Agora é oficial: ninguém usa mais paletó e gravata em Brasília em 2007. A cidade já está vazia e o trânsito, tranqüilo. Em breve, deixam os semáforos intermitentes e desligam o relógio do BRB.
Sim, porque Brasília é considerado o pior-lugar-do-mundo em dezembro e janeiro. Só chove e não tem ninguém nas ruas. Como a cidade está crescendo de forma desordenada, as "férias de verão" não tem sido tão esvaziada atualmente como eram havia 15, 20 anos.
Para ser bem sincero, eu curto demais os meses de dezembro e janeiro em Brasília. Primeiro, porque eu gosto da chuva. Segundo, porque eu não gosto de trânsito e tumulto. Terceiro porque...bom, aí vai uma inconfidência.
Quando tinha uns 12, 13 anos, matava aulas para passar o dia lendo gibis na 508 Sul. Por mais que eu lesse uma revistinha italiana (meio pornográfica) por mil vezes, eu sempre queria folheá-la novamente. Eu queria fazer parte daquela história.
É de uma personagem famosa, cujo nome não me recordo neste instante, que fica sozinha na cidade. Todas as coisas estão abertas normalmente, lojas, bancos, zoológico... e ela é a única pessoa nas ruas. Aos poucos vão aparecendo os demais personagens, mas dessa parte para frente eu já não gostava de ler.
Nos meus intermináveis passeios de bicicleta na primeira metade da década de 1990, eu ficava imaginado aquela situação em Brasília. Eu, de bike, por qualquer lugar. Gostava de pensar que poderia andar de bicicleta embaixo do bloco e dar aquelas freadas sensacionais. Imaginava andando pela sala da diretora do La Salle. Ficava horas pensando como seria conhecer todos os andares do Banco Central, sem restrições...
Ainda hoje, quando vejo Brasília vazia, lembro daquele gibi.
Qualquer dia desses eu volto lá na oito para ler essa história de novo.
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6 comentários:
Também gosto dessa época aqui em Brasília. Gosto de chuva, odeito trânsito e tumulto. Mas não tem nada melhor do que passar o verão na praia!!!
Abraço
Brasília é do caralho! Só não gosta quem não entende. Pena que é muita gente.
Adoro Brasília e digo pra você: os melhores réveillons que eu passei foram aqui, porque é aqui que estava todo mundo. Foda-se Copacabana, Paris, Praia do Forte...
Também fui viciado em gibis e sempre comprava e vendia revistinhas numa banca da 511, que se chamava "A Fortaleza", acho. Completei quase 1000 revistas da DC Comics, da época da Abril. Até hoje tenho todas em casa.
abs
Eu já escrevi sobre essa Brasilia-véa-sem-lei quando passei uns dias longe daqui (http://otaverneiro.blogspot.com/2007/11/brasla-va-no-troco-por-nada.html). Concordo contigo. Nada melhor do que andar numa média de 80km/h pelas ruas da cidade, enquanto nas outras capitais você não consegue engatar nem a 3ª marcha. Só fico puto que tem BAR (!!!) que fecha as portas 1h!!!! Porra! Saio do trabalho as 23h, chego no bar meia-noite e o cidadão informa que está encerrando. Má-vá-pá-puta-que-o-pariuuu.
Sem mais para o momento...
gosto de ler teus escritos.
demorei a voltar, não tinha visto a referência ao meu blog.
obrigada.
um abraço
Acabei de lembrar: o nome da mulher dos quadrinhos é Valetina!
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