"Aliás, onde será que eu vou estar no próximo dia 29 de fevereiro?"
Foi assim que eu terminei o post ao passar pela última vez por essa data tão especial. Especial, porque 29 de fevereiro, como se sabe, não acontece todo dia. Nem todo ano. Especial, porque quem nasce nessa data já tem história para contar.
Para mim, especialmente, porque foi o dia que escolhi para me mudar para São Paulo.
Você pode até pensar: "Nossa, o tempo voou".
Eu digo: Não, o tempo não voa. Sou frontalmente contrário à tese de que o tempo voa.
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| Chakaltaya (BOL), em janeiro de 2009 |
Olha ao seu redor, veja o quanto mudou desde o último 29 de fevereiro?
O tempo costuma voar para quem vive no piloto automático. Pessoas que não tem por hábito ver o que há em cada fração de segundo, em cada átimo da existência.
Não é um defeito, apesar da definição aparentemente pejorativa que acabei de fazer. Eu até que gostaria de ser assim.
Mas, não.
Estou aqui observando, remoendo e ruminando o que se passa comigo e alrededor. Não dá para colocar em números a quantidade de eventos que me fazem crer quantas milhões de voltas o mundo deu em torno de mim entre um ano bissexto e outro. Vivi como um celular em roaming, buscando sinal a todo instante, o que faz gastar mais bateria, mas o mantém útil, mesmo longe de casa.
Arrisco até a dizer que é isso que torna as pessoas mais velhas, com mais cabelos brancos, mais ranzizas e descrente na possibilidade do sucesso da existência humana.
Quatro anos atrás, eu fiz um post cheio de esperanças, embalado pela empáfia da juventude, e acreditando cegamente no por vir. Continuo acreditando, protegido por uma certa couraça que o hiato entre os 29.02 me presenteou. E por esse motivo prefiro manter as esperanças em casa, ao lado de Catöta e Remela, exemplos vivos de eventos que mudaram minha vida nesse período.
E provavelmente estarão comigo no próximo 29 de fevereiro.
Aí respondo a pergunta de 2008 com a mesma pergunta: e eu? Para que banda estarei em 29 de fevereiro de 2016?

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