quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Eu sou uma farsa

Queria muito escrever sobre Cuba e Fidel Castro. Fazer analogias entre a ditadura e o embargo na Ilha e as ditaduras dissimuladas, como no Brasil, Estados Unidos... Mas percebi que minha idéia poderia ser desconstruída em duas frases.

No fundo, no fundo, eu morro afogado.

É o mal dos jornalistas. Saber de vários assuntos e não saber de muita coisa sobre eles ao mesmo tempo. A gente pode engatar qualquer conversa...desde a exportação de commodities ao Oriente Médio até o esquema de jogo da Juventus de Turim na campanha do título da Sèrie B da Liga Calcio 2006-2007. Daí passa por cartão corporativo, São João de Campina Grande, renúncia de Fidel, violência no Entorno e a conversa vai embora.

O grande lance é somar conhecimento. Uma pitadinha de cada para não ficar sem ter o que falar. Eu sou assim.

Pronto, vamos a um exemplo:

O texto abaixo. Tava escrevendo sobre a oposição no Brasil, tropeçando nas idéias, patinando nas opiniões, daí me veio à memória uma crônica de Mário Prata sobre o computador dele. Resolvi fazer igual. Ao mesmo tempo, lembrei-me de Jesus Kid, o livro que li recentemente gentilmente emprestado pelo meu amigo Timbu. Tem vários momentos de esquizofrenia como o post abaixo.

De grão em grão.

Cada vez que interrompo um comentário com um ponto final lembro-me de Luís Fernando Veríssimo. Mestre em destacar uma ironia com um ponto final. Sempre.

Dia desses escrevi um texto relatando um pesadelo escolar. Ele só veio à superfície porque não me sai da cabeça o prelúdio do livro Chatô, em que Fernando Moraes relata um sonho de Assis Chateaubriand durante o coma, após o AVC.

A propósito, nem me pergunte mais sobre Chatô, Fernando Moraes, Mário Prata, Luís Fernando Veríssimo e Fidel. Isso é tudo que sei sobre eles. Acho que minha formação acadêmica tem uma parcela de culpa nisso tudo aí.

Nem no colégio, muito menos na faculdade fui instigado a entrar em debates, ouvir e/ou apresentar opiniões pertinentes. Sempre tive que concordar com tudo e ponto final. Por isso o conhecimento rasteiro em diversos assuntos.

Resumindo. Só sei que nada sei!

É melhor parar por aqui porque também não entendo nada de filosofia, muito menos da democracia corintiana! Crédito: White Martins/Divulgação

5 comentários:

Felipe disse...

BWahahahahahaha!!! O mais legal é ir lendo e se deparar com a foto feita no clássico candango do último fim de semana!!!

Cara, te entendo: não me acho uma farsa sobre Cuba, mas sou uma farsa em termos cinematográficos. Pelo menos no que diz respeito a ter sensibilidade para adorar filmes do Almodovar e etc e ter de detestar (eu adoro) as obras hollywoodianas. Não tenho QI nenhum também para discussões filosóficas sobre Nietsche (assim que escreve?) e coisas do tipo. Sem hipocrisia. Considero-me razoavelemnte informado sobre diversas coisas. Mas pouco super-informado sobre muitas coisas. Enfim, um jornalista. Que sempre tem seu lado farsante.

Abs

Sem mais,

Anônimo disse...

Saber de vários assuntos e não saber de muita coisa sobre eles ao mesmo tempo...tbém é o mal dos advogados, eheheh.
Somos todos farsantes.

Unknown disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkk
Concordo Cris. Tudo é uma farsa. E jornalista, já dizia um antigo professor: " É mestre em generalidades".

abraços

Leandro Galvão disse...

Tudo é muito fácil. O grande Mução nos ensinou um artifício deveras simplório para concluir qualquer pensamento, seja sobre as commodities no Oriente Médio ou a política de condução dos dirigentes do Deportivo Cuenca. Basta apenas iniciar uma frase e encerrá-la com um "né?". Ninguém fala nada. Experimentem.

Sem mais para o momento...

Paulinho Mesquita disse...

né??