sábado, 3 de novembro de 2007

Final hollywoodiano

Conheço muita gente que saiu do cinema indignada após assistir filmes como Cachè ou Um Filme Falado.

A principal crítica é:
"Não entendi nada"

Um Filme Falado é português e tem até um final surpreendente, mas que não tem muito a ver - cronologicamente falando - com tudo que foi visto no filme até o momento em que o navio explode (ihhhh...contei o final!).

No francês Cachè, a sensação de que o filme não deveria nem existir é comprovada quando sobem os créditos. No meio do nada, o filme acaba. Tá na cara que o filme é interpretativo. Tudo bem, eu só fui entendê-lo depois que me explicaram com exemplos práticos, até porque eu (como sempre) dormi na metade do filme.

Os filmes americanos, no entanto, têm o costume de sempre ter um final triunfante. Estava para escrever que sempre todos os americanos têm o final triunfante. Mas acabei de me lembrar de Flores Partidas e Factotum, que também são altamente interpretativos, se não, contemplativos ou opinativos...

Mas eles são excessão. Geralmente, o bandido morre, o herói se salva, a mulher se casa, o cachorro volta a ser feliz com o dono e por aí vai... Esse tipo de desfecho é chamado pelos críticos como "final hollywoodiano".

Analisando os 57 ou 58 textos que já fiz aqui para este blog, percebi que em todos eu termino com uma frase triunfal.

E se eu acabar esse post se ela?

4 comentários:

Anônimo disse...

Um filme falado é realmente muito bom. Mas esse negocio de filme que nao tem fim as vezes eu acho que eles fazem só pra dar a impressao que é um filme bom. Tem filme que é dificil de entender só pra parecer inteligente. Mas muitos filmes com fim tbm sao muito bons, por exemplo, Dogville. Quer um fim melhor do que aquele?

DB disse...

Não acho, larinha, que os caras fazem filme sem final para parecer inteligentes. Eu vejo isso como uma forma de fazer o espectador participar da trama. Naquele uruguaio Whisky, por exemplo. É um filme meio monotono, que você sai do cinema e não sabe se o cara é casado com a mulher mesmo ou nao, assim como o irmão dele que vai visitá-lo. Ou seja, voce participa do filme tendo a mesma impresão do personagem. Mais ou menos como acontece em Cinemas, Aspirinas e Urubus.
A interpretação de filmes, livros, textos e afins é, na minha humilde opinião, baseada no tamanho da janela da sua própria percepção...

Anônimo disse...

Por isso que eu disse AS VEZES... não são todos

Felipe disse...

Concordo com a sua irmã. Tem filme que é interrompido no meio e os críticos estilo CB idolatarma o filme porque só eles "sacaram" a genialidade do roteirista. Lembro-me de um desses críticos entendidos ter ficado indignado com o Star Wars Episódio III porque o filme explicou muito explicitamente todos os vazios e lacunas existentes na trilogia nova que precisavam acontecer de uma determinada forma na trilogia seguinte (a original). Ora, o filme se propunha a isso. Cumpriu bem a missão.

E, sim, sou um ignorante completo em filmes. Tenho DDA e por isso não entendo muitas coisas e filmes. Sem contar que sempre rola um cochilo impreterivelmente do 22º ao 39º minuto. Fatal.