segunda-feira, 8 de junho de 2009

A ideia do eterno retorno

Suponhamos que existisse no universo um planeta onde viríamos ao mundo uma segunda vez. Ao mesmo tempo, nós nos lembraríamos perfeitamente da vida passada na Terra e toda experiência adquirida aqui. E talvez existisse um outro planeta onde se nasceria uma terceira vez com a experiência de duas vidas já vividas. E talvez ainda outros planetas onde a espécie humana renasceria, subindo cada vez um degrau (uma vida) na escala do amadurecimento.

Nós, aqui na Terra (no planeta 1, no planeta da inexperiência), podemos ter evidentemente apenas uma ideia muito vaga do que aconteceria com o homem nos outros planetas. Teria mais sabedoria? A maturidade estaria a seu alcance? Poderia atingi-la por meio de repetição?

É só na perspectiva dessa utopia que as noções de pessimismo e otimismo fazem sentido: o otimista é aquele que acredita que a história humana será menos sangrenta no planeta de número 5. O pessimista é aquele que não acredita em nada disso.
Milan Kundera