Eu já sei de tudo sobre a criação da Adidas e da Puma. Aprendi com o livro Invasão de Campo, da jornalista holandesa Barbara Smit.
Sei que eles participaram da Hitler Youth; que Rudolf Dassler, fundador da Puma após brigar com o irmão Adolf, trabalhou no serviço secreto da SS. Quê mais?
Ah, tem muita coisa...
Para quem trabalha com esportes, como eu, é importante ter conhecimento daquelas informações. Smit não é nenhum Gay Talese para dar cor à história. Por várias vezes se utilizou do adjetivo "impetuoso" para descrever a personalidade de alguém.
Das 10 pessoas citadas no livro, 4 são/eram impetuosas. Aí complica, né? Talvez seja até uma falha na tradução, nunca se sabe.
Bom, mas tem uns detalhes muito interessantes. Como a insinuação de Pelé para receber uma bolada para usar qualquer chuteira na Copa de 1970. Mas a Puma e a Adidas haviam fechado um pacto de não investir em Pelé, porque seria covardia. Mas a Puma foi lá e créu...
Como parte do acordo, antes de rolar a bola no círculo central, Pelé tinha que pedir um segundo para o árbitro, se agachar, desamarrar e amarrar a chuteira. Daí as tevês, que ainda não sabiam do marketing esportivo, focalizavam a chuteira da Puma.
Até a década de 1960, marketing esportivo era dar um par de tênis ao jogador ou atleta olímpico e ponto final. Depois apareceu a Nike e alguns atletas malandrinhos que faziam o jogo duplo. Pegavam o tênis da Adidas e iam cobrar dinheiro na Puma.
A Puma quebrou por causa disso. Johan Cruyiff esculhambou com o orçamento da Puma. Quer dizer, a mãe dele, que era a responsável por ele.
Aliás, apesar de o livro ser vendido como a história sobre a Puma e a Adidas, 85% dele é só sobre a Adidas. Tudo bem que a marca rendeu mais, posso até dizer que colocou o esporte no caminho que nós vemos hoje: gordos contratos de publicidade, politicagem interminável, relações promíscuas com governos e atletas... Mas, quando a Puma voltou aos trilhos, quando foi vendida pelos filhos do velho nazista Rudolf, Smit foi pincelando os assuntos da recuperação da empresa e o livro acabou.
A Adidas, não. A Adidas tá toda desconstruída lá. A melhor parte, e a mais importante, explica didaticamente como o esporte começou a valer dinheiro de verdade. Bilhões de dólares. Porque, depois dos Jogos de Montreal, em 1976, a prefeitura local ficou com um rombo gigantesco. Daí, Horst Dassler, filho de Adi Dassler, criou a ISL, empresa de marketing esportivo que faz isso aí que nós conhecemos: vender cotas de publicidade para grandes conglomerados multinacionais. Simples, né?
Pois é, foi ele quem criou.
Horst, que é o protagonista do livro, morreu em 1987, de câncer no olho. A Adidas rumava para o fundo do poço. Até que o banco alemão comprou a empresa, deu um jeitinho, revendeu depois e a família Dassler não tem mais nada a ver com a empresa que Adi criou, na primeira metade do século passado.
Já emendei a leitura em A Luta, de Norman Mailer. Depois vou ler Dois Irmãos, de Milton Hatoum (tá todo mundo falando dele. Quero ter uma opinião, também). Em seguida, Ryszard Kapuscynski, e a Guerra do Futebol. Dia desses, topei com a Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kudera. Li 30 páginas em 10 minutos, na livraria, segunda-feira. Já está na minha lista. Assim como a versão em inglês para O Apanhador no Campo de Centeio. Recomendação da Ana Clara.
Até junho de 2009 eu cumpro essa meta.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Invasão de Campo
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3 comentários:
" A insustentável leveza do ser" eu gostei muito.
Não sabia nada dessa história da Puma e da Adidas,vou prcurar.
Inté.
Ou, a Brincadeira, do Kundera, também é legal :P acho que vou ler esse seu aí, mesmo que não trabalhe muito com esportes hehe
Putz, eu não tinha visto esse post, tanto que estou sendo escravizada. Enfim, sempre pensei que fim teria o blog se um dia eu parasse de postar e nunca ninguém procurasse o link e tal. Pra onde vai tudo?
;P
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