sexta-feira, 4 de março de 2011

Serôdio

Só na primeira madrugada do ano em que os termômetros ficaram abaixo dos 20 grados centígrados que meu ar condicionado voltou a funcionar normalmente. Ou seja, dormi suado e preguento boa parte das noites do verão úmido e caliente de São Paulo.

Certa noite, o ar simplesmente parecia um bafo de bode e o quarto fervia como uma masmorra em Trípoli. Isso em uma das noites mais borbulhantes do ano, quando a cidade se escaldava nuns 22 ou 23 degrees.

Lembro com clareza do dia em que vi um termometro na pequenina y heroica apontando 21 graus de madrugada e como eu sentia frio, exatamente dez anos atrás. Pois 21 graus à noite, de Goyaz para baixo, faz calor, é insuportável.

Agora, não me adianta mais usar o ar, porque lá fora já está mais frio que aqui dentro mesmo se ligar o ar.

Só que o solar dos britos sofre com a síndrome do cobertor curto. Quando faz calor, quebra-se o ar. Quando o frio chega, o chuveiro deixa de esquentar.

Foi assim no último inbierno. O chuveiro aqui não é elétrico. Rola um aquecedor e tal, chamado de boyler, sobrenome do físico inglês que desenrolou um método de dar um gás na água para esquenta-la, lá pelo século XVII.

O boyler também parece ser do século dezessete, porque quando duas torneiras estão ligadas concomitantemente, a água não esquenta mais. Quando se está no meio do banho quentinho e desce uma rajada de água fria, tem-se a impressão de que é o primeiro sintoma de uma isquemia cerebral.

Assim, quando frio chega, o boyler entra em colapso e a gente fica de toalha, no frio, dedilhando a p*rra dos botões do boyler para tentar reanimar o aquecedor e voltar a se banhar. Quase nunca funciona.

Pior do que tudo isso, só o portão da garagem do solar dos britos.

Nesta época em que pipocam arrastões e assaltos nas redondezas, apenas uma das portinholas está se abrindo o que dificulta a manobra para saída/entrada dos carros e assim ela fica mais tempo aberta, propiciando uma ação dos marginais. Espero que arrumem antes que a ameaça deixe de ser só coisa da minha cabeça.

Um comentário:

Felipe disse...

O boyler era dos meus tempos de 207 sul. Cansei de pegar um pedaço de jornal, acender e ficar tentando encostar no bocal do gás, com o meu irmão apertando o botão em cima apra liberar o gás.

Hoje em dia só tenho chuveiro elétrico em casa. A desvantagem é que ´só tem água quente no chuveiro... Mas também, já até acostumei.