O que mais lamento agora é ter terminado de ler On The Road - Pé na Estrada ("A bíblia do movimento beat", segundo TODAS as resenhas), de Jack Kerouac, numa época errada.
Eu recém-desembarquei em São Paulo, com gás para trabalhar, fazendo 15 mil planos para a carreira, rascunhando projetos mirabolantes de jornalismo para os próximos dois ciclos olímpicos, procurando móveis para comprar...ao mesmo tempo, eu lia On the Road.
Pô, o livro é para ler nas férias. Nas melhores férias da vida, de preferência em meio a uma viagem de mochilão; sem saber onde você vai tomar café no dia seguinte; procurando por ruelas escuras e desconhecidas um barzinho tipicamente local para tomar aquela gelada e refletir sobre o resto da viagem...
O livro é bom. Eu é que não tava no ritmo dele.
Como bem disse minha companheira de trabalho (até aqui), Ana Clara, dá até um pouco de preguiça. O protagonista corta os Estados Unidos sem absolutamente objetivo nenhum quatro vezes nas mais de 300 páginas do livro.
A primeira, de carona, bem legal. Mas no final, ele se dá mal. Inclusive, é esta uma das passagens mais marcantes do livro, quando Sal Paradise, o protagonista e alter-ego de Kerouac, perambula pelas ruas de San Francisco morrendo de fome. Depois ele vai ao Alabama, New Orleans, Denver, até San Francisco de novo num carro. E volta também passando um perrengue gigantesco. Nao me lembro porque, mas ele atravessou os Estados Unidos até o méxico com o amigo dele, a razão de ser do livro, Dean Moriarty, de carro. Num carro f*dido. Engraçado é que ele viajava só com 50 dólares. Uma cerva era 10 centavos... O livro foi escrito em 1950 e publicado em 1957 em inglês.
Por estar curtindo outros ares, tive dificuldades para me concentrar na leitura e demorei exatamente dois meses e três dias para conclui-lo! Fiquei até meio p*to com Sal e Dean. Os caras representam, hoje, os mais legítimos parasitas sociais. Mas Kerouac tinha o dom de transformar em literatura a própria história da vida. Toda recheada de adjetivos.
Dizem que ele ficou p*to quando leu a primeira versão editada de On The Road, em 1957 e perguntou para a namorada:
- P*rra, para que essas vírgulas desnecessárias?
Kerouac escrevia sem ponto final, vírgula, parágrafo. Ele meio que vomitava toda história que tinha na cabeça. Daí, inclusive, o excesso de adjetivos e a ausência de informações "burocráticas" no texto.
A propósito, ele morreu aos 49 anos de cirrose hepática e morando na casa da mãe. Dean Moriarty é o alter-ego de Neal Cassady. Dizem, e isso eu li no wikipédia, que o cara é o inventor da putaria nos Estados Unidos. Jim Morrisson, aquele cabeludo do The Doors, me contou o wiki, queria muito ser Neal.
Foi ele quem começou essa história de sexo, drogas e rock & roll. Aliás, o rock não faz parte do livro. Sexo e drogas. Ponto. Tá bom já, né, porque na década de 1940 isso já era um absurdo. Me parece que Neal morreu aos 35 anos, de overdose, não me lembro mais dessa parte no wiki.
Anyway, the thing is...Voltarei a ler On The Road em uma situação mais oportuna. Assim que postar este texto aqui, início a leitura de Como o Futebol Explica o Mundo. Tem um pouco mais a ver com o momento que vivo.
On The Road já está separado para umas férias qualquer que eu for atravessar os Estados Unidos de carro. Sim, porque de carona, só em 1947 mesmo...
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5 comentários:
Vamos nessa. 30 dias, de Chicago, Illionois, a Santa Mônica, California. Passando pelo Grand Canyon, Oklahoma, Novo México, Kansas...
Ah, falando em livros, comprei um que estava na parte de lançcamentos outro dia... eu simplesmente folheei a comprei pela sinopse, que era algo como um cara que tinha de escrever um best-seller como forma de realizar o ultimo desejo do pai antes de morrer. Aí o pai morre e o cara se vê obrigado a fazer isso. O problema é que, a essa altura da vida, ele é um mochileiro viciado em haxixe que perambula pelo meio da Índia. Ainda não comecei a ler, mas me interessou deveras.
E chega aqui no fim de semana, que tem festa à fantasia com os DJs Felipe Campbell e Leandro Gavião - vou levar uma camisa do Iron para ele!!!
Abs.
Vou procurar esse livro! E quanto à viagem pelos Estados Unidos, aproveita enquanto vc tem parente morando lá (ou aqui)! Voce pode começar por Opa Locka!
Esse do "futebol explica o mundo" é legal. A exceção é o capítulo sobre o Brasil, quase inútil para quem leu "Futebol: o Brasil em campo", do inglês Alex Bellos. Mas o resto é bom.
Ei, bora fazer essa viagem no ano que vem? Mr Campbell, DB, quem mais?
Virei até marcador aqui, hein? Temos um karma empregatício, caro amigo. Duas empresas em comum, por enquanto. A repetição dos eventos realmente dá preguiça. Mas não me impediu de ler outros Kerouacs. O cara manda bem nos livrinhos de bolso hehe
Vamos tomar umas brejas qq dia, mano!
Beijo
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