sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amaral Gurgel x Rêgo Freitas

Vicente de Sousa Queirós foi o primeiro e único Barão de Limeira. Filho de proeminente militar luso-brasileiro, Luís Antônio de Sousa Queirós, lá pelos idos de 1700 e uns quebrados cedeu terras aa província de São Paulo e foi vereador na cidade (Não necessariamente por causa disso).

Recebeu a distinção de Barão de Limeira. Repetindo: "O primeiro e único". Décadas mais tarde, como recompensa pelos imeeeensos serviços prestados aa população, deu nome a uma alameda no centro de S. Paulo. Homenagem idêntica a de seu pai, o Brigadeiro Luís Antônio. Hoje, eles jazem a seis quilômetros de distância.

Para chegar aa Vicente de Sousa Queirós, vindo do porção sul e leste da cidade, é preciso passar pela Luís Alves de Lima e Sousa, popularmente chamada de Duque de Caxias, aquele ranzinza. Pode-se alcança-la via Rêgo Freitas ou Amaral Gurgel.

Amaral Gurgel é uma das ruas mais filmadas e fotografadas de S. Paulo. Por seu estado decrépito e seu minhocão sobressalente, invenção de Paulo Salim Maluf (que só precisa morrer para receber uma via para chamar de sua), vive à sombra do progresso da cidade.

É o futuro da W3, de Brasília, mas um futuro armagedonico. Reduto de putas, travecos, imigrantes africanos, zumbies e trabalhadores braçais bêbados após jornada de 12 horas de labuta.

Sem sinalização vertical, é palco para discussões constantes entre motoqueiros e motoristas, que muitas vezes acabam em rápidas perseguições e xingamentos mútuos. Sem retorno, pede-se que entre na próxima aa direita pra que se possa voltar. Independentemente do sentido, o retorno é aas direita. Um erro ali significa mais algumas horas no tränsito.

Principalmente se a Rêgo Freitas estiver travada. Paralela aa Amaral Gurgel e de traçado idêntico, desemboca um pouco aa frente na Duque de Caxias. Só um pouco.

Antonio Pinto do Rêgo Freitas doou ao município parte de suas terras, onde hoje está compreendido o Largo do Arouche, ponto de encontro da baitolagem escancarada. FOi juiz, político e inspetor do Tesouro. Atividades semelhantes aa de Manuel Joaquim do Amaral Gurgel. Além de político e jurista, foi padre e jornalista - numa época em que jornalismo não era pecado.

É provável que tenham se encontrado diversas vezes na S. Paulo do século XVIII. Não exatamente onde seus nomes repousam ao som do tráfego ininterrupto do centro da cidade.

Na S. Paulo do século XXI, Gurgel e Freitas nunca vão se encontrar. A não ser que tirem de Duque de Caixas metade do que é dele hoje e dêem ao que foi desses paulistas de 200 anos atrás. O que é improvável.

2 comentários:

Felipe disse...

DDB também é história.

Seus textos tão cada vez melhores.

berna beat disse...

sensacional