O que estiver ao alcance dos taxistas para levar pelo menos dois ou três reais a mais do passageiro, ele tá disposto a levar para o bolso. Taxista é aquele cara, né, que é a favor do porte de arma, faz discurso em prol da implementação da cadeira elétrica e do muro de fuzilamento nas penitenciárias brasileiras, vota no Roriz e no Arruda ao mesmo tempo e não conta voto nulo, tem opiniões radicais para todos os assuntos do planeta.
Tenho convivido com essa galera nos últimos dois ou três meses em Brasília e nunca tive tantos momentos tão desagradáveis dentro de um carro como quando estou no pagando para ser deixado em algum lugar por essa galera.
Todo papo de taxista começa sobre o clima.
- Que calor, hein?, eles começam, inocentemente, para depois entrar em campos mais espinhosos.
Na verdade, é tática para te fazer desviar a atenção do caminho e eles pegarem uma tesourinha errada, cujo retorno só vai dar para fazer depois que todo aquele trânsito debaixo da tesourinha for vencido, daqui 19 minutos. No final, o taximetro vai estar quatro ou seis reais mais alto que o de costume.
Aconteceu comigo, quando voltando de um happy hour (no domingo...), adormeci no carro e a corrida não deu os tradicionais 12 reais, mas 19, ou foram 21 reais. Tentei argumentar, mas os taxistas jamais vào inventar uma marcha ré que reduza o preço do apurado.
Da outra vez eu perdi um celular (mais um) dentro do táxi, liguei para a central e para o próprio cara que me garantiu que não havia celular algum lá dentro. Fiz a reconstituição dos fatos antes de entrar no carro e constatei que perdi o celular dentro do táxi mesmo. Mas o cara, que vive às custas dos erros dos outros, jamais entregaria um celular, por mais vagabound que fosse. Como era o meu...
Curioso porque às vezes você pensa que pegou um cara gente boa, que conversa sobre futebol de igual para igual e reclama de motoristas que costuram no trânsito, daí ao final da corrida o cara te dá uma dica de caminho mais curto para chegar em casa. Quando você vai pegar o outro táxi, num outro dia, com um motorista que é evangélico e anda com três bíblias grossas espalhadas pelo carro (uma, inclusive, no seu colo) e adesivos com motivos religiosos e som ligado numa oração para os endividados, você pede para o camarada fazer o tal atalho e no final das contas dá mais caro do que no caminho normal.
Quer dizer, taxista tem dessas manhas.
Nenhum lugar supera o Rio de Janeiro. Como não tenho amigos no RJ, vou menos que gostaria à cidade (também) por causa dos taxistas. Como as corridas lá são incrivelmente baratas (de Copa ao Maraca não pague mais que 24 reais, mesmo no domingo), eles arrumam um jeito de te embananar e ganhar seus míseros três reais a mais pelo caminho dois km mais distante.
Bom mesmo foi meu pai, que esteve no RJ um tempo desse aí e pediu para o cara levá-lo do lugar X ao Y. Foi quando o taxista, percebendo o sotaque paraibano do meu pai, emendou:
- Aí, parceiro, vamos pela Av. Lins de Vasconcelos ou pela Conselheiro Lafaiette?
Foi a deixa para meu pai avisar:
- Meu amigo, você vá pelo caminho que você achar melhor, eu só sei que eu to me c*gando aqui!
Rapidinho o cara encontrou o rumo certo.
7 comentários:
Assino embaixo de todo o post, inclusive da parte que se refere ao Rio, onde pegar um táxi é um ato de destemor (se não às ameaças, certamente aos avanços no seu bolso). Só pego táxi em casos extremos, mesmo quando a alternativa é um transporte público de m*, o que não é muito difícil de encontrar nas grandes cidades do Brasil.
AuhauAhaUhauaHuaHuahAUhauahuAHuA
Marcondes brito é uma figura!
Cara, eu outro dia me meti a falar sobre o VLT com o taxista quando tava indo para o aeroporto... Para quê? O cara ficou dizendo que não vai dar certo, que é um absurdo, que é conversa de governo, que é contra, inventou um discurso inflamado contra a parada. Impressionante como quando vai atingir o dele, ele vira petista e oposição, ne?
Pior mesmo foi no Rio, voltando do show do REM no ano passado com três amigos e o cara, taxista e flamenguista, começava a sacanear, falar de futebol. quando descobriu que eu era fluminense, ficou tripudiando, dizendo que eu tinha pagado mico na final da libertadores (perdida tres meses antes). Ai esperei ele falar e comecei: "E ai, no dia do jogo contra o America do Mexico, você saiu mais cedo do expediente, foi lá no Maracanã e cantou 'Mengão, eu gosto de você'? Você chorou?". O cara ficou louco, começou a gritar. E eu repetia o créu, sacaneava como podia. Ele chegou na altura de São Conrado ameaçando me expulsar do taxi. Ficou um negocio tenso...
Só tem maluco...
Mas píor mesmo são os caras que rolam no chão, reverenciam Totti, pegam um taxi de madrugada e ainda reclamam de ter perdido R$ 20.
Tsc tsc tsc.
DB faz igual ao folclórico Zeca Boca de Bacia aqui de CG, quando estava em BSB. Ele só tinha dez reais e o táxi deu 12. Ele soltou: "rapaz só tenho dez. Então dá dois reais de ré aí por favor".
acho que sao paulo é quase uma exceção (não no conservadorismo), mas acho muitos taxistas dignos, honestos, trabalhadores...
aprendi a cortar muitos caminhos com taxistas aqui (na verdade, por causa do trânsito) eles mesmo querem chegar logo pra pegar outras corridas...
e é uma profissão muito dura, então, sei lá, admiro os caras por aqui...
mas já peguei taxi no Rio e realmente tive a sensação de ser roubado
Cacete...
Eu moro no Rio e todo taxista aqui quando percebe o seu sotaque diferente simplesmente "tem um branco" e te pergunta qual caminho é o melhor para fazer...
Pena que eu não soube dessa lenda antes, pois ano passado (quando ainda não morava aqui) paguei míseros 42 reais numa viagem do Santos Dumont até Botafogo, trajeto que normalmente não custaria mais de 15 reais...
Paciência, pelo menos hoje em dia posso fingir de turista pra dar um susto nos taxistas malandros...
Os "meus" taxistas aqui de Sampa fazem o caminho mais curto, sabem a hora de falar ou ficar quietos, e ainda me dão desconto no final da corrida. Adooooro!
Meu blog fez um ano. Passa lá quando puder. Fiz um texto comemorativo e citei o Tudo Sobre Nada.
Beijo.
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