informações do que a maior empresa de todos os tempos da última semana consegue me dar de espaço.

Está lá no pé do meu Gmail:

Você está usando 7015 MB (94%) de 7390 MB no momento.

Faz mais de dois meses que eu me desfaço de toda a cultura inútil que abarrota minha caixa de emails, mas o Google insiste em dizer que eu tô prestes a explodir meu gmail.

Fui um dos primeiros mortais de Brasília a ter um email do google. Foi em 28 de junho de 2004. Na época, era fantástico ter um email que comportava incrivelmente 1gb. O slogan era: "Não apague mais seus emails".

Cada proprietário tinha direito a 10 convites e eles eram disputados a tapa pelos amigos/colegas/conhecidos. O próprio Google freava a distribuição de convites para não aparecer um engraçadinho logo no começo do empreendimento dizendo que tinha mais informações do que o Google poderia guardar.

Com o tempo, aumentaram a capacidade para 2gb, pq surgiram concorrentes com 10gb e outros tentaram empatar com 1gb. Meses mais tarde, quando os convites já estavam liberados para 100 amigos, despausaram o odômetro de gigas e ele segue rolando até hoje.

Para quem não se lembra ou é novato aqui, meu gmail tem algumas peculiaridades. Por ser um dos primeiros, consegui colocar meu nome.sobrenome@gmail.com o que me causa um certo inconveniente, conforme citado neste texto e neste outro.

Desconfio que alguns dos remetentes citados nos dois textos anteriores devem ter lido e pararam de me escrever pensando que estava falando com outro Daniel Brito qualquer, cujo email é quase igual ao meu. Mas, por outro lado, passei a receber mensagens por engano de outros descuidados.

Tem um tal de roberto cardoso que passa as tardes me enviando powerpoint de paisagens ao som de flautas peruanas. Ele copiou meu email após alguém da família dele me mandar as fotos da família em férias na Paraíba. Quer dizer, uma dupla coincidência. Além de ter email parecido, foi à pequenina porém heróica...

Tem um tal de Aacosta de Angola ou Mozambique que vive mandando piada sobre angolano em Portugal. Hoje mesmo ele mudou o tom e me enviou um salmo bíblico. Nào posso transcrevê-lo justamente porque meu gmail está estoporando e tô tendo que apagar tudo.

Às vezes vou na caixa de spam e a esvazio, mas nào mexe nem 100kb do armazenado. Daí vou para as postagens mais antigas.

É curioso ver as mensagens de quatro, cinco anos atrás. Eram outros amigos, continuam amigos, mas distantes, que me enviavam quilos de porcaria e eu deixava lá. O que não mudou ao longo dos tempos foi os títulos das mensagens:

- Meninas de família - parte III (CUIDADO)
- Vacilou caiu na net (CUIDADO AO ABRIR)
- (VEJA SOZINHO) Para não dizer que sou egoísta
- Relatório plurianual - Só para a diretoria (DANGER)

Se a professora da quarta série tivesse me ensinado figuras de linguagem via títulos de emails de sexo, não teria reprovado tantas vezes.

Além de espaço na caixa de entrada é preciso uma super conexão para ver os vídeos de 17mb, com catorze minutos de duração. Outro fato estranho é que só quem me mandava eram os amigos que trabalhavam na Esplanada.

Confesso que alguns eram realmente bons e eu repassava. O que causou um certo constrangimento na minha família, quando minhas tias vieram me reclamar do conteúdo que enviava para seus respectivos maridos (meus tios, no caso). Daí o email que tinha 17mb acumulava 34mb no meu gmail, já que ele ficava duplicado na caixa de itens enviados.

Bom, mas agora, tô em busca dessas trolhas para apagar e voltar a contar com o alto poder de armazenamento do Google. Também porque acho que todos os vídeos do mundo eu já vi no meu email e não tô mais com paciência (nem internet rápida) para baixa-los. Alguns, simplesmente deleto. Prefiro que mandem o link do Youtube mesmo que só tem um 1kb.

Não posso nem sonhar em perder este gmail. Apesar de ter só 7gb e uns quebrados, metade da minha vida está aplicada nos emails.

Tentei fazer um upgrade no meu gmail, mas teria que desembolsar uma bela graninha em doletas para aumentar em dois milhões de giga. Aí já é demais. Prefiro apagar os antigos e espalhar por aí que eu tenho mais informações do que o Google pode comportar...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Crônica da caganeira anunciada


No dia em que comi carne de chigüiro, sabia que aquilo daria merda. Literalmente.

>>>>>>>>>>
<<<<<<<<<<

Para entender melhor este post, recomendo uma passada de olhos nos seguintes textos:



>>>>>>>>>>>
<<<<<<<<<<

Foi na surpreendentemente interessante ciudad de Bogotá, a capital de todos os colombianos. Um dia desses aí de outubro passado último.


A convite do motorista da van, fomos eu e alguns companheiros de trabalho provar uma comida típica local. O que não é meu forte, conforme foi dito em "Um cara insípido". Paramos na esquina da Calle 34 com a Carrera 63. Lá é assim, de norte-a-sul, sao as calles. De leste-oeste, carreras. Ou vice-versa.

- Señor, se puedes provar um almuerzo en un assadero?
- Sí, como no?

Era um rincón meio pobre de Bogotá. Muito parecido com a Ceilândia e a pequenina porém heróica Paraíba. Onde não havia calçadas, policiais, sinais de trânsito, garis, casas ornamentadas, basureros... Era um lugar tipicamente latino, podemos colocar desta maneira.


O assadero, que lembra aqueles fogo de chão que os gaúchos fazem para preparar costela, fica virado para a rua, recebendo todas as partículas soltas naquela calle. Talvez isso seja o segredo do tempero, todas as impurezas da rua bogotana dáo o sabor super especial ao chigüiro. O assador passou, com muito esmero, um pano molhado nas grelhas de ferro maciço para nos passar a impressão de higienizado.... e começou o preparo.


Retirou da travessa localizada abaixo do balcão no meio da rua um pedaço todo especial de carne de chigüiro. Preparado com folhinhas locais (não eram marijuana) que estavam ali para somar ao sabor da poeira da calle.




Em seguida, deitou cuidadosamente a fatia lateral do pobre do Chiguiro em toda extensão mais bem aquecida da grelha.





Aproximadamente 45 minutos mais tarde, lá veio nossa refeição. Generosas porções de chiguiro em cumbuca, acompanhadas de batata preta (soterradas pela carne na cumbuca) e uma bolacha de feita de uma espécie de banana que eles chamam de plátano. Aliás, é uma desfeita nào comer esse plátano nos almuerzos.

Em tese, conforme está dito em "Um cara insípido", carne-com-batatas eu topo em qualquer lugar.

O legal de tudo, disse-me Manoel Affonso, o cicerone, é comer com a mão. É que na Colômbia, Bogotá em particular, as coisas estão ficando muito americanizadas. Nos xopens, só se servem comidas dos EUA (assim como em todos os lugares do mundo).

- Comer o chiguiro com a mão é uma forma de sentir ainda mais o sabor da terra, explicou Manoel.

Sim, sim, claro. O sabor da terra e da gordura e do pobre do chiguiro...E o cheiro (nas mãos, principalmente)!

É uma luta grande. Carne de chiguiro é macia. Mas não há uma seleção da picanha do chiguiro, milo da alcâtra do chiguiro, file mignon...vem nervo, vem carne de pescoço, vem subrecú, vem tudo dentro da cestinha. É uma aventura caníbalesca comer chiguiro nesta região de Bogotá. Me senti como um cachorro que só come ração e teve que provar pela primeira vez carne de gato...

A mão e os lábios terminaram ensopados de gordura, como se fossem as lágrimas do chiguiro. Pobre chiguiro.Meus dentes ficaram completamente apertados pelos fiapos do chiguiro. Ah, a carne tem gosto de churrasquinho de gato mesmo.

A conta deu 20 mil pesos colombianos, ou seja, exatamente R$ 20.

Os destroços na mesa comprovaram que a carne pode até ser macia mas é preciso ter nervo-de-aço para comer nervo de chiguiro.
>>>>>>>>>>
<<<<<<<<<<



>>>>>>>>>>
<<<<<<<<<<

Passaram-se 24 horas. Eu almocei qualquer Mcdonald's no dia seguinte. O bolo alimentar deste dia empurrou para a boca do túnel o bolo alimentar do almuerzo anterior, ou seja, a carne de chiguiro. Esse, por sua vez, não desceu tãããããão bem.

Eu trabalhava normalmente até que subiu-me um vento frio pelo espinhaço. Era o chiguiro! Queria sair.

D-E-S-E-S-P-E-R-A-D-A-M-E-N-T-E.

Como se diz na pequenina porém heróica, depois que o vento do ártico atravessa os trópicos e cruza seu caminho, não tem mais volta. Lá é o que eles chamam de dilúrio. O dilúrio é fatal. Se você sentiu o dilúrio, amigo velho, é porque o urubu já tá quase bicando a gaiola. Não adianta pedir retorno.

Só havia um baño no local onde estava. E ele, para meu desespero, era self-service.

Sim, o banheiro era self-service. Uma mocinha ficava na porta com um rolo industrial de papel higiênico e o condenado tinha que pegar um montante pré-determinado de papel para levar para a cabine.

Sobre traumas de banheiros públicos, vide "Warning: coarse language and scatologic content".

A mulher se espantou quando corri em direção à cabina fantasiado de múmia. Era preciso estar precavido. Enrolei todo o braço esquerdo em papel. Peguei mais uns 80 centímetros e enfiei no bolso direito. Enfaixei a mão direita com mais uma porção caprichada.

Quer saber?

Não foi suficiente.

Dentro da cabine, vendo o mundo se acabar em porções de papel higiênico, pensei na saída mais higiênica: reutilizar o papel. Comecei a me lembrar das aulas de educação artística da segunda série e passei a a fazer origamis.

Nunca pensei que origami pudesse salvar minha vida.

Aliás, nunca pensei que chiguiro pudesse me salvar de uma prisão de ventre...

>>>>>>>>>>
<<<<<<<<<<

Ficou curioso para saber o que é, finalmente, um chiguiro?

Chiguiro é a nossa simpática e aparentemente inofensiva capivara.

Que deus a tenha...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O ataque à cidade-parque e o contra-ataque dos quero-queros

Quem vem a Brasília pela primeira vez estranha a quantidade de espaços vazios, só com grama e árvores retorcidas. Lembro-me da visita de Da Silva, cinco anos atrás, quando passávamos por aquela regiào do Bosque da Constituinte, atrás do Praça dos Três Poderes.

Ele perguntou:

- E ninguém constrói nada aqui nesses lugares?

Ri da dúvida. Afinal, cresci 'nesses lugares', não no Bosque, mas nessas áreas verdes. Aprendi a jogar bola nesses gramadões. Habilidade (pouco) desenvolvida com a ajuda dos troncos sinuosos das árvores típicas do cerrado que lembravam a forma de uma trave com travessão.

Para cada prédio, havia um super gramadão. E a gente analisava as condições do terreno para fazer um novo campinho. Aliás, mania que meu irmão conservou até os últimos dias que morou em Brasília.

Passei férias andando de bicicleta por essas áreas, fingindo ser um mountain biker, procurando jamelão e manga pelas quadras vizinhas.

Ou seja, nada mais normal do que ver espaços 'em branco' entre um prédio, uma quadra, um setor e outro. Estranho era aquele amontoado de prédios mal planejadas, com as janelas se beijando, com vizinho dando bom dia para você, ao acordar, coçando os bagos...Isso que era estranho.

Em Campina Grande, a propósito, áreas verdes são terrenos baldios.

Por causa das áreas verdes, Brasília planejada pelo genial Lúcio Costa recebeu o nome de cidade-parque. A ideia de uma metrópole rodeada por verde, onde as pessoas circulariam e conviveriam em um espaço limpo, sem a claustrofóbica proximidade de grandes centros, o que dá aquilo que as pessoas gostam de chamar de qualidade de vida.

Para os animais também. Desde os domésticos, passando pela grande quantidade de aves que deixa de migrar para outra região porque seu habitat foi (teoricamente) mantido. Eu já vi tucanos sobrevoando áreas residenciais em Brasília. E estava longe do zoológico. Hoje de manhã fui acordado por um casal de papagaios cantarolantes dando um vôo rasante na minha janela. Ainda tem as corujas, os periquitos, as tesourinhas, os carcarás, as maritacas, os quero-queros...

Os quero-queros são aqueles pássaros de perna fina e meio longa, com bico saliente, de cor cinza, branco e detalhes em preto. Adoram vegetação rasteira. Estào frequentemente em campos de futebol, nas transmissões de TV. Já foram alvos de diversas reportagens 'diferenciadas'.

Dia desses, caminhando do trabalho, no Setor Bancário Norte, para um restaurante na 402 norte, passando por uma grande área verde de Lúcio Costa, saí em disparada depois que uma dupla de quero-queros me atacou . Eu devia estar passando ao lado de um ninho ou simplesmente de um lugar que eles julgavam que seria deles.

Foi uma ofensiva perigosa: ouvi um zunido mais alto do que o de um zangão nervoso. Em seguida, olhei para trás e um quero-quero desceu em alta velocidade em direção à minha cabeça, me esquivei e do outro lado veio mais um ataque. Eu estava com um guarda-chuva. Tentei espanta-los, mas eles pareciam que pairavam no ar esperando eu abrir a guarda. Corri desesperadamente sob o olhar vigilante dos quero-queros, à distância.

Foram 45 segundos de tensão. Eu não queria fazer nada a elas, apenas passar para o outro lado da quadra.

Mas eles devem estar se sentindo muito ameaçados desde que o governo do DF adotou a tática de Juan Laporta, o presidente do Barcelona.

(Tá, eu sei, É um absurdo, realmente, comparar o profissionalismo e o planejamento estratégico do milionário clube catalão à mesquinheza e cegueira dos políticos locais)

Veja se você não concorda com essa minha teoria:

O time ostenta a fama de nunca ter exibido publicidades na famosa camisa blau-grenà. Três anos atrás, Laporta veio com essa ideia de ajudar as crianças carentes e estampar a marca da Unicef no peito e nas costas e ainda pagar por isso. Bela carta de alforria. Um dia, o contrato vai acabar e Laporta vai falar: bueno, agora é nossa vez de ganhar. Vai lá e mete um mega patrocinador no espaço que já foi da caridade por um bom tempo...

O mesmo acontece com as áreas verdes de Brasília. Estão construindo prédios que servirão como sede para órgãos oficiais, tipo delegacia, tribunal militar, nova sede da PF, nos espaços em branco, aquele mesmo que Da Silva perguntou se alguém construía algo.

As obras se encaixam ali sob o pretexto de melhor servir aa população. Mas, eu disse maaaassss, para servir aaqueles que vão servir aa população, é preciso ter um restaurante por perto, uma agência bancária, uma academia de ginástica, uma padaria, uma farmácia, uma kitnet em cima de cada um desses estabelecimentos comerciais... Assim, vão atacando e destruindo o conceito de cidade-parque de Lúcio Costa e enchendo o bolso de dinheiro.

Aí a gente vai ter que torcer pelo contra-ataque dos quero-queros...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Atenção, tripulação: chek de portas

Doismilenove entrou para história como o ano em quem mais viajei na minha vida. Me arrisco a dizer que nunca mais vou ouvir tantas vezes aquele inglês macarrônico da Paloma Sayumi, xefdicabine, ou os anúncios imperativos do comandante Araújo, em um espaço de tempo tão curto.

Saiba mais aqui.

Entre tantas indas-e-vindas, já deu para decorar as instruções e até ajudar a velhinhas estreantes a seguir as orientações (please, raise your seat to the upright position and make sure your trail table is locked).

Aliás, qual foi escola de inglês que os comissários frequentaram? Não, só para saber, porque eu jamais vou indicar o curso que eles fizeram, principalmente as aulas de spelling and pronunciation...

Até o inglês que se fala na South African Airlines é escalafobético. Mas aí o problema já é meu, que não entendo african style.

Bueno, mas o grande lance, no final das contas, é que aprendi algumas dicas importantes para o conforto e tranquilidade durante o voo. Por exemplo, as companhias metem os passageiros nas fileiras da janela, de frente para trás, depois pelo corredor. Por último, no meio.

Portanto, se você, assim como eu, não quer ter ninguém ao seu lado durante aquelas horinhas, que escolha as últimas fileiras, no corredor, porque a chance é maior de ir com as pernas folgadas. A não ser, óvio, que você esteja num voo para o Rio às vésperas do carnaval, ou indo para São Paulo na semana do GP do brasil de F1, ou subindo para Salvador no verão, ou indo para qualquer lugar no feriado.

Se o voo tiver menos de 90 minutos de duração, até vale escolher a última fileira, aquela que não reclina. Porque você pode perder em conforto nas costas, mas ganha nas pernas. Sim, claro, porque companhia aérea não vai te dar conforto total de qualquer maneira.

Outra dica: o aeroporto mais barato do Brasil é justamente o mais movimentado. Se você vai para SP, escolha Barulhos. É mais longe da cidade e tal, mas é mais barato incluir na viagem. Sabe lá deus por quê. Só em doismilenove eu passei por lá mais de 10 vezes (mesmo). E ainda vou na quinta-feira para a Colômbia, fora os planos do reveillon. É mais barato. Tipo umas 100 lascas mais baratas.

Falando em aeroporto, desde que o avião da GOL caiu na Serra do Cachimbo, em setembro de 2006, que iniciou-se aquela revolta dos operadores de voo, nada foi mudado no espaço aéreo brasileiro. Nada! Aquela confusão que a gente viu no final de 2006 cessou com o tempo e os controladores continuam lá na deles, sobrecarregados. Volta e meia rola uma confusão no aeroporto, mas os controladores continuam na mesma.

Quero só ver quando chegar essa história de Copa e Olympics. Ninguém tá falando dos aeroportos, apertados, mal servidos e limitados...Até porque, a maioria passou por 'reformas' menos de seis anos atrás.

Isso vai dar merda.

Mais uma dica: não beba cerveja no vôo. A 30 mil pés, uma cerveja tem efeito avassalador. Dá uma baita dolor de cabeza. É até meio brega tomar cerveja em aviào. Eu falo porque já tomei várias. Num voo entre Madri e Barulhos, após fazer uma entrevista com Carlos Alberto Parreira em meio ao Atlântico, tomei sete latinhas (com ajuda de uma mulher que estava ao meu lado e não bebia mas pedia por mim, e um mineiro que bebia mais que eu) para comemorar o feito.

Desci trôpego...Para nunca mais!

Anyway, para terminar, deixa eu contar uma história que eu vi num voo entre BSB e SP, dia desses.

Depois da decolagem, o comandante Montenegro passou aquelas informações sobre altitude de cruzeiro, clima no local de destino, as cidades pelas quais sobrevoaríamos e tudo mais. Ao terminar, esqueceu-se de desligar o microfone.

Pelo sistema de som, a gente (passageiro) ouviu ele convernsando com o co-piloto:

- Agora eu vou ligar o piloto automático, tomar um café e chamar a aeromoça para fazer aquele sexo oral caprichado...

Não precisa nem dizer que o avião ficou chocado com os planos ousados do Montenegro.

Nisso, a aeromoça, Bianca Dias, que estava ao meu lado, lá no fundão do avião, desatou seu cinto, saiu correndo pelo corredor desesperada para avisar ao comandante que o microfone estava ligado.

Até que um engraçadinho gritou para ela:

- Não tenha pressa, moça, porque ele ainda vai ligar o piloto automático e tomar um café...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Um cara insípido

O cara errou de ônibus e desceu pela porta da frente no exato instante em que eu subia as escadas do mesmo ônibus pela mesma porta. Por um segundo que ficamos frente-a-frente percebemos que usávamos a mesma camiseta: de listras com tons de azul e um número qualquer no peito.

Um rápido constrangimento nos acometeu, mas cada um foi para um lado e ninguém percebeu (espero) que havia dois caras com a mesma camiseta dentro do mesmo ônibus. Eu comprara numa loja brega-chik do Conjunto Nacional para poder ir ao trabalho, dois dias antes.

Lá no meu sirviço recomenda-se o uso de camisas sociais, diferentemente das duas firmas onde trabalhei anteriormente. Lá eu podia usar todas as minhas camisetas velhas de motivos futebolísticos/esportivo e ainda era cool por isso.

Foi dureza ir aa Riachuelo e aa brega-chik mudar de estilo.

Eu sou um cara de estilo único. Não tô dizendo que sou único no planeta, tô dizendo que eu só sei usar um tipo de roupa: calça jeans, camiseta, tênis. As camisetas geralmente são de futebol, lembrança de algum lugar que visitei ('Alguém que te odeia trouxe esta lembrança da Paraíba') e/ou a super coleçào de camisas brancas sortidas que mantenho desde 2005.

Se não for assim, não sei nem onde poner las manos. O que é curioso, porque meus irmão são super antenados com essa história de roupa.

Eu não faço a mínima questão. A não ser que o Chelsea tenha lançado uma camiseta nova...Aí não ficaria constrangido em cruzar com um maluco na rodoviária com a mesma blusa.

Não é só no armário das roupas que eu não tenho criatividade. No armário da cozinha e na geladeira, idem idem.

Sou completamente sem gosto para comidas. Há 28 anos, quase 29, enche o bucho basicamente com as mesmas coisas. Eu fui à Bolívia em janeiro e comi exactamente o que como em casa: carne com batatas. Em casa, nos Estados Unidos, na França, na África do Sul, na Costa Rica, Campina Grande, Canadá, Portugal, na Pomps...

Bueno, eu não consigo me empolgar com uma comida diferente. Não tenho a mínima curiosidade em conhecer pratos e temperos novos. Não consigo dizer qual foi a comida mais saborosa que já provei na vida. Nem o dia em que mais comi na vida.

Deve ser uma herança genética da família do meu pai. Porque minha mãe e meu irmão são grandes apreciadores de excentricidades culinárias. Até o dia em que eu trouxe um pedaço de carne de kuddu (um bicho da savannah sul-africana) para minha mãe e ela se absteve de provar.

Bueno, eu sei que vou cair no conceito de muita gente depois dessa. Mas a carne-com-batatas está para minha refeição como as camisas brancas estão para meu guarda-roupas. Imprescindível.

sábado, 3 de outubro de 2009

Assim no Rio como em Cape Town

Eu não vibrei.

Na hora em que anunciou-se o nome do Rio de Janeiro, fiz de conta que não era comigo. Quase como a reação de um paulista que odeia o Rio (e existe?).

Ah, sei lá, pensei nas coisas que todo mundo que torcia por Madri pensou.

Daí Anapô me ligou aos prantos, minha mãe disse que chorou, a irmà dela que mora nos EUA, também, Lula, aquele verme, Pelé...

Depois me lembrei da áfrica do sul. Os negões idolatram Sepp Blatter por ter levado a Copa do Mundo para lá. Ele vai ser canonizado em Soweto. Acho que é um dos únicos suíços que pode caminhar em Hillbrow, o bairro dos assassinos, sem ser assaltado. Ou seja, se der alguma merda na Copa, a culpa (também) é de Blatter.

Mas o que eu me lembrei da África foi dos branquelos. Os branquelos detestam futebol. A colonização holandesa/britânica, fez os caras terem umas manias esquisitas como matar negros, gostar de rúgbi e críquete acima de todas as coisas. E serem indiferentes ao futebol.

Como o país tá na crista por causa da Copa, os branquelos compactuam de uma revolta inaudível. Pega muito mal falar mal do próprio país. Conheci um par de irmãos branquelos de Cape Town com sobrenome de ponta direita da Seleção da Holanda de 1974.

A indignação deles com a Copa era diametralmente proporcional à empolgação dos negões com o evento que se avizinha. Por que?

- Man, it's a matter of priorities, disse Phill, o irmão mais velho, dentista.

O discurso deles é o mesmo que se ouve aqui sobre Rio e Copa de 14:

- Tanta miséria, roubalheira, educação de m*rda, pobreza...

Não deixa de ser verdade,' mamuidaverdade'.

Mas como é legal ser do contra, até para estimular o debate, eu tô começando a ser contra o contra.

Como bem disse o Barão de Itararé, revolta moral neste país é 99% revolta e 1% é moral. Ou seja, maioria das pessoas que fala o que o sul-africano falou reclama mas faria exactamente o mesmo.

Essa revoltinha de quitanda tá fazendo minha cabeça.

Menos de 24 horas depois de fingir que eu tinha 'nadas avê' com Rio-2016, tô começando a ponderar e achar legal que o Brasil tenha ganhado tantas chances de ser protagonista. Vai ser ótimo para o ego já inflamado dos brasilianos.

Ainda não virei totalmente a casaca. Talvez nem vire completamente. Talvez só depois da Copa e da Olimpíada, mais precisamente em setembro de 2016...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Efeméride

Foi comemorado de forma discreta, em primeiro de setembro último, os dois anos de existência deste blog. Com um mês de atraso, registramos aqui a data.

Dois anos atrás eu morava só, num outro quartim-cubículo, do outro lado do Plano Piloto, negociava na surdina para mudar-me para São Paulo, bebia muito menos que hoje, comia um pouco menos mal do que hoje, lia muito mais do que hoje, ganhava muito menos do que hoje.

Naquele tempo, eu estava com tanta disposição para escrever que em 30 dias postei 28 textos. Alguns no estilo twitter. Teve um post assim:

"Choveu! Também, depois de 123 dias..."

Para você ver como em 2007 os tempos eram outros, a seca durava muito mais do que esses míseros 68 dias de 2009.

Essas e outras baboseiras foram justificadas, numa espécie de habeaus corpus preventivo, logo no primeiro post, às 14h46 de 1o. de setembro de 2007:

"Coisas que vi, vivi, ouvi, li ou sonhei. Diferentemente dos tempos de colégio, estou numa fase da vida em que escrever tem me deixado cada dia mais feliz. Mesmo que tenha escrito besteira, que é bem provável que aconteça aqui."

Nos três primeiros meses, estabeleci um ritmo frenético de atualização. Fechei 2007 com 89 posts em 120 dias. Chegou 2008, minha vida começou a mudar, uma porrada de coisa
começou a se desenrolar, eu comecei a perceber que era melhor afastar este blog da realidade, deixar ele menos diário e mais uma exercício de disciplina (sim, me sinto na agradável obrigação de não deixar este espaço envelhecer) e os posts foram rareando.

Quanto mais coisa acontecia na minha vida, menos frequente a atualização. Quando chegou o primeiro aniversário em setembro/08, encontrei o ritmo legal de postagem, com dez ou doze textos por mês, tipo três por semana. Poderia ser mais, mas me censuro para não entrar gratuitamente em atritos com os (três) leitores mais assíduos.

(Alô, mãe! Aquele abraço)

Neste formato de diário, ainda que 'afastado da realidade', minha mãe, que tá em São Paulo; Da Silva, que tá na pequenina e heróica; meu primo, em Recife (acho que ele nem entra mais); e alguns amigos de BSB com quem não tenha a oportunidade de conversar diariamente, sabem mais ou menos onde eu tô pisando.

E outra, o blog me livra de um baita trabalhão de ter que explicar histórias que já repeti milhares de vezes. Tipo assim:

- Pô, fiquei sabendo que tu foi para Moz, é verdade? Como foi lá?
- Ah, sim, Fui a Mozambique. Mas, cara, entra nesse link aqui porque eu contei toda a história la.

É, eu sei que é meio chato de minha parte nào contar a história e esperar que ele acesse o blog. Mas é que a coisa já está toda dramatizada aqui, se eu for contar de novo, posso aumentar um ponto, esquecer outro.

E outra, como dizia a tia da primeira série, ler faz bem.

Mesmo que seja tudosobrenada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Too much monkey business

Dizem que o camarão é o rato do mar, porque vive atrás das migalhas espalhadas pelo oceano. Dentro deste mesmo conceito, eu digo que os taxistas são os camarões das ruas. Estão sempre atrás das migalhas de real que um passageiro desatento deixou escapar em um retorno mal informado, uma orientação desajustada, um endereço um pouco mais complicado...

O que estiver ao alcance dos taxistas para levar pelo menos dois ou três reais a mais do passageiro, ele tá disposto a levar para o bolso. Taxista é aquele cara, né, que é a favor do porte de arma, faz discurso em prol da implementação da cadeira elétrica e do muro de fuzilamento nas penitenciárias brasileiras, vota no Roriz e no Arruda ao mesmo tempo e não conta voto nulo, tem opiniões radicais para todos os assuntos do planeta.

Tenho convivido com essa galera nos últimos dois ou três meses em Brasília e nunca tive tantos momentos tão desagradáveis dentro de um carro como quando estou no pagando para ser deixado em algum lugar por essa galera.

Todo papo de taxista começa sobre o clima.

- Que calor, hein?, eles começam, inocentemente, para depois entrar em campos mais espinhosos.

Na verdade, é tática para te fazer desviar a atenção do caminho e eles pegarem uma tesourinha errada, cujo retorno só vai dar para fazer depois que todo aquele trânsito debaixo da tesourinha for vencido, daqui 19 minutos. No final, o taximetro vai estar quatro ou seis reais mais alto que o de costume.

Aconteceu comigo, quando voltando de um happy hour (no domingo...), adormeci no carro e a corrida não deu os tradicionais 12 reais, mas 19, ou foram 21 reais. Tentei argumentar, mas os taxistas jamais vào inventar uma marcha ré que reduza o preço do apurado.

Da outra vez eu perdi um celular (mais um) dentro do táxi, liguei para a central e para o próprio cara que me garantiu que não havia celular algum lá dentro. Fiz a reconstituição dos fatos antes de entrar no carro e constatei que perdi o celular dentro do táxi mesmo. Mas o cara, que vive às custas dos erros dos outros, jamais entregaria um celular, por mais vagabound que fosse. Como era o meu...

Curioso porque às vezes você pensa que pegou um cara gente boa, que conversa sobre futebol de igual para igual e reclama de motoristas que costuram no trânsito, daí ao final da corrida o cara te dá uma dica de caminho mais curto para chegar em casa. Quando você vai pegar o outro táxi, num outro dia, com um motorista que é evangélico e anda com três bíblias grossas espalhadas pelo carro (uma, inclusive, no seu colo) e adesivos com motivos religiosos e som ligado numa oração para os endividados, você pede para o camarada fazer o tal atalho e no final das contas dá mais caro do que no caminho normal.

Quer dizer, taxista tem dessas manhas.

Nenhum lugar supera o Rio de Janeiro. Como não tenho amigos no RJ, vou menos que gostaria à cidade (também) por causa dos taxistas. Como as corridas lá são incrivelmente baratas (de Copa ao Maraca não pague mais que 24 reais, mesmo no domingo), eles arrumam um jeito de te embananar e ganhar seus míseros três reais a mais pelo caminho dois km mais distante.

Bom mesmo foi meu pai, que esteve no RJ um tempo desse aí e pediu para o cara levá-lo do lugar X ao Y. Foi quando o taxista, percebendo o sotaque paraibano do meu pai, emendou:

- Aí, parceiro, vamos pela Av. Lins de Vasconcelos ou pela Conselheiro Lafaiette?

Foi a deixa para meu pai avisar:

- Meu amigo, você vá pelo caminho que você achar melhor, eu só sei que eu to me c*gando aqui!

Rapidinho o cara encontrou o rumo certo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Amizades que não se misturam

Clebes era um coleguinha meu, vizinho de quadra, repetente da quinta série, como eu. Neguinho, adotado por um casal de velhinhos, era meio que discriminado na sala de aula. Mas era meu brother.

Íamos e voltávamos caminhando juntos ao colégio, andávamos de bike e conhecíamos quase a mesma galera, fora da escola. Apesar de gente boa, Clebes era, para muitos, um cara chato, pesado.

Um cara que não sabia perder, fazia piadas sem graça e ria delas sozinho, gostava de brigar, e se orgulhava de ser campeão brasiliense de taekwondo ou kung fu. Sei lá...

Quando a gente reprovou, a direção da escola optou por nos separar de sala. Para não me afastar do cara, que era meio solitário, eu o convidava para eventos na casa dos coleguinhas da minha nova classe.

Certo dia, levei o Clebes para a casa do MArcelo, ou era Tiago, no Lago Norte. Uma bela mansão, com quintal, piscina, churrasqueira, campo de futebol gramadíssimo, pomar... Marcelo era a antítese do Clebes: rico, cabelo e olhos claro, amigo da galera toda, mulheradinha na cola, mas mimado para cacete.

Numa tarde em que estávamos nós três, Clebes ganhou uma partida de futebol de botão e ficou tirando onda da cara de Marcelo. Este, desacostumado a ataques frontais à sua moral, partiu para cima de Clebes, que correu pelo quintal até levar um totózinho e sai bolando pelo chão.

Marcelo caiu batendo no pobre do neguinho. Mas Clebes era lutador 'profissional'. Deu um empurrão no anfitrião, se levantou e virou uma sequencia de chutes incríveis na cara do Marcelo. Sabe aqueles chutes que a gente vê em filme de comédia? O cara gira o pé direito lá no alto, depois o esquerdo, de novo o direito, depois o esquerdo de novo. Quase como uma pedalada no alto.

Eu me lembro que eu estava na varanda da casa olhando a tudo. Caí no chão de tanto rir ao ver a sequencia de street fighter de Clebes e ainda achei legal que o tal Marcelo tenha levado essa bela surra. Era uma imagem marcante aquela saraivada de golpes perfeitos do neguinho na rosto fino do galego...

A mãe da vítima desceu correndo pelo quintal, se jogou na frente das pernas de Clebes e salvou o filho, que espumava de raiva. Não sangrou nem nada, o muleque nem desmaiou, só ficou todo arranhado com as pesadas na cara. A mãe botou panos quentes, afinal tínhamos apenas 11 aninhos...

Nào me lembro como a gente foi embora de volta para o outro lado da cidade (éramos vizinhos de quadra). Só sei que nunca mais falamos com Marcelo. Com o tempo, perdi o contato com Clebes. Acho que ele deve ser o único Clebes do mundo, nunca mais tive notícia de ninguém com esse nome. Principalmente dele.

Acho que nunca contei a ninguém desse episódio. Me lembrei agora, aqui quartim-cubículo, um segundo antes de escrever alguma coisa sobre meus amigos de Brasília. Só sei que esta foi a primeira lição que tive de que tem certas amizades que não se misturam...

sábado, 19 de setembro de 2009

She comes in colors everywhere

O lugar mais lugar-comum de Brasília é o céu de Brasília. Olha isso:

Até Djavan já cantou o céu de Brasília. Segundo ele, o céu de Brasília é o traço do arquiteto. Ou não. Depende de como você interpreta aquele trecho da música. Pode ter uma vírgula ou ponto final ali entre o 'Céu de brasília. Traço do arquiteto". (Djavan também já disse que branca é a tez da manhã)
Anyway, quantas cores tem nesta foto aí ?
Eu contei seis: branco, amarelo, laranja, duas tonalidades de azul, cinza/preto. Tipo, seis e meio. Durante 30 dias, acordei entre 6h e 6h45 para tirar fotos do nascer do sol da janela do meu quartim-cubículo. Deu nisso.

Pode apostar que não tem efeito de máquina ou photoshop. É o céu de Brasília.
O sol nasce mais tarde do que no autoentitulado 'Extremo Oriental das Américas', por motivos óbvios. Lá, às 5h, já tá rolando uma luz de meio-dia. Mas no DF nasce com muito mais personalidade do que na terra onde 'o sol nasce mais cedo'.
A impressão que fica é que ele vai provocar um incêndio apocalíptico antes de passear pelo céu de brigadeiro, peculiar desta época do ano em Brasília.
Às vezes, como você já percebeu nas fotos anteriores, encontra alguns obstáculos pelo caminho. Fruto, dizem os politicamente corretos, do aquecimento global, que tira de Brasília sua característica climática mais marcante para agosto e setembro.
Mas não deixa de ser uma imagem incrível.
Ou várias...
PS - Este post é melhor visualizado ao som de Rolling Stones: