Eu poderia escrever aqui sobre o terror real do filme. Eu poderia descrever a sensação de soco na ponta do estômago ao sair do cinema. Caberia, até, um relato das cenas de fuga na escuridão e do desafio ao medo.
Mas prefiro comentar o lado otimista do filme que vi esta tarde. Vencedor da Palma de Ouro no ano passado e, se não me engano, na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008, 4 meses, 3 semanas e 2 dias merece mais que este post ou essas premiações.
É o tipo de filme que mulher de estômago frágil não pode ver. Minha garota, por exemplo, passaria o resto da semana chorando. É quase um filme de terror. Um terror da vida real, o que é muito pior. Um pouco menos cruel do que o sueco Lilia Forever, mas as cenas no leste europeu nos remetem a ele.
O filme trata de um caso de aborto na Romênia comunista de 20 anos atrás. Obviamente, o aborto era proibido por lá. Como ainda é...
O filme não tem final feliz, nem triste.
Não tem sequer trilha sonora.
Aliás, só uma correção: eu consegui observar um final feliz.
Na obstinação da amiga da grávida em ajudá-la. E é por isso que fiz este post (Nossa, que nariz-de-cera!).
O filme termina subitamente, o que é terrível para quem gosta de finais triunfantes, mas saí da sala com um leve sorriso no canto da boca. Pensativo com a história toda, mas feliz por ter visto o caso de alguém que ajudou apenas por ajudar.
Se querer, nem exigir nada em troca (Não é baseado em fatos reais).
Pelo simples fato de serem amigas. Ela fez de tudo. E quando eu digo tudo, pode incluir aí muita coisa.
Esse tipo de atitude parece não caber mais no mundo. Primeiro porque quem está sendo ajudado desconfia que logo vai ter que dar um troco à mesma altura. Segundo que, solidarizar-se a alguma causa, mesmo que seja individual, soa como falsidade ou até mesmo inocência. Para não falar em ser piegas e coisas do tipo...
Não costumo ser solidário com muita freqüência, e tenho vários interesses nas minhas ações. Mas não deixo de admirar e até invejar (olha outro interesse meu aí amostra) quem tem essa qualidade.
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7 comentários:
Realmente solidariedade esta em extinção. É bom reconhecer algumas característica, porque se quiser mudar fica mais fácil.
Acho interessante quando fala de livros e filmes.
bom final de semana, cheio de idéias.
Esqueci de dizer. É muito bom tirar o lado positivo dos fatos. É uma postura interessante diante da vida. Esta é uma lição que fico para refletir. Em parte sou assim. Quero mais.
Já tô ouvindo falar desse filme há um tempo. Tô louca pra ver.
Ajudar as pessoas simplesmente por ajudar está realmente em extinção.
Às vezes me pergunto: Se um amigo precisasse muito de ajuda, será que eu seria solidária o suficiente para enfrentar tudo e todos para ajudá-lo? Sei lá... Acho que eu num tenho respostas.
Deveria repensar as minhas ações.
Abraços.
Fala mala, e esse post "cá defesa forrrte"? heheheheheh
Vamos jogar um basquete no parque qualquer dia, faz tempo que não jogo.
Abraço, fi! uhauhauhahu
Não vi o filme, por isso vou me limitar a um breve comentário: é dessa idéia que surgiu o ditado "uma mão lava a outra".
Sem mais para o momento...
Já li várias críticas a respeito desse filme, inclusive a da Isabela Boscov, de quem costumo discordar. O fato é que tava esperando alguém assistir pra dizer que o filme é o que eu espero que ele seja.
Parece que na sua análise, o problema do aborto em si ficou em segundo plano.
Se eu já tava com vontade de ver, agora então, nem se fala.
P.S. Quando era aluna de Jornalismo, lá em Campina Grande, assisti uma "palestra" sua.
Beijo!
A anta aqui escreveu dois comentários sem necessidade, achei que o primeiro não havia sido salvo.
Escolha o melhor e publique!
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