Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Na África, de ônibus

O cabra precisa ser muito macho para encarar uma viagem pelas estradas da África, no estilo africano de viajar. Pelo menos no sul da África, de onde cheguei faz uns dias.


Sim, porque lá existe um negócio chamado minibus taxi que nada mais é do que um veículo um pouco maior que uma van, geralmente de fabricação chinesa (eles já estão tomando conta da Äfrica também), com capacidade para ou 16 ou 22 pessoas, mas que geralmente vão 29, 33, 35 pessoas.

Para ir de Johannesburg a Maseru, a capital do Lesotho, uns 500 km ao norte, paga-se o equivalente a 20 reais. Aí eu quero ver o turista brasileiro falar: 'nós queremos conhecer o modo de vida do povo africano'.

Vai lá.

Eu passei três dos meus 23 dias na África a bordo de um veículo pelas estradas de South Africa e Moçambique e nunca vivi tantas emoções sob o asfalto.

As estradas são boas, os ônibus turísticos (não me arrisquei num minibus taxi) são novos, a passagem é relativamente barata (R$ 60 reais para ir a Moçambique, de Pretória, não é tão caro, né?). Mas o que acontece no intervalo entre o embarque e o desembarque, meu amigo, é 'uma tsunami' de dissabores.

Eu poderia fazer um post para cada uma das jornadas que encarei bravamente, mas vou tentar resumir apenas uma delas aqui.

Bueno, certo dia acordei às 6h, horário oficial de Pretória, a capital de todos o sulafricanos, para estar no rodox às 7h e embarcar às 7h15 para a nossa Moçambique. São 600km ou um pouquinho menos, que o panfleto de propaganda garante serem percorridos em sete horas (ou menos!).

Havia combinado com Godfrey, o taxista, para me buscar no hostel às 6h30 e chegar na rodoviária por volta de 7h, em tempo de embarcar. O que eu nao contava era com o African Time.

African time é o tempo da África, seus atrasos gigantescos perdoados por nada, sequer questionados. Brasileiro tem fama de ser atrasado, mas na África é que o bicho pega. Tirando horário de aeroporto e programação de TV, tudo atrasa.

Godfrey chegou somente às 6h45. No problem, boss, disse-me...Voamos pelas ruas largas e retas de Pretória. Chegamos em cima da hora na rodô (na foto abaixo).

Acontece que o African Time não valeu para o motorista da Intercape, companhia que escolhi para me levar até Maputo. O motorista simplesmente me impediu de embarcar porque eu não tinha o vista de entrada em território moçambicano.

Ora, se na fronteira eu consigo o visto por 170 rands (42 reais) e na embaixada, com antecedência, o mesmo documento custa o equivalente a R$ 172, é claro que eu preferia tirar na fronteira. E o vendedor do bilhete havia me garantido que o ônibus me esperaria tirar o visto na fronteira.

Faltou combinar com o motorista, que era branco. Aos gritos, me tirou da fila de embarque, tirou a etiqueta do meu mochilão e a jogou no chão, como quem joga um porco morto num terreno baldio.

Pedi para que ficasse calmo, mas ele estava irredutivel. "Tenho um determinado prazo para permanecer na fronteira. Não quero me atrasar lá por sua causa", justificou, esquecendo-se do african time.

Fui socorrido por passageiros de outras companhias que me viram desolado. Foram eles que me explicaram a tática: comprar uma passagem para Koomatiport, última cidade em terreno sulafricano antes de adentrar Moçambique. Para todos os efeitos, eu ficaria em Koomatiport, mas se desse tempo, o imbecil do motorista me deixaria seguir até Maputo.

Paguei 25 rands pela passagem a Koomatiport, mais 15 rands ao guardinha que me acompanhou até o guichê e 10 rands ao outro que evitou que o ônibus partisse sem mim.

Atravessei um trecho do centro-norte da África do Sul ao lado de Emilia numseidasquantas. Ela falou o sobrenome, mas não decorei. Uma velhota, moçambicana, que estava a visitar os três filhos que vivem ilegalmente na África do Sul. Ela me viu roubando uma foto dela e me pediu para ver a imagem. No final, aprovou sua publicação neste blog.

Com o passar das horas e de muitas paisagens, Milton, o rodomoço moçambicano, me informou que se eu quisesse ir para Maputo, teria de ser o homem mais rápido da fronteira:

"Carimba a saída na África do Sul, paga o visto na entrada de Moçambique e corre pro ônibus", avisou-me Milton.

Perto da fronteira há um grande e bonito rio, que gostaria de tomar umas fotos, mas não tive cabeça para pensar em fotos. Só pensava na correria e na possibilidade de ficar na fronteira e minha mala ir para Maputo sem mim.Saí em disparada, ao estacionar do ônibus. Carimbei em dois segundos na África do Sul e corri por entre caminhões de galinha, vendedores de drogas, policiais de fronteira armados com fuzis, lavadeiras com trouxas imensas na cabeça. A fila era interminável do lado moçambicano.
Tinha que preencher um formulário repetitivo e eu não tinha caneta. Do chão, assim, do nada, de um lugar de onde ninguém sabe, surgiu um velhote, com cara de pagodeiro, me oferecendo (em português - moçambique fala portuga, para quem faltou aula de geografia/história) uma caneta e agilização no visto.

Preenchi, dei a ele 200 rands (50 reales) e mais 20 rands extra que me pediu, que entrou no escritório do oficial Almeida (era Almeida o nome do carimbador, mas não era da minha família, as far as I know). De lá, saiu com 28 rands de troco pelo visto de fronteira, pelo qual havia dado duas notas de 100.

Na hora de colocar o dinheiro na minha mão, fez um sinal, apontando para Nêgo Almeida e embolsou a grana. Era como se estivesse dizendo que meu visto só saira mais rápido porque eu pagara aqueles 28 rands (mais os 20 rands iniciais, que havia me pedido educadamente) a mais por um serviço de qualidade.

Um minuto antes do motorista branquelo seguir viagem para Maputo entrei no ônibus com meu visto moçambicano

Entrei no ônibus esbaforido, encharcado de suor e passando mal de calor. Quando a porta se fechou e o motor engrenou pela estarda recém-construída por uma empreiteira chinesa, me acomodei em uma fileira folgada e saí do lado da moçambicana Emilia.

Era hora do almoço para os passageiros, apesar de ja estarmos para lá das 14h. Duas senhoras ao meu lado sacaram a quentinha de isopor da bolsa e abriram a tampa.

De repente, subiu aquele bafo tropical de subrecú de galinha espremido entre uma batata frita molhada de suor da tampa do isopor. Aquilo impregnou o ônibus e incentivou os demais passageiros a procurarem suas próprias quentinhas. E eu, ensopado, passando mal, ofegante, fiquei gravemente ferido pela nuvem tóxica e comecei a fazer cáculos para/como/onde ruminar.

O banheiro estava interditado, porque algum engraçadinho havia deixado dois feixes de mogno entalados no bojo, não havia sacos plásticos em minha volta. Teria de passar pelo constragimento de regurgitar na própria mão, ou dentro do saco usado de batata chips. Ou apelar pela compaixão do motorista imbecil para que parasse para eu devolver meu hamburguer em forma líquida.

Mas...por algum motivo que jamais conseguirei explicar, me retirei daquele recinto.

Eu estava ali, sentado, trôpego, mas, no fundo, não estava. Por umas boas duas horas, eu simplesmente esqueci que estava naquele ambiente insalubre. Não sei se foi Gay Talese que eu estava lendo, ou Yardbirds que estava ouvindo, só sei que não estava realmente ali. Quando dei por mim, havia chegado em Maputo. Exatamente 12 horas depois de me acordar, em Pretória.

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Isso é porque eu não contei como foi minha ida para Inhambane e meu retorno para Johannesburg. Fica para um próximo capítulo.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

A ideia do eterno retorno

Suponhamos que existisse no universo um planeta onde viríamos ao mundo uma segunda vez. Ao mesmo tempo, nós nos lembraríamos perfeitamente da vida passada na Terra e toda experiência adquirida aqui. E talvez existisse um outro planeta onde se nasceria uma terceira vez com a experiência de duas vidas já vividas. E talvez ainda outros planetas onde a espécie humana renasceria, subindo cada vez um degrau (uma vida) na escala do amadurecimento.

Nós, aqui na Terra (no planeta 1, no planeta da inexperiência), podemos ter evidentemente apenas uma ideia muito vaga do que aconteceria com o homem nos outros planetas. Teria mais sabedoria? A maturidade estaria a seu alcance? Poderia atingi-la por meio de repetição?

É só na perspectiva dessa utopia que as noções de pessimismo e otimismo fazem sentido: o otimista é aquele que acredita que a história humana será menos sangrenta no planeta de número 5. O pessimista é aquele que não acredita em nada disso.
Milan Kundera

Sábado, 30 de Maio de 2009

Pedi demissão

Então...foi na sexta-feira que passou.

Agora tenho tempo de ir ao dentista - a última vez foi em 2006.

E vou aproveitar para renovar minha carteira de motorista, que está vencida desde dezembro passado.

Depois eu cuido do resto...

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

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Prólogo
Por volta de 15h, quando o bolo alimentar já percorreu os trinta quilômetros de tripas/intestinos e se enfileirou no reto pedindo para sair, é hora de pegar o jornal e subir para o sétimo andar do prédio onde eu trabalho.

Por ser o andar mais alto, sem nenhuma repartição funcionando na redondeza, o banheiro é o mais limpo e tranquilo. E espaçoso também.

São sete cabines com privadas frias e, consequentemente, intactas. Rolos completos de papel higiênico, lixo vazio e água transparente.

Quinze horas é um horário bom, porque já passou o pico do almoço, o pessoal já está voltando ao ritmo normal de trabalho, então tenho sossego no reservado.

Eu preciso do sossego. Veja porque, abaixo:

Cena 1
Uma visita rápida ao banheiro do Terraço Shopping vi um maluco mijando (ou fingindo que estava). Entrei na cabine, tudo ok. Quando saí, o peguei no contrapé saindo de frente da porta da minha cabine, fingindo naturalidade. Ele percebeu meu espanto por estar tão perto da merda, e saiu aos pulos pelos corredores do shopping. Eu fiquei sem reação.

Cena 2
ParkShopping. Pela frestinha da portinhola, bizolhei um doidinho examinando outras portas. Em alguns segundos ele chegaria aa minha cabine. Travei a psileuma, a válvula que fatia o bolo alimentar, e saí disposto a brigar. Mas o tempo de me recompor foi o suficiente pra o camarada desaparecer do banheiro.

Comentei com amigos e alguns me relataram situação idêntica ou pior nos banheiros do Pátio Brasil, no centro de BRasília. Lá parece que a putaria é oficializada, com direito a comilança e tudo mais dentro das cabines. Jamais entrei em um banheiro do Pátio.

Cena 3
Um frio na espinha me apanhou de surpresa no meio de uma nevasca no Canadá. Não era por causa dos nove graus negativos que assolavam Toronto naquele momento. Era o magma pastoso se locomovendo em direção à porta de saída. A movimentação frenética das placas tectônicas me faziam tremer nas bases. Corri ao Eaton Center, shopping dos turistas de Toronto, o banheiro era acanhado e incoveniente porque as portas eram de vidro embaçado. Quando menos espero, vejo uma pessoa de pé defronte ao vidro da minha portinhola.

Interrompi a produção de merda, biquei a porta com força e gritei:

- Ei, filhodaputa!!!!!!!!
(em português mesmo)

Ao sair da cabine, procurei avidamente por um louco de camisa xadrez azulada e sapato laranja claro, meio marrom, pelo Eaton, mas não o encontrei.

Cena 4
Três anos depois, estava no Colombo, centro de compras de Lisboa. Fui fazer um stop 'n go. Junto à praça da alimentação havia um banheiro calmo, longe do fuzuê do shopping que fica ao lado do famoso Estádio da Luz, do Benfica. Lendo meu guia de viagens, sentado em trono esplêndido, vejo um vulto pela fresta da porta. De novo. As três cenas citadas acima me passaram pela cabeça em flashs de meio silésimo de segundo. Me lembrei do Pátio Brasil também. Me ocorreu a idéia de chutar a porta e chamar para brigar. Fui o mais rápido que pude no asseio para flagrar, finalmente, um filhodaputa que bisbilhota pobres mortais cagando humildemente. Deus é grande e nunca me deu essa oportunidade.

Epílogo
Estou sendo obrigado a mudar meu planejamento.

Ontem foi o quarto dia seguido que subo ao sétimo do prédio onde trabalho e as sete cabines estão ocupadas.

Quando leio 'ocupado' em todos os trincos das portinholas, me bate um desespero, até uma certa vontade de chorar, porque eu vou ter que ir a um banheiro qualquer, sujo e movimentado nos outros andares e acompanhado dos fantasmas dos banheiros de shoppings.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

O mito dos cinemas de São Paulo

Tenho certeza que o Unibanco não precisa da bilheteria de Anjos & Demônios para sustentar o cinema que carrega seu nome no Shopping Bourbon, da Pomps, a 123 passos da entrada do Ed. Cabo Frio.

Um cinema que ostenta o nome de um dos maiores bancos do país, cuja família proprietária, ou ex-proprietária, faz filmes que se esquivam de todas as maneiras do lugar-comum, não precisa encher sua grade de exibição com filmes popularescos.

Além desse blablabla de Dan Brown, estão em cartaz atualmente:

- Divã;
- X-Men: Wolverine;
-Monstros vs Alienígenas;
- Star Trek;

Na boa, eu não pago para ver isso aí.
Alias, não iria nem de graça.

Estou longe de ser um cara avesso aa cultura de massa, muito pelo contrário: assisti a todos os filmes de jim carrey e os considerei inteligentes; levei minha namorada para ver homem-aranha (há uns quatro anos...ou mais); não entendo filmes que ganharam Oscar e Palma de Ouro (Gomorra e Onde os fracos não tem vez, so para citar um de cada) e otras cositas a más...

Mas existe o limite para a falta do que fazer.

O Espaço Unibanco Pompéia é um belo cinema. Salas grandes, com poltronas confortáveis, cama vibratória, espelho no teto, ar-condicionado educado e otras cositas a más...

A sala 10 é ultra-especial. As poltronas são de primeira classe do melhor avião da British Airways, ou da Emirates. Há apenas 60 lugares, mas ao fundo, lá em cima, existe um sofá superlativo com almofadas felpudas para os que chegaram atrasado e não conseguiram um lugar casado para se abraçar aa namorada durante a sessão.

Ali só passa filme legal. Filme que, esse sim, não 'dá de cumê' (para usar uma expressão paraibana) ao orçamento do Unibanco. É de qualidade mesmo. Nadas a vê com quantidade. Devia ser ponto obrigatório aos turistas cinéfilos em passagem por São Paulo a visitação e usufruto da sala 10. O preço do ingresso é o mesmo das salas normais, R$ 18.

No Shopping Cidade Jardim (onde soltaram o leão lá dentro e ele fugiu morrendo de fome, porque não encontrou ninguém para arrancar pedaço), por exemplo, tem um cinema estilo Emirates 1a. class mas a meia entrada custa inacreditáveis R$ 30. Para ver o mesmo filme que se assiste por R$ 8 em algum buraco na Paulista.

Voltando aa sala superlativa do Unibanco Pomps, ela tem o problema de horário. Os melhores filmes estão no meio da tarde. Como o documentário Vocês, os vivos, ou Impor Export. Bueno, eu acredito que esses filmes sejam bons. Mesmo que saia da sessão com a cara amassada de sono e sem ter entendido patavinas, só pela intenção já podem ser considerados melhores que os citados no começo deste post.

Com as sessões em horários para desempregados ou estudantes universitários, fica a sensação de que os filmes off the mainstream servem mais desencargo de consciência da parte cinéfila da família Salles. Se é que eles mandam em alguma coisa na programação.

Mas serve também para desmistificar essa história de que "em São Paulo é que passa filme bom a toda hora". Balela.

O HSBC, o Bombrill, o simpático (e artesanal) Gemini, o próprio Unibanco da Augusta pecam pelo excesso. Tem filmes bons com a mesma quantidade de filmes horríveis. Por ter um público muito grande, gente para ver de tudo, o filtro é mais complacente com todo tipo de gosto e é fácil cair em armadilhas: como uns filmes italianos que vi no ano passado.

Outra coisa: eles fizeram do cinema o que os americanos fizeram com os ginásios da NBA e os bandidos querem fazer dos estádios de futebol no Brasil. Vão dando nome de empresas aos locais, só para fazer a gente de besta. Porque se Unibanco ou HSBC quisessem de verdade apoiar a cultura, não cobrariam ingresso. Que utopia, não? Eles estapam a marca, cobram caro, nos fazem pagar pelo incentivo deles ao cinema e nos incutem a ideia de que eles são, realmente, apoiadores do cinema.

Você que não mora em São Paulo deve estar pensando 'Bom, então vai procurar outro cinema'. Aí é que tá: os outros 48 lugares onde tem (mais 180) salas de cinema só servem para passar X-Men, Xuxinha e o Guto, Ópaí, ó, e otras merditas a más...

Para melhorar a safra, só depois que acabar o verão lá no hemisfério norte. Porque acabam as férias e americanos e europeus voltam a pensar em filmes com conteúdo e não só bombas e efeitos especiais para as férias de meio de ano.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Não vou nem responder

- Boa tarrrde, senhorrrr. Qualseupididu?
- Boa tarde. A promoção número 2, com coca média e um sund...
- Mais R$1,50 para coca grande?
- Não, obrigado. E um sundae de chocolate.
- Mais R$ 1 para tá levando a batata grande?
- Não!
- O senhorrrr não quer a promoção número 6 para tá levando o copo da coca-cola?
- Não!
- Mais R$ 0,75 para cobertura extra no sundae?
- Não!
- Nota fiscal paulista?
- Não!
- Deu R$ 14,25. O senhorrrr não qué tá ajudando as crianças do Instituto Ronald McDonald?
- O que você acha?
- Eu acho que não!

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Desaprenda o presente do subjuntivo com os paulistas

Na fila do caixa do supermercado, o funcionário meteu o dedo na embalagem de danoninho e melou tudo.

- Opa. Me desculpa. Quer que eu troco?
- Oh, não tem problema. Eu busco lá na prateleira.
- Não, senhor. Tudo bem, o senhor não quer que eu pego um novo danoninho?

Doeu no pâncreas o assassinato do presente do subjuntivo do rapazinho do supermercado.

Ele, coitado, nada mais é que um produto do meio. Deve ter crescido ouvindo pais, vizinhos, amigos, parentes falando desse jeito e não tem professor de portugês que ensine o subjuntivo a um 'crescidinho'. Até para criança/adolescente, cuja memória ainda é quase uma folha em branco, é difícil aprender.

Eu mesmo tive que ir ao Google para relembrar que esse tempo verbal chama-se presente do subjuntivo: representa uma hipótese.

Aliás, foi o Google que me lembrou que isso é chamado de morfologia.

Esta forma ('que eu vô', 'que tu faz'...) seria uma maneira de estar evitando o gerúndio: 'Você quer que eu esteja buscando'. Mas é igualmente errado. Talvez pior. É, pior mesmo... Trocar o presente do subjuntivo pelo do indicativo.

Pelo menos lá pras bandas da Paraíba o povo não comete esse tipo de erro. Esse, não.

Posso não saber esses detalhes técnicos de morfolgia, e otras cositas a más (antes de p e b se usa m). Mas jamais vou cometer erros que vejo até no meu ambiente de trabalho:

- Daniel, você quer que eu risco a página?

Desse jeito, meu amigo, vai riscar você mesmo do mapa, né não?

Ou então faz igual a uma conhecida. Ela tava de namorico com um camarada. Combinaram de sair à noite. Antes passar para apanhá-la em casa, o sabichão telefonou para ela e morreu pela boca:

- Eai, gata, você quer que eu te busco?
- Como é que é?
- É, se você quiser que eu te apanho em casa, para mim não tem problema.

Ela, segundo relatos, desfez o programa noturno e nunca mais falou com o gênio da morfologia.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Atualizado há 1 dias

O Blogger devia estar pensando em ajudar quando inventou essa ferramenta de informar a data da última atualização dos blogs.

Tô falando desses links aqui, no lado direito da tela, esquerdo de quem vê, com meus blogs favoritos. Por exemplo, no momento desta atualização "Meu blog na web", do conterrâneo André, está em primeiro lugar na lista. Ele atualizou sua página com o texto "CInema sucateado II - A missão" há uma hora, portanto é o primeiro da lista.

Vem seguido da Cris, do DDA, que atualizou há 11 horas com o texto "Mônico e Eduarda". Depois vem Astier, com Apolo de Ipod (12 horas), Histórias e Pensamentos de uma ruiva infinita juntamente com Joselitando, ambos renovados há 15 horas.

Tudo muito legal, muito bom. É uma maneira de avisar aos visitantes que seu coleguinha de blogs atualizou e está aqui, ó, no topo da lista dos favoritos.

Eu tô lá no cbet, o blog que eu entro a cada duas horas, e vejo lá do lado que o Tudo Sobre Nada foi atualizado há 1 horas. Volto lá, '2 horas'. Demoro um pouquinho, retorno: '4 horas'. Passo dois dias sem acessá-lo. Aí tá lá: 'Tudo Sobre Nada - Atualizado há 5 dias'.

Engraçado porque eles fizeram um sistema voltado pras pessoas que demoram para atualizar, como meu amigo Mr. Rabitt (textinho pro filhosdapauta, Mr.?). O tempo está sempre no plural. 'Atualizado há 1 minutos'.

Outra coisa, alguns blogs não têm o poder de repassar a data da atualização. O próprio cbet aqui no TSN não registra texto novo. Mas nos outros blogs, inclusive no meu FDP, tá sempre no alto da página, porque é escrito por 14 caras, que atualizam a cada 30 minutos. Ou menos...

Aliás, pobre fdp, que tem quatro integrantes, mas só é atualizado uma vez por mês. Acabei de postar um lá, '1 dias atrás', como diz o blogger, para não deixá-lo morre de inanição.

Essa contagem me deixa agoniado e praticamente me obriga a renovar os blogs.

É tipo uma mensagem subliminar. Toda vez que eu vejo as letrinhas em itálico abaixo do nome do meu blog me vem uma cobrança: "Atualize, atualize, atualize, porque seu link está caindo na lista dos blogs favoritos. Atualize, atualize."

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Por linhas tortas

Parado no trânsito em alguma pista tipo um elevado, um viaduto, uma ponte ou alguma coisa suspensa lá pela Zona Norte do Rio de Janeiro, me flagrei lendo a pichação acima da janela de três casebres geminados.

"O que voce far"

O trânsito, como já disse, estava lento, a leitura seguia no mesmo ritmo:

"...ia se nao tives"

Tava meio complicado emendar as palavras separadas pelas casinhas:

"se medo?"

Para ser mais honesto, só depois de emendar as três partes e transformá-las, meio que automaticamente, em uma frase - como se estivesse fazendo uma daquelas palavras-cruzadas gigantes - que assimilei a mensagem. Isso foi há quase um ano.

Perguntei ao taxista como se chamava aquela favela. Ele disse que era um lugar conhecido como "Vila do João" ou era "Morro do João", sei la. E acrescentou: "O bicho pega ai dêntru, maluco!!".

Bueno, então juntando a forma da frase com o conteúdo da informação, a frase tem um um super significado, não é verdade?

Embaixo de um viaduto aqui na Barra Funda, perto da Pomps, algum pacifista escreveu em volta de um pilar, com letras grandes: "Odeie o seu ódio".

Lendo assim, tudo junto, é até meio besta. Mas, dentro de um ônibus cheio, parado no trânsito, puto da vida com qualquer coisa, você passa até a pensar que aquela mensagem tinha endereço certo.

Hoje mesmo, voltando para casa, procurei pela mensagem, só a vi pequenina, em letras arredondadas, no pé do mesmo pilar. Meio besta.

Me lembrei da história de Luís Fernando Veríssimo na Copa de 2006. Depois de mais de 30 dias acompanhando a SeleÇão pela Suíça e Alemanha, ele já não tinha mais livros para ler e não aguentava ler o Financial Times, único jornal legível servido no café da manhã dos hotéis onde ficou. Na falto do que ler, ia ao banheiro para ao menos soletrar 'hot' e 'cold'nas torneiras da pia e do chuveiro. O grande lance é que ele escreveu uma crônica sobre isso. E publicou n'O Globo!!

Mas, falando em banheiro e a mania de ler por linhas tortas, nada supera o que li na cabine do banheiro do último andar do prédio onde trabalho.

Antes de escrevê-la aqui, uma explicação: sabe como é porta de banheiro, né? Um monte de putaria, desenho de órgãos genitais das mais variadas espécies, troca de provocações e xingamentos entre torcidas rivais e do mesmo time, mural para recados sexuais e otras cositas más.

Na porta que vi dia desses, espremido entre toda essa esculhambação resumida acima, fisguei a seguinte pérola:

"se eu t
ivesse

d

oi

scus

euc

agar

iama

is

ra

p

ido
"

Ah, obrigado por informar!

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Nunca tive uma gripe

Quem me falou foi um otorrinolaringologista, já faz uns 15 anos...ou mais.

Não sei nem como é que é ficar gripado. Eu poderia até ir ao México, segundo o doutor.

Tá duvidando? Pergunta para minha mãe.

No lugar da gripe, eu tenho super crises de alergia.

O nariz entope; pinga 'secreção' láááá no fundo, onde a língua começa; a garganta arranha como se tivesse areia do mar escorrendo para dentro; os olhos coçam até ficarem inchados e vermelhos como duas bolas de fogo, além da tradicional dolor de cabezzzza.

É uma mistura de rinite alérgica, com sinusite e mais qualquer outra 'ite' por aí. São minhas companheiras desde pequeno.

Pior de tudo é que eu tenho alergia à umidade. Quando morava na praia, vivia entupido. Era um sufoco. Fiz um tratamento todo especial de seis meses de injeções semanais contra alergia e fiquei bom por uns tempos.

Mas alergia não se cura, ne? Não dava para fazer o tratamento de novo. Além do que, me disseram que ele engorda. Ou seja, a responsabilidade por esse bucho não é da cerveja, mas das injeções.

Melhor mesmo era morar em Brasília. Aquela terra seca me fazia muito bem. Não tinha alergia que aguentasse 10% de umidade.

Já em São Paulo, a alergia ainda não se decidiu. A cidade é menos úmida do que João Pessoa, por exemplo, e menos seca que Brasília. Volta e meia tenho uma crise pesada.

Daí as pessoas me veem assoando o nariz, fazendo mais barulho que um porco chafurdante, balanceando catarro do nariz para o fundo da língua, dali para o nariz até o papel higiênico e me perguntam: 'Essa gripe te pegou também, né?'.

Para não ter de explicar que nunca tive uma gripe, até porque é difícil de acreditar, respondo positivamente e o assunto se encerra.

Rolou isso comigo nesta segunda. Areia do mar no fundo da língua se transformou em umas placas pesadas e doloridas na garganta que minaram minha resistência. O corpo se desarmou, o desânimo tomou conta e a febre quase me apanhou de surpresa. Entrei no antibiótico por dez dias para combater essa alergia que se transformou em crise de garganta.

Há quem diga que são os sintomas de gripe. Suína, bovina, caprina, porcina ou sei lá o que.

Mas eu garanto: nunca tive uma gripe. Não seria desta vez...