quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nem se fosse um guarda-chuva

Perdi quase que uma manhã inteira procurando o livro de Kapuscinsky pela casa.

Como é irritante revirar a casa e não encontrar. Nessas horas eu só consigo pensar no dia em que o google sairá do computador e poderá ser aplicado na vida real.

Tão irritante quanto é interromper a leitura por desleixo.

Havia engrenado em A Guerra do Futebol, de Kapuscinsky. Tava lendo em todo lugar, no banheiro, no trabalho, no saculejar do ônibus, no elevador, na calçada da Pompéia...Tava indo bem.

Eis que o livro some.

Putz, eu estava com ele na mão há 12 horas, como posso ter perdido?, pensei.

Minha casa, como se sabe, não é lá exemplo de organização, ainda mais agora que minha irmã tá indo embora e não vai ter ninguém para lavar a louça.

Revirei montanhas de produtos de higiene no banheiro, desbravei pilhas de roupas sujas espalhadas pela área de serviço, lençois (com acento?) e ededrones esparramados pelo chão, trincheiras de roupas limpas que estavam havia dias na sala foram remexidas, virei ao avesso a casinha de Catôta e Remela...e nada do livro.

Desci pelo elevador para ver se não havia deixado cair no chão, refiz o caminho da noite anterior e concluí: ficou na porra do ônibus. Mas que merda!!!!

Me conformei com a situação e peguei um livreto de bolso do Milton Hatoum para matar o tempo no ônibus. De repente, não mais que de repente, me lembrei: no p-o-s-t-o de gasolina.

Sim, claro, no posto. Eu passei por lá na noite anterior para comprar pilha e devo ter esquecido o livro do Kapuscinsky em cima da bancada. Mas eu já estava a caminho do trabalho, tinha que torcer para que alguma alma bondosa guardasse o livro para mim.

Vinte quatro horas depois de esquecer o livro no posto, voltei lá para recuperá-lo. A Guerra do Futebol estava ali, do lado da caixa resgistradora, tranquilamente, à minha espera.

- Da licença, acho que esqueci um livro aqui ontem?
- Ah, sim, estava em cima das prateleiras das pilhas. Toma...

A sorte foi que eu perdi um livro. Historicamente, ninguém rouba livros, ou como se dizia antigamente em Brasília, ninguém lala (verbo transitivo direto, ato ou efeito de levar para casa alguma coisa esquecida em qualquer lugar) livros.

Fazer o que com um livro?

Me diz, fazer o que????

Nada!

Agora, se fosse qualquer coisa - nao duvidando da pobre da mulher do posto, mas dos clientes espertalhões - , dificilmente recuperaria o que perdi. Nem se fosse um guarda-chuva...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Livros para 2009

Encontrei perdido no arquivo deste blog a lista de livros que pretendia ler ao longo de 2008.

Estava disposto a me decepcionar comigo mesmo. Mas, para minha surpresa, até que consegui seguir o prometido. Tem uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais e para menos, ta certo?

Então, vamos lá...

Está lá no post sobre Jesus Kid a lista de 2008:

"- A luta, Norman Mailer;
- Crônica de uma morte anuncia, Gabrielzão;
- Corações sujos, Fernando Moraes;
- A guerra do futebol, Ryszard Kapuscinsky;
- A mulher do próximo, Gay Talese;
- Como o futebol explica o mundo, Franklin Foer;
- A sangue frio, Truman Capote."

Bueno, o livro de Froer eu não consegui terminar porque esqueci no hotel em Goiânia. A Luta terminei no Natal, como o previsto. A Mulher do Próximo é um dos melhores livros que já tive a oportunidade de terminar na vida inteira. Ficaram faltando Capote, Gabrielzão e Fernando Moraes. Aliás, acho que esse já tá fora da minha lista de 2009. O Livro de Kapuscinsky eu tô terminando de ler. É uma verdadeira aula de antropologia, podemos colocar assim...

Ah, na época eu tava comçando a ler On the Road. Também matei o "Princípe Maldito", sobre Dom Pedro III. Ou seja, eu acertei errando. Previ que leria tudo isso e mais alguma coisa. Li...aa minha maneira (devagar e sempre). Mas li!

Acabo de voltar a livraria com a Insustentável Leveza do Ser, de Kundera. Tive uma paixão à primeira vista por esse livro em setembro. Só agora comprei. Assim que acabar a "Guerra do futebol" eu vou nele. Daqui um ano quero ver se vou ter lido os seguintes:

- Apanhador no campo de centeio;
- A sangue frio;
- Crônica de uma morte anunciada;
- O Mago;
- Dois irmãos;

Que mais???
Putz, vi um monte de livro legal na livraria agora e prometi que os compraria. Tá, tudo bem...esqueci.

É até melhor acabar a lista por aí para não ficar dando justificativa lá na frente...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Por mim...

Fiquei sem saber o que dizer quando o taxista de Lima me perguntou, no último dia da viagem, se o governo Lula era bom ou ruim?

Uma pergunta fácil dessas e eu lá pensando em portunhol na resposta, para soltar, logo em seguida:

- Depende!

É, depende. Se você ler muito jornal, vai achar o governo Lula uma merda. Se só vir tevê, então tá ótimo.

Nas bancas de revistas de La Paz, todas as revistas semanais e os jornais eram detonando Evo Morales. Eu conversei com uns bolivianos e eles defendiam veeementemente Evão. Em Roma conheci um indiano que estava voltando de Dallas, onde estudava, para a sua cidade, Chennai, porque o presidente colocou a Índia nos eixos e tinha emprego sobrando lá para ele.

(De volta à história do lide)
Isso é resposta que se dê para um taxista? Ele queria saber 'sim' ou 'nao'.

Bueno, depois fiquei pensando no que seria um governo bom ou ruim para mim. Pensando individualmente, de forma intransferível, egoísta mesmo...

É o governo que me faz ganhar dinheiro, que não me deixa inseguro caminhando às 3h30 da manhã, em São Paulo? Ou é o governo que tira crianças da rua, que organiza as finanças, que mantém hospitais e escolas em pleno funcionamento?

Sei lá...As duas coisas. Até porque elas estão diretamente relacionadas. Bom, então, pensando assim, o governo Lula não está bom. Nem nenhum outro esteve. Nunca nenhum esteve.

Só lá na PAraíba que o governador ou prefeito ou sei lá quem constrói uma pista com dinheiro federal e ganha eleição porque "fez muito pela Paraíba". Toda vez que vou a João Pessoa ou Campina Grande me perco em uma rua recém-asfaltada pelo prefeito. "Pense num caba trabalhador".

Mas para mim, é tudo tão distante da gente, né?

No final das contas vai pela empatia.

Igual ao Obama.

Muito legal que um negão seja presidente dos EUA, que um reacionário fdp tenha saído fora da presidência e tudo mais...mas, trocando em miúdos, beeeeeemmmm miudinho mesmo:

Change has come to America?

Pode ser. Mas para alguns.

Para mim, tanto faz.

Ou não!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

América do Sul fantástica

Apesar das constantes insinuações (inclusive dentro de casa) de que este blog tinha acabado, eis que ele surge após quase um mês de desatualização.

O período inativo foi amplamente planejado. Depois do natal, o blog entrou de férias e volta agora com alguns histórias curiosas. Como a da minha viagem de fim de ano para o Peru/Bolívia.

Sou contra roteiros de viagens megalomaníacos, como meu amigo White Martins costuma dizer: "Europa Fantástica: 20 países em 18 dias". Isso é a maior roubada que se pode existir numa viagem.

Sou adepto do slow trip, expressao que acabei de criar. Vamos ao Peru? Vamos. Entao, quatro dias em Lima, mais quatro em Cusco, mais três em Nazca. Ainda assim eu acho pouco tempo.

Minha idéia é: ir para um local para tentar absorver ao máximo o estilo de vida de cada lugar. Fazer as atrações turísticas obrigatórias sem pressa, exatamente o contrário do que "Europa Fantástica" propõe. Aliás, esse tipo de viagem (Europa Fantástica) é para quem quer dizer que já foi aa Europa. Só para ter o que contar.

Bueno, como desta vez não estava viajando só, tive que dar uma acelerada no cronograma da viagem a pedido de Ana Paula. Os dois meses que antecederam aa viagem foi de muita discussão do roteiro. Ela queria começar em Lima, ir a Nazca, subir a Cusco-Machu Picchu, seguir para o Titicaca, baixar para La Paz e emendar no tal do salar de Uyuni. Um roteiro que seria super legal se a gente tivesse 30 dias de viagem.

Mas só tínhamos 14.

Detalhe, tudo isso aí, uns 1,5 mil quilômetros zigue-zagueando pelos Andes, seria feito de baú.

Relutei até o último instante e consegui excluir o salar, que já é quase perto do Chile.

Entao fizemos quase tudo aquilo, numa mini "América do Sul Fantástica". Conhecemos sete cidades/locais em 14 dias. Seria uma média de uma cidade a cada 48 horas.

Apesar da correria e do estresse das intermináveis viagens de onibus, a viagem foi beeem legal. Não poderia imaginar que em 14 dias eu pudesse ver praia, selva, montanha, neve, deserto, metrópoles, ruínas históricas, lago em uma distância tão curta (não fossem as cordilheiras, as viagens de 300km não durariam 8h).

Bueno, é isto. Mais detalhes da viagem, no humildemente.