Garbarator é o nome daqueles trituradores de lixo que ficam no ralo das pias das casas americanas e cozinhas emergentes no Brasil.
O que você meter naquele buraco, será triturado por dentes de aço escovado em poucos instantes. Inclusive unha, cutícula, dedo, pedaço de mão, fimose e o que mais tiver no caminho. É uma maneira de diminuir a quantidade de lixo sólido, penso eu.
Pois no meu carro eu tenho um desses. Mas ele fica no espaço do toca-cds e só mastiga os compact discs. O som do unim é o maior triturador de cds da crack-o.
Ele parece ter um sensor de diversão. Quanto mais empolgado e distraído você está, cantarolando os hits do momento ao volante, maior a possibilidade de ele simplesmente parar de tocar. Como um jegue empacado, ele ...pfff. Emudece os cantores. Quantas vezes eu não fiquei cantando à capela nos refrões mais alucinantes do roque mundial? Incontáveis vezes.
Alguns minutos mais tarde, tipo doze minutos, ele volta para o começo da música. Não adianta mexer nos botão, porque ele fica cego, surdo, mudo e louco. Como um jegue empacado, num tô falando...
Há alguns sinais de que o garbarator do meu carro vai despombalizar. Por mais alto que esteja o volume, eu consigo ouvir um som vindo de dentro do aparelho de engrenagem trabalhando na contramão, quase como aquele barulho quando se dá corda a uma caixinha de música com bailarina em cima, sabe qual é?
Pois então. Esse barulhinho sublime precede a espanada da agulha do cd.
E é nesse coito interrompido frequente que ele, o som do unim, vai rabiscado as faixas, desafinando as guitarras, tirando as baquetas dos bateristas e tapando a boca dos vocalistas até os cds se deteriorarem.
E eu sou daqueles obsessivo compulsivo que, quando encasqueta com um cd, vai com ele até o fim da vida. Mesmo que existam músicas ruins naquele cd, eu o ouço até o final, sem trocar de faixas para encontrar a poesia de cada uma delas. Foi assim nos anos que morei no solar dos britos e tinha de enfrentar duas horas diárias de trânsito na megalópolis.
Eu sempre me obriguei a ouvir mais do que 10 vezes as músicas ruins, até memorizá-las para depois falar: "É ruim. Náo aguento mais ouvir". De modo que o garbarator do unim me ajuda, porque ele consegue empacar mais nas músicas ruins e/ou repetitivas do que nos hits. É o caso de westsuit, dos The Vaccines. A música é legal, mas o cd não precisa repetí-la oito vezes em uma trajeto de 20 kms. Nesse caso, eu me permitia trocar de faixa.
O que me entristece é que o som do unim não é como aqueles que eu tinha na pequenina & heroica. Vagabundos, que não podiam vir uma rua paralelepipeidada que eles se tremiam todo e nem as emissoras de rádio conseguiam ser sintonizadas. Nem as ruas da pequenina ajudavam, porque eram todas esburacadas e enlameadas. Lembro-me que desejava morar um dia em uma cidade em que não houvesse tantos buracos para poder, enfim, ouvir um cd em paz.
Mas, não, o garbarator do unim é original de fábrica, tocador de MP3, o que, teoricamente, o faria segurar qualquer desnível. Com mais de dois anos de uso, meu som já mastigou todas as notas musicais de quase todos os cds. Vou regravar alguns para sustentar mais 6 meses de músicas sem intervalos. Até eu mandar consertar o som, o que deve me custar mais que o preço que paguei nele.
Deveria fazer como o Fernandez, que comprou um som automotivo com entrada para USB e o buraquinho p2 <--> p2. Esse, sim, não treme nem que o truman capote.
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Um comentário:
Sensacional!
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