sexta-feira, 7 de março de 2008

São Paulo em linha reta

Eu ainda acho que vai chegar o dia em que caminhar por uma grande cidade do país, como São Paulo, por exemplo, vai ser tão pitoresco quanto um safári nas savanas de Botswana. Inclusive com risco semelhante. O próprio governo não tem interesse em melhorar a segurança pública porque as grandes empresas particulares bancam as campanhas de quem tá no trono. Entre outros motivos, obviamente...

Enquanto esse dia não chega, aproveito para caminhar pelas ruas da minha nova cidade. Depois de duas baldiaÇões no metrô, desci na Estação Santa Cruz, distante 15km da Pompéia, bem próximo à casa de Brunão. Sob a orientação dele desci uma ruazinha chamada Pedro de Toledo até chegar na Avenida Ibirapuera.

A idéia era ir ao shopping almoçar e, em seguida, ir ao parque que dá nome à larga avenida e ao bairro. Aí começou minha aventura em linha reta. Desci por uns 3km a tal da Toledo até passar por cima da Rubem Berta, uma espécie de Eixão, que muda de nome três vezes e corta São Paulo de norte a sul.

Mais à frente, virei à esquerda e entrei na Avenida Ibirapuera.

Tem dois detalhes importantes nessa história toda:

1 - Desde sexta-feira passada, São Paulo está mais quente e seca do que nunca. Nesta semana, a umidade do ar chegou a 15%, qualquer semelhança com Brasília não é mera coincidência. O relógio no meio da avenida informava a temperatura de 33o. ao meio dia de quinta.

2 - Com a cabeça fervendo do calor, percebi que essa caminhada era inútil, porque não estava vendo nada de interessante nem conhecendo absolutamente nada de novo pelo caminho.

Por puro ogulho eu evitei pegar um ônibus para chegar ao shopping. Bom, desde a minha saída do metrô até a chegada na praça de alimentação foram exatamente 53 minutos de caminhada, o que deve dar aí uns 6km de chão quente deixado para trás.

Almocei batata recheada (as batatas me perseguem), peguei um livro e fui descansar na livraria. em seguida, joguei um futebolzinho no fliperama e retomei a caminhada até o parque Ibirapuera. O lance é que eram mais uns 4km e me rendi ao ônibus, que me deixou lá em quatro minutos (às 15h, na Avenida Ibirapuera os ônibus andam mais rápido do que os pedestres da Pompéia).

Por mais que tivesse a intenção de caminhar por todo o parque, já estava todo dolorido da caminhada antes do almoço e saí rapidamente do parque após percorrer a "reta curva" (aspas para Galvão Bueno) que separa um portão do outro mais próximo.

Ignorando o ácido lático latejando nos meus músculos enferrujados, resolvi caminhar em linha reta exatamente em frente ao portão de saída do parque.

Era uma tremenda subida. Subi, subi, subi, subi....

Chegou um momento que a subida parecia um trecho de montanha russa de Orlando, com dois loops e com o retorno de costas para a avenida...Aí me bateu uma vontade de chorar de cansaço, mas não tinha para onde ir, pq não fazia a mínima idéia onde estava. Perguntei a um taxista onde ficava a estação de metrô mais próxima e ele apontou para cima, em direção aos loops.

Subi, subi, subi, subi....E cheguei na Avenida Paulista.

Pelas minhas contas, foram uns 12km "de pés". Conheci pouca coisa ou nada mesmo. Resumindo, foram 12km de caminhada a esmo totalmente errada.

Ainda falta tanta coisa legal para conhecer aqui, mas agora eu só vou de metrô. Primeiro, porque não quero mais andar errado assim. Segundo porque São Paulo não é São José da Lagoa Tapada para poder caminhar incólume assim.

4 comentários:

Felipe disse...

A boa é que vc vai perder a pançolinha.

Unknown disse...

KKKKKKKKK!!!!!!!!
Sua aventura foi ótima Daniel!!!
E ainda me identifiquei com o "futebolzinho no fliperama", lembrando do dia em que espanquei você, Pantera e Magrones no shopping de Natal...

Toty Freire disse...

Rapaz, tu és um desbravador!!!
Abçs

Carol Rocha disse...

Meu Deus!! Que coragem!!
Do Ibirapuera à Av. Paulista? Cansei só de ler.