Não tem quem não vá a Trindade, talvez a última praia no litoral sul do Rio de Janeiro, e não a compare com Pipa-RN. Muito menor, claro, muito mais verde (está rodeada por uma reserva ecológica de Mata Atlântica), muita queimação e muito ratatá. Menos grana circulando, muito menos gringos e gringas, sem novos ricos ostentadores em pousadinhas elegantemente bagunçadas....
Estive lá num feriado desses que rolou recentemente e fiquei decepcionado comigo mesmo. Não foi por causa do mergulho espetacular do meu celular dentro do mar, mas sim pela minha falta de imaginação.
Tudo bem que Pipa e Trindade são parecidas, mas me toquei que, para todos os lugares que vou, faço comparações com outros que já estive/conheço.
Trindade também parece com Itacaré.
É tudo assim. Um lugar se parece com o outro.
Sevilha é uma espécie de Florença dos espanhóis. Quando na verdade, elas não têm nadas a ver uma com a outra. Mas instituí esse parâmetro na mente e andei pela Itália pensando na Espanha...
No caminho para Trindade, por exemplo, passei por uma rodovia arborizada e me lembrei de uma estrada que percorri com minha família em 1999, na distante Luxemburgo. Por sinal, ao entrar na cidade, tive a impressão de estar chegando ao final da L2 Norte, ali perto do Parque Olhos D'Água.
O f*da de Luxemburgo é que nós passamos apenas 15 minutos lá. Foi o tempo de comprar uma camisa da Seleção de Portugal e pegar um hamburguer do McDonald's para viagem. Já foi o suficiente para minha irmã dizer por aí que conhece Luxemburgo de uma ponta aa outra.
Bom, mas comigo é tudo meio simplista mesmo.
Ah, por exemplo...escrevi, mais pra trás, que todas as cidades se pareciam com Campina Grande.
Talvez seja resquício do trabalho. Como repórter de esportes, volta e meia tô fazendo matéria comparando perfomances ou fazendo paralelos a fatos passados.
Sem querer transferir a responsabilidade, eu assumo que sou um dos caras menos criativos do mundo.
Quando li Cem Anos de Solidão, imaginava que Macondo era a República Independente de Livramento, terra do meu pai e de metade da minha família, no planalto da Borborema.
Eu não tenho a capacidade de assimilar que cada lugar é único. Pode ter um traço ou outro que eu já conheça, mas as características, as circunstâncias, o contexto são diferentes e muitas vezes me passam despercebido. Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.
Mesmo assim, eu fico preso neste eterno Déjà vu.
O artilheiro de sangue azul
3 horas atrás