quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Um bar na barra

No canto direito da foto, um camarada de camisa verde ou esverdeada, na mesa com DUAS cervejas é um ex-big brother, que não teve tempo de mostrar 'quem ele é de verdade' porque foi eliminado com duas semanas de programa.

Ele tomava uma gelada e pescava olhares que pudessem o reconhecer como um ex-famoso. Quando ele me viu tirando foto com o celular, virou o rosto.

Não tem problema, porque ele serve só como mais uma peça no mosaico de personagens desse bar na Barra da Tijuca. Estive lá na semana passada por dois dias seguidos. Estava a trabalho no Rio e a opção mais próxima do hotel era esse local.

Além do ex-quase famoso ex-bbb alcoolatra, havia o grande público consumidor de deca durabolin (asteróides, como dizia um amigo) e outros alterados de humor muito mais pesados e com menos efeitos atléticos/desportivos.

Tudo bem que fazia 29 graus às 23h na Barra, mas nem isso justifica o fato de mais da metade dos frequentadores (a galera da deca) tirar a camisa e desfilar de peito nu por entre as mesas. Um movimento meio primitivo para atrair a atenção da fêmea.
Movimento este, repetido por elas.

Curioso que havia poucos casais às mesas. Quem estava no bar eram grupos de amigos, todos parecendo felizes, muito felizes, super felizes. Conversando entre si, trocando piadas futebolísticas com o garçom, chamando gente de fora do bar para juntar-se a eles. Todos na mesma sintonia.

Da minha mesa era possível ouvir um chiado constante vindo dos papos vizinhos, como se todo mundo repetisse como um mantra: curtchí, curtchí, curtchí...Vamú curtchí!

Não havia engravatados, nem gente que aparentava ter saído do trabalho momentos antes e tomava uma gelada para desopilar. Nada disso. Era o supra sumo da banana ouro dos parasitas sociais.

Na mesa ao lado da nossa, sentou-se um velhinho com cara de amigo de Tom Jobim. Estávamos eu e mais dois colegas. Em determinado momento, rimos de qualquer coisa na mesa e um velhinho tocou no ombro do meu amigo e perguntou:

- Vem cá, vocês tão rindo de mim??
- Não, senhor.
- Ah bom

E permaneceu ao nosso lado bizolhando nosso papo, esperando um comentário sobre ele. (O que só ocorreu no caminho de volta para o hotel, porque ele já não grampeava mais nossa conversa)

A ala feminina também tinha suas representantes. E que representantes.

As mulheres bonitas e gostosas do Rio de Janeiro esbanjam auto confiança. Confiança de que com aqueles atributos pode dobrar qualquer um. Em determinado momento das duas noites, parecia que havia chegado ao bar um ônibus só de mulheres recém-saídas das capas de revistas masculina.

Todas com o mesmo tipão: cabelão atééééé quase na altura da cintura para emoldurar o relevo da bunda, vestido colorido ou com motivos florais que lembram o verão, delineando propositadamente a minúscula lingerie, um par de silicones na comissão de frente reluzido pelo branco da marca do bykyny, uma tatuagem de beija-flor ou só da flor na panturrilha, nariz apontado para o alto, um olhar cheio de confiança e a cabeça inundada de água oxigenada.

É um público que se completa, uma mistura bombástica: água oxigenada e deca durabolin. A cara da Barra da Tijuca.

Sinceramente?

Eu prefiro os drogados e alcoolatras do Souza, na Pomps.

7 comentários:

Felipe disse...

Você prefere as alternativas da Landscape? Mesmo que não, estará lá para conferir, na próxima sexta-feira.

Leve a máquina. O sr. já está contratado.

PS: Você foi ao lugar errado no Rio. A Barra é o lugar mais palha que tem por lá. Naõ tem nada de identidade cultural do Rio. Deveria ter ido à lapa ou Laranjeiras, ou aos pubs de ipanema ou à casa da matriz.

Vanessa Dantas disse...

DB, você tava no inferno e não te avisaram! A Barra definitivamente não é Rio. Nojo. E salve a Pomps! Beijo.

Helga disse...

Cabelos enrolados e curtos, celulite, roupas normais, sem andar em bandos.

É, eu estaria um peixe fora dágua num lugar desses.

Paulinho Mesquita disse...

e o beirute??!

Nanda disse...

Vou ter ser sincera...você descreveu o inferno, só faltava eles gritarem " flaméango"! mas não vou emntir que ser solteiro no Rio de Janeiro é mais agradável do que em qualquer lugar do mundo, vc se sente menos peixe fora d´água do que em lugares onde só se encontra casais!

Ruiva disse...

Nao conheco a Pomps com seus drogados e alcoolatras do Souza, mas definitivamente, qualquer lugar no mundo eh melhor que a Barra. Quer me deixar de pessimo humor eh marcarem a farra em qualquer bar ou boate da Barra.
NOJOOOOOOOO

Felipe disse...

E ainda clonam cartões no referido boteco!!!