Se por acaso eu estourar o controle na tela da tv e gritar igual a um mineiro preso em uma mina no deserto do Chile, é de raiva. Ódio. Rancor pelo avanço tecnológico dos video games.
Como diria Renê Simões, os novos video games estão criando monstros no sofá. Não me refiro aaquela velha historia de jogos de tiro que alienam os pobres meninos ricos (e pobres tambem) americanos.
Eu sou do tempo em que o video game nao tinha botão. Serio. Era so um pitôco igual ao de aumentar volume do som do carro. Era o telejogo. Jogava-se gol a gol e era emocionante fazer tabelinha com a parede para vencer o advers'ario. Havia, também, a modalidade 'paredão'.
Dali saiu o Atari. Grande Atari com sua simplicidade e suas linhas futurísticas. Depois eu pulei pro Master, Phantom, Mega, Nintendo 64, PS2, Wii e ha algum tempo ta rolando um PS3 aqui.
Para cada um desses consoles supracitados o nível de dificuldade dos joguinhos aumentava. Como essa história começou quando eu tinha uns seis ou sete anos, consegui me manter updated até o nintendo 64. Batia os níveis mais difíceis, sabia os truques e as manhas para pular de fases, dar dribles desconcertantes e inexplicáveis, ser campeão de tudo, tipo o Treze de Campina Grande...
Deste ponto em diante, os fabricantes resolveram tornar os jogos mais 'reais'. Os de tiro só faltam jorrar sangre pela tela. Os de carro não são mais simplesmente apertar um botão para correr e outro para frear. Os de hockey, que eu era craque no Mega Drive, estão impraticáceis para quem não sabe a regra, like me....
Até os de futebol...Eu era especialista em inventar esquemas táticos. Era capaz de jogar com Uzbequistão e disputar um campeonato emocionante até a final e ser campeão no nível mais difícil. Essa época coincide com a falta de coisas para se fazer na vida.
Com o PS2 o bicho já tava pegando para o meu lado. Passei a virar um pato morto no futebol. Achei até legal porque eu passava a disputar ligas inteiras da Europa e terminava em terceiro, quarto, que era novidade para mim até então.
Só que a coisa foi só se agravando.
No PS3, no quarto nível, eu não quero mais perder ou ficar em quarto. Eu quero ganhar. Ser campeão, para depois me aventurar com o Uzbequistão...Mas não tá rolando.
Tentei jogar a Copa do Mundo com o Brasil e perde sete em sete partidas contra a...DPR of Korea!!! PErdi mesmo: 2 a 0, 4 a 1, goleadas impublicáveis. É a tal realidade do video game. Realidade irreal. Que me fez desligar o video game sempre antes do jogo contra a Costa do Marfil.
Pensando no trauma que é para o Brasil ser eliminado tão precocemente em uma Cope de Monde, adotei a Holanda para iniciar minha redenção no video game. No primeiro jogo, perdi para a Macedônia (!!!) por 4 a 3. No segundo, ganhei da Islandia por 3 a 2. Joguei contra a Noruega uma vez e perdi por 3 a 0. Desliguei e joguei de novo e tomei de SEIS A ZERO.
Por muito pouco não estourei o controle na tela da tv de tanta raiva.
E pensar que tem um monte de gurizinho nerd, os monstros do sofá, desmoralizando os jogos mais avançados...
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