quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O sotaque de Brasília

A ideia deste post é tentar por fim a um dos mitos de Brasília...vamos la.

Não tá na cara como o TI da pequenina e heroica e adjacências ou o NH do MaranIao e Piaui, o S chiado do Rio, do Pará e de Pernambuco, nem o erre tão retoicido que faz som de i como em coitado (cortado) de sp, do sul e do interiorrrrr do Brasil.

O sotaque de Brasília tá ali escondido entre um A aberto, com um erre cerrado, um som agudo levemente nordestino no E e no O, como na palavra nórdéstina. O esse rasteiro como em Goiás e Minas.

Por estar ali entre Minas e Goiás, todas as frases das pessoas que moram em Brasília há muito terminam com uma entonação meio mineiro-goiana. Muitas vezes, engolindo algumas sílabas.

É incrível porque o povo da cidade tem orgulha de espalhar por aí que não tem sotaque. Uma amiga, esposa do agente fifa Viera Fernandez, me contou que a fonoaudióloga da Globo pede que atores e jornalistas da referida emissora tenham o sotaque de Brasília. E os adestra para falar como uma pessoa sem S, R, TI ou DI, sobressalentes.

Mas isso é uma grande balela.

No dia em que quase levo uma surra numa barraca aos pés do Índico, em Mozz, fui interpelado por uma brasileira. Minnha primeira pergunta a ela foi:

- Você é de Brasília?
Dai deu-se o diálogo
- Sou, como você sabe?
- Ué, pelo sotaque (aqui uma frase mineiro-goiana, com a interjeição e a entonação típica dos dois estados)
- Ué, mas dizem que o povo de Brasília não tem sotaque...

É que eu sou observador. Mais curioso do que observador.

Nào foi preciso nem ela soltar um "véi" para eu saber. O véi é o pronome de tratamento usado por quase todos os habitantes de Brasília. Se ouvires alguém dizendo véi desse jeitinho assim, pode perguntar se é de brasília, pq a chance é grande, véi...

Ainda tem os camaradas que acoplaram o fiii aa conversa. Fiii é a primeira sílaba da palavra filho, com a única vogal esticada para dar um tom mais malandro. Não é oriundo de Brasília, assim como o véi também não o é, mas é característico. Assim como quase tudo de Brasília, nada é de Brasília.

Me arrisco até a dizer que Brasília é um dos poucos lugares no mundo em que o sotaque pode mudar em um espaço de 25 km. Não tô me referindo aa distancia do Centro de Tradiçoes Gaucha na EPIA para a Casa do Ceará na Asa Norte.

To me referindo ao Plano Piloto e aas QNL. QNL, para quem não conhece e manteve-se interessado a este texto até aqui, é a Quadra Norte L, Fica na triplice fronteira de Ceilândia, Samambaia e Taguatinga.

Por causa da Northeastern Invasion, há um sotaque próprio nas satélites. É uma coisa um pouco goiana (só um pouco) com esse rasteiro, sem TI e DI da pequenina e heroica, sem r coitado, mas com uma forte carga nordestina.

Se você não é das QNL e adjacências, já pode ter reparado no jeito que o motoboy do sirviço conversa com a copeira, ou pegou um diálogo pela metade em uma caminhada no parque ou nos xopen, principalmente o Conjunto Nacional, ou como são as entrevistas na rua das emissoras de televisão.

Mas se você vai na Asa Sul. Para numa quadra de futebol daquelas e começa a bater um papo com os boyzinhos da região, vai sentir a diferença. Ali, a onda é falar com uma malemolencia dos moradores de ipanema, é colocar meu irmão (mermão) no meio de quase todas as frases, repetir as palavras "cachú", "facú", "bike", "dog", "sinistro" (com esse rasteiro) e por aí vai...
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Sou péssimo para sustentar minhas "teorias estritamente pessoais".

12 comentários:

Ana Rita de Holanda disse...

Muito bom o texto! Só uma pessoa de fora para poder fazer uma análise dessas...ADOREI! beijo, Ana Rita

Ana Rita de Holanda disse...

Adorei sua análise! Perrrrfeita (com sotaque da minha Brasília). Eu reclamo, mas adoro a cidade! bjo! Quero receber os feeds do seu blog. Como faço?

Ana Rita de Holanda disse...

Adorei sua análise! Perrrrfeita (com sotaque da minha Brasília). Eu reclamo, mas adoro a cidade! bjo! Quero receber os feeds do seu blog. Como faço?

K.P. disse...

Eu vivo dizendo que não temos sotaque. Meu marido, que é paulistano, insiste, morrendo de rir, que a gente não nota, mas o sotaque tá ali, característico. Eu digo que, então, tenho o sotaque William Bonner, pra encerrar a conversa. ;)

DB disse...

na verdade, ana rita, nem eu sei usar o feed. preciso dar um gas aqui neste blog para que os posts se transformem em tweet automaticamente e otras cositas a mas. por enquanto, vai tudo de forma artesanal: coloco o link no migre, de la, no twitter e assim vai! heheeh

Felipe disse...

Discordo de todo o texto. Não observo nada disso aí que você falou. Muito reducionista e estereotipado.

E a Ana Rita não sabe comentar.

RC disse...

Não noto muito sotaque em Brasília, não, mas "véi", "de boa", "tenso" e outros que tais me chamam a atenção. Outra coisa que tenho ouvido - não sei se ando nas companhias e ambientes errados - é "fiote".

Anônimo disse...

Véi e Fii é do Espírito Santo camarada. Carpixaarba.

Larissa disse...

O "não-sotaque" de Brasília pra mim é um sotaque muito característico. Mas isso de mudar dentro da própria cidade também tem aqui em SP. Zona sul e Zona norte são bem diferentes...

Vanessa Dantas disse...

Concordo com a Larissa. E discordo do Super Campbell.

Bj.

Ricardo disse...

É isso mesmo, vc é muito observador e tem um ouvido ótimo. E o mais marcante é que realmente os sotaques variam de acordo com a região da cidade, como vc percebeu.

Hungria/Marin-san disse...

na verdade,em brasilia não é 'véi' é 'véio'...em minas que é 'véi'assim como 'fíi' q eu nunk tinha ouvido em brasilia,mas assim q cheguei em minas gerais,encontrei sendo uma giria bem comum,como também o 'nuuuh' e coisas assim...mas é verdade q lá em brasilia temos mta giria e reduzimos algumas palavras...mas eu tbm nunk notei sotaque nenhum lá.Isso deve ser mais fácil pra quem tá de fora n-n...tbm,com tanta gente com sotaque óbvio q vai pra lá,fica dificil notar o nosso próprio^^