Ao dizer 'obrigado', o que você espera ouvir como resposta?
- De nada!
É uma réplica quase que universal. É assim em espanhol, em francês (e aqui entende de francês). Mas em São Paulo, a resposta costuma ser diferente:
- Magííííína!
É uma contração tipicamente paulista do "Imagina, não foi nada". Mas essa resposta só pode ser considerada "tipicamente paulista" se for pronunciada com voz anasalada. Acho que todo mundo daqui tem sinusite.
São Paulo é assim mesmo. Semáforo é chamado de farol. Carteira de motorista é carrrrta. Os paulistas sofrem do queísmo. Todas as perguntas têm um "quê" no meio:
- Como que é que eu chego na Barra Funda?
- Como que você pretende ir até lá?
- Qual que é a rua que você vai?
Quando vou lanchar, láááá no sétimo andar do prédio onde tô trabalhando agora, passo por uns janelões de vidro que têm como vista a Marginal Tietê. Nessas horas, dou graças aos céus por ser jornalistas e não estar nas ruas nos horários convencionais, o que os especialistas chamam de rush.
Tenho vontade de ficar uma meia hora só olhando para aquela avalanche coordenada de luzes vermelhas e brancas. Desde que cheguei aqui, coincidentemente, o recorde de engarrafamento é quebrado diariamente. Dia desses chegou a 250 e cassetada de quilômetros.
Dia desses, no ônibus fiquei listando as coisas a se fazer num engarrafamento. Terminar de ler um livro; ouvir todas as faixas de um CD (quem compra CD hoje?); cortar as unhas do pé... Me lembro sempre do meu amigo Da Silva que não conseguia ouvir uma música sequer quando saía do Monte Santo para o Edifício Rique, em Campina Grande, de perto que morava do trabalho. E de tão tranqüilo que era o trânsito.
Mas eu só ando a pé, faço um curto trecho de ônibus da Pompéia até a estação Barra Funda, e pego muito o metrô, um dos melhores lugares da cidade, com todo respeito.
Ainda não assimilei que tô aqui para ficar. A sensação que tenho é que vim fazer um trabalho aqui e depois volto para casa. Mais curioso ainda é que eu tenho a impressão que a minha casa é em João Pessoa (!!!!).
Antes que meus pais reclamem deste post, preciso esclarecer que são só impressões. Não corresponde aa realidade.
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Desculpe a demora para atualizar. Devo demorar ainda mais para voltar a escrever aqui, ainda tô em fase de adaptação. Conhecendo horários, fabricando novas rotinas, e tentando normalizar a internet em casa. Além disso, vou começar a evitar os textos em primeira pessoa, tipo o que está abaixo deste e vou tentar investir mais nas impressões, como essas, acima.
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9 comentários:
Se antes quando saía do Monte Santo para o Rique (no Centro)não dava para escutar uma música, imagine agora que saío do Alto Branco pra Palmeira. Moro num bairro colado ao que trabalho. Não existe o menor risco de pegar trânsito. Até porque descobri atalhos (dia desses me perdi). Não vou nem pela rua principal (a XV de Novembro) para não correr o risco de encontrar algum caminhão subindo a ladeira e atrase meu percurso. É por isso que desde que furtaram meu toca CD não comprei outro. Em contrapartida, estou desatualizado quando o assunto é música. Meu CD mais novo é o de The Calling, que muitas vezes curtimos juntos.
Sim, sobre a impressão de estar fazendo um trabalho pra voltar pra casa faz parte da adaptação. Talvez você passe o resto da vida em SP (o que eu não acredito) e vai continuar com essa sensação. Afinal foram muitos anos em JP.
Dizem que um dos mistérios de Nova Iorque é que qualquer visitante que chega na big apple já se sente um "local" em poucas horas. Por que será que São Paulo não passa a mesma sensação?
Quem é de outra cidade, não quer nem pensar em morar aqui. Quem mora aqui, sonha em viver em outra cidade.
E estamos falando da maior cidade do continente...
Hahaha
O Magííííína também serve pra quando a gente pisa no pé e pede desculpas hehe
Duas considerações de quem acabou de chegar (também).
a. o best seller do metrô é O Segredo. Impressionante...
b. e vc já reparou que o papo mais recorrente entre nativos é o caminho dos lugares? Você tá esperando o elevador e tem sempre alguém "ah, mas se vc pegar pela rua tal, pega pela brigadeiro e tá lá"
:P
Beijos
O (a) anônimo conhece as pessoas diferentes então. O que eu conheço de gente que adora morar em SP ou morre de vontade não é brincadeira. Eu mesmo adoro, e voltaria a morar aí sem problemas, mesmo gostando de Brasília. Mas concordo que SP é difícil mesmo. É tudo mega, né, as qualidades e os defeitos. Não tem meio-termo. Como no caso das pessoas que querem sair ou não ficar. Acaba sendo mais complicado de se adaptar.
Sei lá, sou suspeito para falar. Todo ano viajo pelo menos uma vez a SP, para pegar aquela balada, passar nos sebos, e sempre volto para casa com vontade de não ter ido embora.
Sobre as pessoas, lembro de um amigo comentando da verborragia dos taxistas e dos jornaleiros. Ia pedir uma informação e eles diziam a história do local, praticamente. Na noite, as pessoas são mais receptivas. O que eu fiz de amizades na balada não é brincadeira.
Enfim meu caro, boa sorte e muita paciência.
Chamo semáforo de sinaleiro.
São Paulo é uma meeeerrrdaaaaaa (e Brasília também)!!!!
Sem mais para o momento...
Só moraria em São Paulo para ganhar três vezes mais do que ganho aqui e para morar dolado do trablaho, podendo ir a ele de metrô.
Não preciso desse caos pra viver, graças a Deus.
Uma cidade que pára quando chove é demais para mim.
Absss
Aqui em SP não tem meio-termo: ou você AMA ou você ODEIA.
Bom, se precisar de algo, tô por aqui.
Ah! A vista das janelas do Estadão, realmente, não é das mais belas...
E essa Cris aí sou eu.
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