Passou 17 meses preso. Continuou fissurado por riqueza. Conheceu um presidiário qualquer que estava lá por motivo banal e trocaram figurinhas. Richard ficou sabendo que o companheiro de cela trabalhara para uma família de fazendeiros que ele considerava rica e não tirou mais da cabeça a ideia de arrancar-lhes toda grana.
Convenceu um outro companheiro de cela a acompanha-lo na missão. Macomunaram todo o plano dentro do presídio. Quando saíram, o executaram. Foram lá na fazendo, mataram com tiros à queima roupa Herbert (o fazendeiro), a mulher depressiva, o filho e a filha, de 15 e 13 anos. Não roubaram nada, porque Herbert não guardava dinheiro em casa.
Richard e o companheiro de cela foram presos e condenados ao enforcamento.
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Admar foi preso porque abusou sexualmente de crianças, quatro anos atrás. Laudo psiquiátrico deu conta que ele é um psicopata com grave distúrbio de comportamento e que deveria ser mantido isolado do convívio social. Condenado a 14 anos de prisão, cumpriu um terço em regime fechado e desde 23 de dezembro havia sido liberado para o semiaberto.
Voltou para casa e sete dias após ganhar a liberdade, raptou e matou um rapaz de 13 anos. Cinco dias mais tarde, um jovem de 14 e assim foi até sumirem seis garotos no prazo de um mês após sua libertação.
Polícia de todo canto entrou no caso, mas ele só foi pego por acaso, após descuido de sua irmã, que usava o celular de uma das vítimas.
Admar vai ser condenado, desta vez uma pena muito mais severa, mas não ao ponto de ir para a forca.
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O primeiro caso, de Richard, foi em Holcomb, no Kansas, no final da década de 1950. Está no livro A Sangue Frio, de Truman Capote. O segundo caso, de Admar, foi em Luziânia, em Goyaz, em 2010, está em todos os veículos de comunicação do Brasil desde janeiro.
Apesar da distância do tempo e espaço, uma semelhança nas duas histórias me chamou a atenção: a prisão anterior às mortes. Depois de errar (roubar e passar cheques sem fundos), Richard foi jogado na prisão, onde se encontrou com gente de ideias piores que já tinha em mente. Admar cometeu crime em Brasília, foi para o presídio da Papuda, dado como psicopata e simplesmente abandonado na prisão. Pior: solto por bom comportamento lá dentro ou por ser réu primário.
Quando saíram, Richard e Admar barbarizaram. No pior sentido do verbo. Rodeado de maldade e esquecidos no cárcere pelo estado, voltaram para a sociedade ainda pior do que quando entraram. A punição deveria ser 'pessoal e intransferível' mas virou algo maior e atingiu gente que não tinha absolutamente nada a ver com a falha nos sistemas carcerários e nem muito menos problemas comportamentais dos outros.
No Kansas dos 1950's havia pena de morte e a "justiça" foi feita dessa maneira. Mas não impediu outros assassinatos na região, considerada pacata, anyway.
Em Goyaz dos 2010's, assim como em todo o Brasil, pratica-se a lei de talião na informalidade, na qual o que conta é o linchamento, a castração, o ataque a pedradas, o empalamento, o assassinato em praça pública... A casa de Admar vai ser queimada em ritual já agendado por familiares dos garotos para a manhã desta segunda-feira.
Não estou defendendo os marginais porque os crimes foram horríveis, inexplicáveis, inacreditáveis, mas para mim não se justifica.
Vão entrar aqui e falar: "É por que não foi com sua família".
Claro! E espero que nunca seja. Nem na sua.
Mas esse reprimenda é tão superficial que só serve para mostrar o nível de educação em que nós estamos. E pelo jeito vamos permanecer por muito mais tempo.
Para mim, de nada adianta essa sessão de tortura porque só serve de alimento para o monstro e a o violëncia nunca vai chegar ao final. Muito pelo contrário.
Esse tipo de comentário (Não é com sua família) só mostra que todos nós somos psicopatas com "graves distúrbios comportamentais".
Coisa que eu não sou!
Sobre direitos humanos e civilidade, ver o filme argentino "O Segredo dos seus olhos", vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano.
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Agora fica a torcida para que a briosa polícia de Goyaz não esteja cometendo um erro (tão grave quanto de Admar) e acusando a pessoa errada.
2 comentários:
Você disse tudo!!
nada a declarar. só assino a concordância.
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