sábado, 19 de janeiro de 2008

Crime e castigo

Após dois meses e 19 dias terminei de ler Crime e Castigo.

Quem foste tu, Daniel Brito? O cara reprovou a quinta série (quase duas vezes), o primeiro ano (quase duas vezes) e, agora, depois de velho, passou a ler até Fiodor Dostoievski...

Até 2002 eu não fazia a mínima idéia quem poderia ser Dostoievski. Nesse ano eu morava em Campina Grande e certo dia de agosto fui visitar meu atual chefe na redação do Correio Braziliense. Aguardava a chegada dele numa salinha conhecida como malódromo, os chatos eram atendidos lá pelos repórteres...

Ao meu lado estava uma jovem repórter (http://umacasadecha.blogspot.com/), então estagiária de cultura, em uma longa discussão com um entrevistado sobre Dostoievski. Lembro-me que no mesmo dia liguei para meu grande amigo Da Silva e contei:

- Sombra, aqui no Correio todo mundo conversa sobre Dostoiesvki.

Depois desse dia procurei saber um pouquinho mais sobre o ele.

Somente cinco anos depois tive o reflexo de comprar seu livro mais famoso, Crime e Castigo, para lê-lo. Sou um leitor atrasado, confesso.

Para ser ainda mais sincero, comecei a ler Crime e Castigo imaginando que o abandonaria pela metade por não assimilar absolutamente nada da idéia de Dostoiesvki. Foi isso que aconteceu quando me aventurei em Os Sertões, de Euclidão! Um dia eu retomo a leitura...

Mas, fiquei surpreso comigo mesmo ao perceber que estava entendendo o enredo e interpretando muito bom o conteúdo e mantive o ritmo na leitura. Para ter certeza, freqüentemente digitei o nome do livro no Google para ler alguns comentários e saber se batiam com os meus. Em conversa com amigos (na verdade, um amigo e um tio) que leram, tive certeza que estava no caminho certo, apesar de nem sempre termoa as mesmas opiniões sobre a narrativa.

Crime e Castigo não é livro para se ler em uma sentada, ou numa viagem de duas horas de avião. É um livro denso, e suas 590 páginas são recheadas de idéias socialistas e, imagino, liberais para a época em que foi escrito (1866).

Durante o período da leitura, estava sentado na pérgola da piscina de um hotel em Porto de Galinhas quando o garçom que acabara de me servir uma cerveja falou:

- Crime e Castigo... Que livro grande. É policial, é?

Não soube responder. É policial, é romance, é filosofia, é drama, é psicologia, é sociologia...ao mesmo tempo. Só não dava para explicar isso para o garçom ali, não é verdade?

Pois bem, acordei hoje disposto a detonar as 70 páginas que restavam para o fim do livro. Acabei de lê-lo por volta de 10h30...Preparei meu almoço com as últimas frases martelando na cabeça. Almocei, tomei banho, me arrumei, fui trabalhar, voltei para casa, parei no McDonalds, entrei em casa de novo com as histórias de Raskholnikov na cabeça.

Comecei a ler Jesus Kid, que meu amigo Timbu me emprestou, mas Crime e Castigo não desgruda do meu pensamento.

3 comentários:

Felipe disse...

Você me superou. Já tentei ler Crime e Castigo três vezes. Cheguei a 2/3 do livro, mas não dei conta de tanta Natieschka e enrolação sociológica. É ´pesado demais. Parece aula de filosofia / sociologia. Dei conta~não. Acho que vou experimentar "Toni Belloto".

Sem mais,

Madame Mim disse...

Oi. Adorei Crime e Castigo...o modo como o crime acontece, as razões, tudo.Li na época da facul, por conta de uma indicação do meu chefe na época (eu fazia estágio na Cadeia), e esse livro até hoje eu uso para entender algumas coisas da minha área, tipo, a falta de razão ou o motivo medíocre que muitas vezes é a razão principal de um crime.
Inté!

Anônimo disse...

Essa jovem repórter é bem metida a besta, hein?
hehehe
Sério agora. O efeito em mim foi o mesmo. Dias e dias com a história martelando... Coisa de maluco!
beijos!