quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Glamorous indie rock 'n roll

Rock indie e glamorous é o que os caras de os The Killers precisam. Eles mesmo disseram isso na música que entitula este post. Certamente não vào cantá-la no show de sábado, na Casa do Chapéu (28 km de distância da Pompz), em São Paulo.

E eu estarei lá. Juntamente com Anapô, outra fã dos matadores. Sou tão inexperiente em shows de rock internacional como em textos sobre música. Ao ponto de chamar os the killers de rock. Acordei na manhã desta quarta-feira pensando em que tipo de rock se encaixariam os the killers.

Para tanto, fiz uma pesquisa com cinco amigos que mais entendem de música. A pergunta era:

- Os the Killers são indie?

1) Timbú:
São emo-indie...Vá se fuder, isso não é conversa para se ter na internet.


2) White Martins:
Sim e não.

Sim porque o conceito de indie é banda desconhecida, que ainda nao arrasta multidões para estadios, que nao vende muitos discos, mas que é promissora.

So que o killers ja tem quatro discos, ja tocou em festivais e ta lançando ate dvd. Sei la, eu sempre critiquei o conceito de indie porque acho uma coisa meio egocentrica. tipo a banda pode ser boa para caralho. Se ela se torna acessivel a mais pessoas, se "estoura no mercado", nego para de chama-la de indie....

3) Mr. Rabbitt:
Não, eles não são indie. O som tem umas pitadas de alternativo, mas a intenção da banda é ser um rock pop no maior estilo U2. Os caras querem ser a maior banda do mundo. E isso de indie não tem nada...

4) Berna, the beat:
eu te diria que não, eles não são indies.
o som deles não creio que possa ser enquadrado em qualquer um dos vários tiques do som indie, mesmo que esse seja um rotulo pouco coerente ou coeso. mas é certo que eles não soam como belle and sebastian ou pixies, por exemplo, dois pilares do indieismo como o conhecemos, essa cousa pós-anos noventa.
ao contrário, o som deles me lembra o queen ou o depeche mode ou ambos juntos.
eu qualificaria o killers de rock-eletroniko-de-arena, que também não quer dizer lá muita cousa...
e eles têm aquele visual glitter de lantejoulas e luzes e cores neons que faria um artista indie encabular de vergonha.
bueno, eu acho que seja por aí.

Bueno, digo eu agora, pelas respostas dá para perceber que eu não entendo nada de música. Sim, porque se soubesse, jamais faria esse tipo de pergunta. Meu amigo Timbu, por quem tinha grande admiracao até entao pelas influencias musicais, também se mostrou um retrógrado (seu retrógrado!!!) ao responder de forma impaciente e errada à dúvida de um amigo. Ele mudou desde que passou a ouvir rock de goiânia cantado em inglês...sem contar as sertanejas (de goyaz também).

Se me perguntassem: por que você curte os the killers?

A primeira resposta: não é por causa do bigodinho freddy do Brandon Flowers. Alias, o camarada se deixou influenciar pelo nome da família e requebrou de vez nas últimas gravações. Dizem que ele é pegador, mas tá fazendo um som GLS. O que você me diz de uma letra assim:

- Somos humanos? Ou somos dançarinos?

Como se uma coisa anulasse a outra (Talvez no meu caso).

Como a poesia foi em inglês com um tecladinho embalando uma bateria amigável e uma guitarra simpática, ficou bonito e as mulheres gostam. E os homos, idem...

Justiça seja feita, toda vida eles tiveram essa tendência.
Vamos à prova:

- Nos meus lábios, você não beija mais do mesmo jeito. (For reasons unknown)

- Se eu não brilhar, você não vai brilhar. (Read my mind)

- Tenho essa energia abaixo dos meus pés como se algo coisa subterrâneo fosse chegar e me carregar (Sam's Town)

- Garoto, um dia você será um homem. (Smile like you mean it)

Como eu disse, coloca em inglês, com a voz marcante do Flowers, a guitarra simpática, o tecladinho plagiado do Joy Division, a bateria educada e envolvente...pronto, temos os Assassinos.

Ops, perdão. Os the Killers.

Mas, realmente, eles são menos rock e mais pop. Tanto que ficaram famosinhos ao permitir que tocasse When we were young em um seriado tipo Orange Beach, Melrose Place, essas patuscadas da tv dos EUA.

Anyway, dando uma vasculhada pelo Mininova, encontrei o set list do show deles nos EUA em agosto, provavelmente com o repertório que deve repetir la na Casa do Chapéu.

Human
This is your life
Somebody told me
For reasons unknown
The World we live in
Joy Ride
Bling (Confessions of a King)
Shadowplay
Smile like you mean it
Spaceman
A dustland fairytale's
Sam's Town
Read my mind
All these things of done
When we were young

Eles devem forçar a barra com as músicas do cd mais recente que é justamente o momento de sair da frente do palco para ir buscar cerveja. De qualquer maneira, vai ser legal ouvir ao vivo algumas músicas. Eu tenho memória auditiva. Gravo lugares, pessoas e pequenos instantes da vida em trechos de música.

Como da vez que fugi de golfinhos com Ana Paula em Pipa ouvindo Bones. No dia que decidi ir para a South Africa estava ouvindo Spaceman (é do cd mais recente, mas é boa). A última vez que corri no Parque da Cidade cantando Read my mind. Das festas que sempre tocam Mr. Brightside (um abraço para Mr. Rabitt). Quando tomei uma gelada com amigos de SP e conversamos sobre Shadowplay (Um abraço pro Kike Nuñez e pro Costa). Do vôo de volta da Costa Rica embalado por Sam's Town(um alô pro White). Quando Timbu me passou o arquivo da primeira música do Killers que coloquei no MP3 (Jenny was a friend of mine). Das tardes de folga com guitar hero, cerveja e o Vieira Fernandez (When we weeeeeeeerrreeeeee yoooounnng). Das minhas últimas férias na pequenina e heróica (All these things that I've done)...

7 comentários:

Felipe disse...

1) Não eram cinco amigos? Cadê o quinto?

2) Acho que Killers é rock sim. Aliás, tudo que é indie é rock. Assim como tem pop rock, heavy metal, hard rock.

3) Tomara que você veja um puta show, como o históooorico show que eu vi no Tim festival de 2007 no Rio. Foi maravilhoso e - tirando onda - com um set list bem mais bacana que esse, recheado de musicas novas do disco novo, que nem é tão bom assim.

4) Gostaria de saber se o Pixies e o Belle And Sebastian tivessem tocado no Brasil para 60 mil pagantes em estádio, se tivessem vendido vários milhares de discos, sem ter mudado uma nota no som, se continuariam a ser chamados de indies. Por isso tenho bastante antipatia do conceito de indie: não é um estilo musical, é apenas um egocentrismo de quem quer estar na vanguarda musical.

5) Costa Rica lembra virgens suicidas!!!

Abs

Paulinho Mesquita disse...

Repito a primeira pergunta do felipe.

de resto, não entendo muito dessas músicas. to mais ligado no sertanejo do goyaz. mas pra mim isso tudo é rock. mudam apenas as vertentes, não?

Vanessa Dantas disse...

Super Campbell deu uma aula! Agora já posso fazer parte da rodinha e conversar sobre o assunto (só esse) com toda propriedade!

Curtam o show!

Bj.

DB disse...

eram cinco? eram, ne? esqueci...bueno, entao aí vai a opiniao abalizada do Costa, para completar os cinco:
"killers não é indie nem aqui nem na casa do chapéu.

aliás, o indie morreu. e isso não é uma lamentação. longa morte ao indie!

Explica-se: na era da internet, com mp3 pra cá e pra lá, a corrida por um contrato com uma grande gravadora já não é o que norteia as bandas. indie era quem não se deixava guiar por esse objetivo, mas sim o de tocar um rock mais desleixado e mais autoral, digamos assim, tentando fazer algo original, nada a ver com o mainstream. mas agora surge música de tudo quanto é lado e uma banda de moleques como o arctic monkeys pode vender milhares de copias -- ou mp3 -- e ainda assim continuar com uma pegada ousada. sacou?"

valeu, costa!

Mário Coelho disse...

Como bem disse o Berna, the beat, indie é um rótulo nada coeso. Tudo pode entrar ali, e não apenas rock. Muitas das bandas consideradas indies hoje flertam ou são descaradamente eletrônicas.

Não entendo a raiva e a amargura do White Martins com relação ao indie. É uma mágoa porque muitos renegam o Iron Maiden?

Indie vem de independent. É só isso, bandas sem a retaguarda de uma grande gravadora. Com cada vez mais recursos na internet, troca de mp3s e tal, as gravadoras deixaram de ganhar fortunas às custas dos artistas. E, consequentemente, pararam de gastar fortunas em contratos com o próximo Nirvana.

Sonic Youth é uma banda indie até hoje. E não deixou de fazer grandes discos porque foi para uma grande gravadora.

Abs

Felipe disse...

A minha dúvida é: se o Sonic Youth assinar com uma grande gravadora e continuar na mesma linha de som, deixará de ser indie? Por isso que digo que indie nao tem a ver com som, mas sim com vendagem e gravadoras. E aí, nesse aspecto, ate uma banda de pagode pode ser indie. Nao tem coerencia musical o conceito.

berna beat disse...

sonic youth é a maior banda do mundo de todos os tempos. seja indie, noise, art-rock, jazzy, avant-garde ou o eskambau alado.