segunda-feira, 30 de março de 2009

República Independente de Livramento (de Almeida Brito)

Um magrinho, branquelinho, bigode e olhos claros, de jeito tímido mas de fala acelerada ganhou de herança uma porção generosa de caatinga no sertão da Paraíba e resolveu criar um sítio.

O nome do novo dono daquelas terras era Avelino Patrício de Araújo. Esse senhorzinho aí da foto ao lado é ninguém menos que meu tataravô.

Para quem, assim como eu, se perde nesses graus de parentescos, ele foi avô da minha avó. Longe, né?

Pois é, ele viveu até o começo do século passado no sítio herdado do pai. O local recebeu o nome de Carneiro.

Mais longe que o grau de parentesco - fiquei sabendo neste final de semana que passou que eu tive um tataravô - é o lugar onde minha família surgiu.

Carneiro é no meio do nada, entre umas serras pequenas, numa faixa de terra que muita gente chama de sertão, mas que é capaz de fazer florescer, em tempos de chuva, belas árvores frutíferas como siriguela, goiaba, jaca, banana, melancia, acerola, laranja, pinha...

Pena que chove pouco.

O velho Avelino fundou, portanto, em 1826 o sítio Carneiro. Em linha reta, da capital da Paraíba, João Pessoa, devemos chegar a uns 300
quilômetros de distância da porteira do Carneiro até a Ponta do Seixas, autodenominado 'o ponto mais oriental das Américas'.

Bueno, mas distância é muito maior, porque não existe linha reta no sertão. Até hoje não chegou calçamento de pedra no Carneiro. O que faz qualquer viagem demorar mais de quatro horas de saculejo dentro do carro.

O velhinho teve um filho chamado Agostinho Patrício, que era inventor. Inventava tanto que teve 16 filhos e colocou em 15, nomes iniciados com Aga: Aganilce, Agapio, Agamenom, Agassis, Agaba, Agarlete, Agadir, Aga...Bom, num desses h estava minha avô materna, Agarina.

Esta é uma parte da história da família Brito na Paraíba.

Agarina morou aí no Carneiro até os 14 ou 16 anos, quando se mudou para Recife com meu avô, Antônio. Foi na capital pernambucana que minha mãe nasceu. O histórico familiar de Antônio é quase idêntica ao de sua esposa, Agarina, só muda o sobrenome (Almeida). As terras da família dele taambém eram por aí.

Perto de Carneiro, tipo uns 30 quilômetros em linha reta, existia um outro sítio chamado Cipó, na cidade de São José dos Cordeiros. Dali saiu a esposa de Seu Agostinho, D. Ana. Aí entra a segunda parte da família Brito.

Agora começa a confusão: D. Ana é irmã de D. Evani, mãe do meu pai. Que é Brito.

Minha mãe, por sua vez, é Brito, mas é principalmente Almeida. Meu pai, portanto, não é Almeida. Só Brito.

Ou seja, a avó da minha mãe é tia de primeiro grau do meu pai. A minha avó por parte de pai é sogra e tia da minha mãe. E minha avó materna era prima e sogra do meu pai. Portanto, avó e prima de terceiro grau de minha pessoa. Mas eu me acostumei a chamá-la de vovó. Enquanto pude...

Tem mais coisa em comum. Tá vendo essa cidadezinha aí, abaixo?

Essa cidade é Livramento. Ela recebeu este nome, entre outras muitas lendas, por causa do rio que passa no Carneiro e tem o nome de Livramento. Não é mais um rio. É um monte de galho seco e areia e terra rachada por causa da seca.

A cidade foi fundada há quase um século por um senhor cujo sobrenome era Brito (aí já é um terceiro departamento da família). Livramento só virou cidade uns 40 anos atrás, até então era uma vila do município de Taperoá, terra de Ariano Suassuna. Carneiro pertence ao município de Livramento.

Apesar de, ainda pequenos, minha mãe morar em Recife, meu pai, em João Pessoa, eles se conheceram, 35 anos atrás em...Livramento. Foi em Livramento que meu pai nasceu, há mais de cinco décadas. Foi exatamente nesta casinha aí, ao lado, onde hoje funciona algum órgão da prefeitura ligado ao governo federal. Nada mais justo para a história deste post que o local tenha escrito na fachada 'Casa da Família'.

Com menos de 10 mil habitantes, ainda hoje é difícil chegar a Livramento. É preciso enfrentar dez quilômetros de estrada de terra, depois de 200 e cassetada de BR-230 e PB-216, para conhecer esse lugar cheio de história (pelo menos para mim).

Celular não pega; só a Globo e a Record podem ser sintonizadas nas tevês sem parabólica; não há faculdades, livrarias, teatro, cinema ou museu; as ruas tem os nomes dos meus parentes; o estádio de futebol não tem grama, mas foi batizado com o nome de Almeidinha; existem 58 bares na cidade e o povo não tem o hábito de beber cerveja, só cachaça, e por aí vai...

Não faltam motivos para os bisnetos e tataranetos de Seu Avelino se afastarem ainda mais de Livramento e deixá-la ali, naquele cantinho do agreste da Paraíba.

Mas depois de um golpe do destino, a quarta geração de Seu Avelino volta a prestar atenção em Livramento.

Meu avô Antonio foi eleito vice-prefeito de Livramento. A chapa favorita foi desfeita pelo TRE e, faltando duas semanas para a votação, os correligionários colocaram meu avô na condição de vice no lugar dessa tal chapa impedida pela Justiça.

Sem ter feito campanha, nem gasto um tostão furado, a chapa dele foi a mais votada e ele está lá hoje.

No lugar com maior concentração de almeida e brito por metro quadrado chega até a ser justo chamar o município (e aí a gente inclui o Carneiro, de Seu Avelino) como a República Independente de Livramento (de Almeida Brito).

segunda-feira, 23 de março de 2009

A piada do dia

"Olhe, macho-véi, você pare de olhar para minha cara porque eu não gosto de viado me encarando, ouviu???"

Foi a última coisa que eu ouvi antes de deixar a Praia do Futuro, em Fortaleza, no sábado.

Estava com meus pais e minha irmã num bate-papo descontraído, com os pés na areia, cheio de protetor solar, tomando algumas geladas, até que o cara, que estava na barraca ao lado me surpreendeu com esta declaração, no meio do nada, enquanto dava tapinhas de provocação no meu ombro.

No auge de minha inocência e incapacidade de acreditar na maldade das pessoas, sorri, imaginando que seria mais uma piada de cearense (terra da 'piada do dia'), até que meu pai me alertou que era sério mesmo...

Hesitei por um segundo em acreditar, mas, de fato, ninguém fala isso para outra pessoa e passa incólume.

Eu, como nunca briguei na vida (briga aos 12 anos de idade não conta, neste caso, né?), fiquei logo com a cara vermelha, no mesmo momento entrou um maribondo (primeira vez que escrevo esta palavra na vida!) na caipirinha do meu pai, minha mãe ficou encarando a gordinha de biquini verde que estava junto com o maluco brigão. Minha irmã procurou o graçom para pedir a conta. 

O brigão, por sua vez, foi ao mar, deu um mergulho e voltou inchado como um cururu-teitei. De estatura mediana, ele tinha a cara de bola, aparentava 30 e poucos anos, os dentes podres e ligeiramente separados, pele avermelhada de praia, parrudo, bonezinho do Asa de Águia ou qualquer outra merda desse tipo, sunga...tchan tchan tchan tchan...camuflada em cinza e branco, como motivos militares.

Ele ficou remexendo a cadeira dele, na areia, em frente a mim, e falando ao celular, se segurando para não vir me dar um murro na minha boca.

Pagamos a conta e fomos embora. 

Sei lá se o cara tava armado, tava querendo briga mesmo. Suspeito que ele imaginou que eu estivesse azarando ele porque a mesa dele ficava na direção do bar e o serviço era de péssima qualidade, lento e confuso. Portanto, eu me virava para direção do bar, e consequente e inocentemente, para ele, procurando o garçom. Mas o maluco de tanga do exército encarou aquilo como um cantada de um viado com cara rosada. 

Não ia voltar de Fortaleza com um corte no supercílio, não é verdade?

Agora, meu amigo, me diz por qual motivo eu iria olhara para esse maluco se eu tinha, BEM do meu lado, esta vista...
 

segunda-feira, 16 de março de 2009

A pergunta preferida dos campinenses

Já casô?

Não, nao casei. Não faço planos. Namoro há décadas, mas não casei. Não vou entrar na igreja para casar. Não combina comigo. Acho perda de tempo...

Mas vai dizer isso lá em Campina Grande.

Duvido você encontrar mulheres solteiras por opção aos 27, 29 anos.

Não existe.

(Se você se encaixar neste perfil, por favor, que se pronuncie, só para desmoralizar minha tese)

Ainda estou em dúvida se é excesso de amor ou carência generalizada. Namorou? Tem que casar. Existe até uma expressão local para macular a imagem das solteiras por opção: caritó.

Caritó é aquela pessoa, que como eu, tá chegando nos 30 e não se casou. Não sei bem se pode ser usada para homens e mulheres, mas é uma agressão moral chamar outra mulher de caritó. para homens, não sei. Conheço uma meia dúzia de três ou quatro malucos que estão soltos na putaria e fazem questão de ser solteiros mesmo. Mas nunca os chamei de caritó.

Talvez esse não seja um mal de Campina Grande, mas do Nordeste. Como posso falar da Rainha do Borborema com propriedade, então volto minhas baterias contra o conservadorismo campinense. (Aliás, tudo isso aqui serve também para João Pessoa!)

A meta da vida está bem definida por lá: nascer-crescer-se reproduzir-morrer. Nascer e crescer passa fácil.

Para se reproduzir, não é legal, justo, honesto ou whatever fazer uma produção independente. Quer se reproduzir? Que siga os ensinamentos da bíblia: só depois do casamento.

Se engravidou antes de casar? Case imediatamente, para não cometerem o disparate de estar juntos estando solteiros.

Depois que nascer o filhote, com os pais devidamente casados, já pode completar o círculo da vida: morrer.

Eu ainda quero ver o índice de divórcios na cidade. Porque a quantidade de casamentos precipitados por conta da idade "não está no gibi". Só com esta estatística em mãos vou poder concluir esta minha tese com 100% de certeza.

Agora, deixe-me parar por aqui porque um dia eu posso voltar a morar na Grande Campina e o povo vai querer me matar. Eles não aceitam críticas...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Como se falsifica cerveja

É só perguntar aos barraqueiros da praia de Boa Viagem. Como se falsifica cerveja.

Eles se aproveitavam do parco número de entendedores de cerveja no mundo e faziam um esquema muito maluco. Era o seguinte: traziam um balde de gelo recheado de garrafas sem rótulo. Ao preço de R$ 3,50, eles garantiam que era Skoll, que é a cerveja que qualquer pessoa bebe...até onde eu sei.

Como eles garantiam que era Skoll? Pela tampinha. A tampinha era Skoll, os barraqueiros abriam as cervejas na frente do cliente para comprovar que não reutilizavam a tampa da Skoll em uma garrafa de cerveja Frevo, por exemplo. Uma marca local muito consumido pela classe "menos favorecida".

Essa história sempre me deixou intrigado. Se morasse e trabalhasse em Recife, faria uma reportagem sobre isso. O único lugar no planeta onde se vende Skoll sem rótulo é em Boa Viagem? Por que será? Todos os barraqueiros diziam que era por causa do gelo que derrete e desgruda o rótulo...

Tava na cara que era falsificada. Muita gente nem presta atenção nisso, porque tá na praia, calor miserável na molêra, doido para tomar uma geladinha por um preço bom...desce a que tem aí, meu amigo.

Vai Frevo com tampa de Skoll. A ressaca também é devastadora.

Ontem, fui mais uma vez averiguar o caso da falsificação de cervejas.

Para minha surpresa, olha o que encontrei nas barracas de Boa Viagem:
Pois é, o novo prefeito ordenou a extinção das cervejas em garrafa nas barracas da praia. Agora, só latão. A cerveja Frevo com tampa de Skoll de 600ml que custava R$ 3,50 deu lugar ao latão de 473ml da Skoll por R$ 3.

Quero ver falsificar essa lata agora...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Perfil 'Stade de France' de turismo

Quando for a Paris, vou querer assistir a um jogo no Stade de France. Pego metrô na porta do albergue, desço algumas estações adiante e caminho tranquilamente até a bilheteria. PAgo tipo uns 80 euros por um ingresso num lugar razoável, fico num assento numerado, sem confusão nem desentendimentos.

Vibro com as jogadas bonitas, aplaudo o fair play, como um pão com mortadela e mostarda dijon no intervalo, bebo uma orangina. Acaba a partida, eu saio sem empurra-empurra, traço um cachorro-quente na barraquinha no lado de fora do estádio, compro um cachecol bonito com motivos franceses, volto para o metrô e chego no albergue 15 minutos mais tarde.

Quando eu for aa Costa Rica, vou tentar encontrar o estádio de uma cidade chamada Alajuela, próximo a San José. Vou ver se vai ter ingresso nos cambistas para assistir ao jogo da equipe local, a Alajuelense, contra o Deportivo Saprissa, o mais famoso do país.

Vou pagar caro pelo ingresso porque eu sou turista e tenho o rosto rosado. Escondo a máquina fotográfica para não ser assaltado, como um espetinho de músculo de gato para estancar a fome, tomo meia dúzia de coronas devidamente mornas para entrar no ritmo dos nativos, brigo com o gordão da frente, que tampa minha visão do gramado, torço por gols só pela festa e para ter o que contar depois, tento sair do estádio antes do fim, para não me perder pela região à noite, me perco mesmo assim (por que não tem placas de sinalização na Costa Rica?), chego no hotel duas horas depois do fim do jogo...

O futebol é uma metáfora da vida. Acho que foi Nick Hornby que disse isso uma vez. Outras pessoas reforçaram o coro.

A mesma comparação de um dia de torcedor na França e na Costa Rica pode ser feita quando falamos de turismo.

Há bem pouco tempo, era adepto desse turismo confortável, da Europa, Estados Unidos, Canadá. Tudo certo, alinhado, no horário, limpo. Só via beleza nisso.

Sob a influência de quem já viajou muito, como White Martins, e de quem vê beleza no caos, como Ana Paula, passei a considerar muito mais atraentes destinos como Madagascar, Bolívia, Índia... Aliás, os gringos vem ao Brasil com esse mesmo pensamento, de viver o mal feito. Que às vezes é muito mais interessante do que o politicamente correto.

Baseado nisso, fechei ontem meu pacote para conhecer a Costa Rica. Eu e White Martins embarcaremos para San José no dia 4 de abril e rodaremos pelo país (que tem 800 km de praias, 600 só no Oceano Pacífico) até 12 de abril.

Ir à América Central era como ir ao Japão. Eu achava que devia ser legal, mas não fazia ideia de como chegar lá. A diferença é que o Japão se encaixa no perfil Stade de France de turismo.

A Costa Rica é um lugar muito maluco, com vulcões em atividade, florestas tropicais bem preservadas, cataratas, praias paradisíacas tanto no Caribe quanto no Pacífico, ilhas dignas de serem uma das sete maravilhas naturais do planeta...além de Paulo César Wanchope, o craque da Seleção costarricense, que joga no Deportivo Saprissa.

Sim, faz parte do roteiro assistir a um jogo do campeonato local. Domingo, Alajuelense contra Saprissa, lá em Alajuela.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ressaca torpedo

Se eu fosse um estudioso do comportamento humano, faria minha pesquisa baseada nas reações do bêbado ao lado do celular.

Eu defendo uma blitz nos bares para que bêbados não andem com celular. Sobre isso, Timbú, um bêbado profissional, já escreveu muito bem em seu humilde blog.

O celular dá a sensação de que todas as pessoas estão próximas e disponíveis para te ouvir quando você está justamente bêbado.

Não me esqueço nunca quando disse para Da Silva para não me ligar bêbado. Isso foi lá por 2002, sei lá, 2001...Ele ficou abismado: "Porra, bicho, eu ligo para você pensando que você tá curtindo a ligação". Até então, a moda de incomodar com o celular não era tão famosa.

A gente se comunica, atualmente, via mensagem. É menos pior...

Só não pode errar o endereço.

Olha só a confusão que eu armei por causa de mensagem de madrugada.

Bueno, voltava tranquilamente do Souza, caminhando com uma garrafa de água com gás em uma das mãos (para amenizar a ressaca), numa madrugada de sexta para sábado. Estava de folga no final de semana e fui lá no Souza encerrar a jornada de trabalho.

No caminho, me lembrei que viajaria para Recife no meio da semana seguinte (ou seja, nesta semana) e certamente tomaria uma gelada na praia com meu primo.

No impulso, puxei o celular do bolso e escrevi uma mensagem bêbada:

"porra, rodrigão, vc é meu parceiro, seu filhodeumaputa, tô bebado aqui, voltando para casa, mas semana que vem tomamos uma gelada juntos, hein?"

Se estivesse bebado de verdade não conseguiria escrever essa mensagem completamente sem erros de digitação. MAs a verdade é que eu estava bêbado. Na hora de mandar a mensagem enviei para ninguém menos que Roberto Naves.

Um cara que trabalhou comigo em Brasília, dono de um humor ácido, e com quem não tem a menor intimidade para mandar mensagens de celular de madrugada.

Na mesma hora vi a cagada e insisti. Aí sim consegui mandar para meu primo, Rodrigo. Que não me respondeu. Imaginava que ele estivesse na bebedeira do lado de lá do trópico de capricórnio, mas pelo visto não estava.

No dia seguinte, vem uma mensagem do Naves:

"????????????"

Difícil explicar.

Imagino o tanto que esse cara não deve ter me sacaneado...

Anyway, minutos mais tarde me liga meu pai:

- Tá rolando uma história por aqui em Recife que você mandou uma mensagem de madrugada para seu primo dizendo 'eu te amo'...

Ou seja, o simples torpedo saiu pela culatra.

Meu primo comentou com a mãe dele que eu mandei uma mensagem de madrugada, ela colocou uma lente de aumento e interpretou como um "eu te amo, meu primo querido" e espalhou a história dessa maneira pela família.

Aprendi a lição.

Agora só ligo para Timbú que é o único cara que não tem erro de ligar bêbado, porque ele já vai estar muito mais alto do que eu...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Save me from this life

Quando me disseram que eu poderia tirar férias a partir de onze de março eu assinei embaixo: entro de férias em onze de março!

Juntando folga para lá e folga para cá, consegui antecipar o gozo das vacaciones para cinco de março. O retorno está previsto para 15 de abril. O longínquo e obscuro dia 15 de abril. Poderia ser dia primeiro de abril, porque se eu chegasse no dia 2 ninguém reclamaria.

Anyway, tenho por costume marcar férias para novembro. Aliás, deixei bem claro isso aqui em novembro de 2007, quando entrei de férias pela última vez na empresa em que trabalhava em Brasília.

Mas neste ano não dava para esperar.

Putz, de 29 de fevereiro de 2008 até março de 2009, o tanto de água que correu por esse caminho não é brincadeira. Capaz de deixar a Pompéia alagada até a altura do Souza.

Era preciso deixá-la escorrer rapidamente, daí a pressa para entrar de férias. Aliás, elas não poderiam vir em hora melhor, já que o quartim que eu comprei em Brasília foi vendido e entrou uma laminha na minha conta para que a festa seja completa.

É legal ficar uns dias sem fazer nada em São Paulo. Claro que minhas primeiras horas de férias foram no Souza, tomando aquela geladinha e dando mais uma cochilada sobre a mochila. O primeiro dia de férias foi de ressaca e filme. Não gostei de Benjamim Button. Repetitivo e meloso demais. Tô meio cabrerão com filmes narrados.

Comprei um jogo de corrida para o meu Wii e comprei o volante para dar mais emoSSão. Acordei hoje, já fui à feira na Bartira, comprei camarões, uvas e goiabas. Vou dar um gás na leitura de Milan Kundera e ver a cidade se acabar no calor e no trânisto lá embaixo, enquanto gozo das férias.

Quarta embarco para Recife, volto dia 2 para São Paulo. Está tudo certo para ir dia 4 para San José, com meu amigo White Martins, o viajante solitário que permitiu minha companhia nesta empreitada.

Só falta pagar.

E daí tem o dia 15 de abril, quando o drama recomeça. O pior das férias é voltar dela.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Que buro! dá zero para ele

No meio do supermercado, o cara vem lá de longe com os olhos esbugalhados em minha direção.

Eu carregava, desajeitadamente, uma caixa com seis cervejas Terezópolis. Uma cerveja relativamente nova, com uma garrafa diferente, parecendo um bujãozinho de gás hélio. COmo o nome diz, é uma cerveja do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que é leve e adocicada, é consistente e bem saborosa.

Até então só havia tomado uma vez, na Augusta, quase um ano atrás.

- Puta merda, bicho!, o cara falou olhando para mim e apontado para a caixa de cerveja.

Eu fingi que não era comigo.

- Puta merda! Cara, eu amo essa cerveja! Eu amo essa cerveja.
- Hein? Essa aqui? Terezópolis?
- É! Coisa de botequeiro...Me diz, onde você encontrou essa caixinha?
- Ah...essa caixinha? Ãn, ali, em cima do freezer da Stella Artois.
- Quanto que você vai pagar nela?
- Bom...uma cerveja é quatro. Aqui vem seis....dezesseis reais.
- Hein?
- Ops, vinte contos...
- Quatro vezes seis é quanto?
- Vinte?
-Não era 24?
- Ah...é, foi mal, disse já me despedindo envergonhado.

(Isso é para eu aprender a olhar para os meus próprios erros antes de apontar os supostos erros dos outros erroneamente...)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Veríssimo errou

Luís Fernando Veríssimo errou. Quem sou eu para fazer tal acusação, mas ele errou. Quer dizer, tecnicamente sim, praticamente, não.

Ele escreveu que adora outono. Segundo ele, é o melhor lugar do mundo é onde é outuno. "É epoca em que os raios solares não refletem, só são absorvidos".

É uma maneira Virissimiana de dizer que não gosta de calor do verão, pelo qual estamos passando agora. Esse texto eu li no Estadão de domingo não tem jeito de ser furada como aquelas correntes que mandam pela internet assinadas por ele sobre caganeira no aeroporto, mulher bonita contra mulher feia...aquelas bizarrices.

Bom, se já estamos em março, então já é outuno. Mas continua fazendo calor, o que justificaria seu texto de ontem. Mas aí é que está o erro dele, porque ele passou o texto falando sobre verão e o calor insuportável desta semana.

Quando disse, lá no primeiro parágrafo que "praticamente" ele acertou, me referi exatamente ao calor.

Ontem os termômetros quase bateram na casa dos 34 graus. É sacanagem aguentar 34 graus na selva de pedra, não é não?

A sensação que eu tenho é de um peito de frango numa chapa quente. E depois que o sol passa, é como se fosse um camarão ao bafo. Domir com o termômetro marcando 21 graus é desesperador.

Curioso é que eu já aguentei muito mais calor que isso quando morava na pequenina e heróica Paraíba. Não que fosse fácil conviver com aquele clima de microondas, mas acho que por saber que tinha um mar ali do lado, era aceitável e até esperado.

Aliás, foi mais ou menos o que Veríssimo registrou em sua coluna. A última vez que enfrentou o calor com bom humor foi há 50 anos na praia de Torres.

O pior de tudo é que quando o bafo quente toma conta de São Paulo por tanto tempo assim ele só é encerrado por "frente fria que avança do sul e traz áreas de nebulosidade". Ou seja, mais enchentes na Pompéia...