Eu venci o Google. Consegui armazenar mais informações do que a maior empresa de todos os tempos da última semana consegue me dar de espaço.
Está lá no pé do meu Gmail:
Você está usando 7015 MB (94%) de 7390 MB no momento.
Faz mais de dois meses que eu me desfaço de toda a cultura inútil que abarrota minha caixa de emails, mas o Google insiste em dizer que eu tô prestes a explodir meu gmail.
Fui um dos primeiros mortais de Brasília a ter um email do google. Foi em 28 de junho de 2004. Na época, era fantástico ter um email que comportava incrivelmente 1gb. O slogan era: "Não apague mais seus emails".
Cada proprietário tinha direito a 10 convites e eles eram disputados a tapa pelos amigos/colegas/conhecidos. O próprio Google freava a distribuição de convites para não aparecer um engraçadinho logo no começo do empreendimento dizendo que tinha mais informações do que o Google poderia guardar.
Com o tempo, aumentaram a capacidade para 2gb, pq surgiram concorrentes com 10gb e outros tentaram empatar com 1gb. Meses mais tarde, quando os convites já estavam liberados para 100 amigos, despausaram o odômetro de gigas e ele segue rolando até hoje.
Para quem não se lembra ou é novato aqui, meu gmail tem algumas peculiaridades. Por ser um dos primeiros, consegui colocar meu nome.sobrenome@gmail.com o que me causa um certo inconveniente, conforme citado neste texto e neste outro.
Desconfio que alguns dos remetentes citados nos dois textos anteriores devem ter lido e pararam de me escrever pensando que estava falando com outro Daniel Brito qualquer, cujo email é quase igual ao meu. Mas, por outro lado, passei a receber mensagens por engano de outros descuidados.
Tem um tal de roberto cardoso que passa as tardes me enviando powerpoint de paisagens ao som de flautas peruanas. Ele copiou meu email após alguém da família dele me mandar as fotos da família em férias na Paraíba. Quer dizer, uma dupla coincidência. Além de ter email parecido, foi à pequenina porém heróica...
Tem um tal de Aacosta de Angola ou Mozambique que vive mandando piada sobre angolano em Portugal. Hoje mesmo ele mudou o tom e me enviou um salmo bíblico. Nào posso transcrevê-lo justamente porque meu gmail está estoporando e tô tendo que apagar tudo.
Às vezes vou na caixa de spam e a esvazio, mas nào mexe nem 100kb do armazenado. Daí vou para as postagens mais antigas.
É curioso ver as mensagens de quatro, cinco anos atrás. Eram outros amigos, continuam amigos, mas distantes, que me enviavam quilos de porcaria e eu deixava lá. O que não mudou ao longo dos tempos foi os títulos das mensagens:
- Meninas de família - parte III (CUIDADO)
- Vacilou caiu na net (CUIDADO AO ABRIR)
- (VEJA SOZINHO) Para não dizer que sou egoísta
- Relatório plurianual - Só para a diretoria (DANGER)
Se a professora da quarta série tivesse me ensinado figuras de linguagem via títulos de emails de sexo, não teria reprovado tantas vezes.
Além de espaço na caixa de entrada é preciso uma super conexão para ver os vídeos de 17mb, com catorze minutos de duração. Outro fato estranho é que só quem me mandava eram os amigos que trabalhavam na Esplanada.
Confesso que alguns eram realmente bons e eu repassava. O que causou um certo constrangimento na minha família, quando minhas tias vieram me reclamar do conteúdo que enviava para seus respectivos maridos (meus tios, no caso). Daí o email que tinha 17mb acumulava 34mb no meu gmail, já que ele ficava duplicado na caixa de itens enviados.
Bom, mas agora, tô em busca dessas trolhas para apagar e voltar a contar com o alto poder de armazenamento do Google. Também porque acho que todos os vídeos do mundo eu já vi no meu email e não tô mais com paciência (nem internet rápida) para baixa-los. Alguns, simplesmente deleto. Prefiro que mandem o link do Youtube mesmo que só tem um 1kb.
Não posso nem sonhar em perder este gmail. Apesar de ter só 7gb e uns quebrados, metade da minha vida está aplicada nos emails.
Tentei fazer um upgrade no meu gmail, mas teria que desembolsar uma bela graninha em doletas para aumentar em dois milhões de giga. Aí já é demais. Prefiro apagar os antigos e espalhar por aí que eu tenho mais informações do que o Google pode comportar...
3 comentários:
eu to usando 81% da minha capacidade. to quase lá... mas já adotei o hábito de apagar "power points de paisagens ao som de flautas peruanas" há algum tempo!
Iniciante.. eu JÁ estourei meu Gmail.
Quer dizer, não sei se AINDA escrevo meu post sobre o assunto ou se repasso este seu aqui pros amigos dizendo "faço dele as minhas palavras". Mas no meu caso a questão é que, além de ter o email desde 2004, tenho muitas fotos e vídeos gigantescos. Sou traumatizada por já terem jogado anos de fotos fora dum outro pc (formatado), por isso tenho certo receio de tirar as fotos de lá.
E sinceramente, quase diariamente considero pagar as tais doletas pra ter mais espaço. Mas confesso já ter me acostumado com a rotina de deletar arquivos aqui e ali e ter minha caixa bloqueada. Como descrevo nos posts: http://helgacomh.blogspot.com/2009/08/gmail-tem-muito-espaco.html e http://helgacomh.blogspot.com/2009/09/gmail-nao-me-da-espaco-nao-me-deixa.html
Cara, eu tenho problema semelhante na minha vida real. Eu tenho uma dificuldade tremenda em me livrar de papéis, de várias coisas, recibos, canhotos de cheque. Acho que é também porque mudei poucas vezes de casa.
No e-mail é a mesma coisa. No meu outlook eu tenho emails de 2003, 2004, 2005... Um dia comecei a dar uma olhada neles.. cara, é uma vida inteira de conversas. Dá até uma melancolia vocÊ ver como tinha uma relação maravilhosa com uma menina numa época e depois degringola. Ou então ler email de alguém que já morreu. Ou ler respostas a emails seus contando suas novas quando você morava láaaaaaaa do outro lado do mundo.
Se a quebra do sigilo bancário e telefônico são uma devassa quase completa na vida de um sujeito, eu diria que hoje em dia a quebra do sigilo eletrônico é ainda mais determinante.
E essa parte é muito boa:
"Tem um tal de roberto cardoso que passa as tardes me enviando powerpoint de paisagens ao som de flautas peruanas"
hahahahahahha... Só vocÊ mesmo!!!
Abs moleque!
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