terça-feira, 1 de abril de 2008

Abegoária, Aspicuelta, Apinajés...

Não é uma característica apenas dos paulistas/paulistanos. Quem nasceu e cresceu em cidades cujas ruas têm nomes (aproximadamente 187 milhões de brasileiros) também tem essa qualidade.

Você bate um papo tranqüilo com uma pessoa quando ela te conta uma história que tem:

- ...de repente, quando dobramos na Aspicuelta, tava maior trânsito e decidimos voltar pela Abegoária mesmo!

Os moradores têm na cabeça o nome de quase todas as ruas da cidade, suas travessas, cruzamentos, paralelas e em que ponto elas mudam de nome.

Eu, (repetindo) sou paraibano, mas por 15 anos morei em Brasília, por isso minhas referências geográficas em uma cidade são na base de números. Mais ou menos assim:

- Tem uma pizzaria Dom Bosco na 108 Sul e outra na 306 Norte.

Ponto final. Vai andando pela Asa Norte. Ela começa na 2, depois vem a 3, a 4, a 5 e a 6. Sobe no Eixinho por uma entrequadra e faz o balãozinho para a direita. Acabou. Parece difícil, mas é uma questão de lógica. Não tem mistério. Vai lá em Brasília para ver.

Acho que só Ituiutaba e Palmas, a terra do meu amigo Samcrer, tem endereços assim, baseado em números. Aliás, acho que em Ituiutaba eles quiseram imitar Nova Iorque, porque lá é tudo Quinta Avenida, Terceira Rua... Já Palmas, é uma versão desorganizada de Brasília.

Quando morei em João Pessoa, minha casa ficava na Rua Rui Costa, número 560. Para explicar a algum visitante como chegar lá não bastava dar o endereço, tinha que passar um mapa:

- Na subida do Altiplano, vire aa direita na antiga Palavolo. Conte seis entradas à direita, minha casa fica na sétima, em frente a uma pracinha, antes do conjunto.

Sacou?
Acho que nem eu consigo mais chegar lá desse jeito.

Nessas cidades com ruas nominais, muitas vezes as referências são coisas velhas:

- Sabe onde ficava o antigo Sesc? Então, hoje funciona uma igreja lá, passa na frente dela. Aí você vai ver uma quadra de futebol abandonada, onde era a escola estadual, quebra aa esquerda e conta dezenove travessas até fazer o retorno em frente ao antigo Bar da Fava...

Os críticos ainda dizem que Brasília é fria e impessoal por causa dos números. Bom, mas no final das contas, quem mora em ruas com nome, tem que se ligar nos números. Na rua em que meus pais moram em Recife, é preciso informar em qual região fica o prédio porque a avenida tem uns sete quilômetros. Eles moram no prédio de número 27.000.

Bom, só para justificar o título deste post:

Apinajés uma ruinha paralela à de onde moro onde as próprias placas se confundem. Numa esquina é ApinaGés, na outra ApinaJés. Abegoária é a rua que se pega para chegar à Aspicuelta, na Vila Madalena. Os melhores bares de São Paulo, até onde vi nesse primeiro mês de morada, ficam na Aspicuelta.

É um nome legal, não é não: Aspicuelta, Aspicuelta, Aspicuelta.

Ah, é lá que fica o São Cristóvão, bar temático sobre relíquias de futebol. Se eu fosse rico abriria um igualzinho a ele em Campina Grande, só sobre Treze e Campinense...

7 comentários:

Paulinho Mesquita disse...

Minha aspicuelta ia pirar com esses endereços!
Viva as SQN SQS SHIS SHIN QI QL SCLN 212 408 707!!

Léo Alves disse...

Pra quem nunca morou em BSB é difícil entender a lógica dos números da cidade. Mas de lá lembro bem onde fica a Pizzaria do Boscão. KKKKKKKKKKKKK

Janaína disse...

Ou, saudade de Brasília e seus números lógicos e descomplicados. Confesso que demorei um tempinho pra entender, mas quando tudo fez sentido... tudo fez sentido!
Belo Horizonte é um ninho de guaxo em termos de ruas, até o próprio povo daqui se perde no centro. Aqui todas as ruas têm nome, alguns nomes se repetem, uma confusão!
Descobri há pouco tempo que há uma certa ordem no caos. Dizem que as ruas com nomes de índios (Tupis, Tupinambás, Caetés e tal) são em ordem alfabética, e que as ruas com nomes de estados são na ordem do litoral.
Agora, além de tudo o que já tenho que estudar, ainda tenho que aprender a ordem alfabética e a ordem do litoral pra verificar a veracidade da teoria!

Abraço, Daniel!

Felipe disse...

BRasília tem uma lógica cartesiana. Não tem como errar, depois que você aprende. Ou, se você erra, conserta sozinho. Como o Daniel disse, não tem uma rua com sete quilômetros aqui (a não ser que você considere os eixos, que não têm comércio nem casas, ruas, mas eles estão mais para vias expressas, já que ninguém mora por ali).

Ah, acho que em Goiânia também rolam números.

Lembro de ler, no Aqui-DF, ano passado, ainda editando a parte de cidades, uma história que em Ceilândia queriam colocar nomes nas ruas. Mas a população não quer mais, pois já acostumou.Mas lembro de ter lido, na mesma matéria, que os únicos lugares em que você não podem mudar os números por nomes são nas asas. Acho que até no Lago Sul, inclusive, neguinho, se quiser, pode mudar as ruas para nomenclaturas convencionais.

Mas nunca farão isso. A lógica é fácil. Se nego te dá um endereço tipo SHIS QI 23 conjunto 7 casa 8, você só precisa entrar no lago sul e ir na direção crescente. Chega na QI 23, você passa, um a um, os conjuntos. E depois acha a casa. É impossível errar.

Já se nego te desse o endereço tipo AVenida Fabio Bilica 24, bairro Pau do Alho, Zona Oeste, a situação complicava, ne???

Abração!!!

Anônimo disse...

Uma das coisas que mais gosto em Brasília eh que nao precisa explicar endereço. Onde fica? Fica na 305 Norte! Ah bom. E pronto.
Aqui em Ft Lauderdale algumas ruas tem nomes e outras numeros, embora eu ainda nao tenha decifrado a logica dos numeros. Pq junto de 17 Avenue, tem a 17 Way, 17 Court e 17 Road.... Apesar disso tudo, até que é bem fácil de andar por aqui, e olha que eu me perco muito muito facilmente.
Mas pra chegar na minha casa é preciso "ir até a bifurcação da Federal com a Sunrise, virar a esquerda na esquina da loja de pneus Good year, vira a direita na proxima esquina, e ir até o segundo quarteirão".

Anônimo disse...

Opa Opa Opa, muito respeito com a Megalópole Ituiutabana. Terra tão ilustre que lhe recebeu tão bem para uns doces na Tia Ita, uma piscina no Clube Beira Rio e um sorvete na Pracinha (entre a 22 e a 20).
Não é uma Nova York, mas chega muito perto.
E por aqui em Brasília continuamos com nossos números, indecifráveis para os de fora e tão lógicos para nós. Depois do 2 vem 3 e pronto, não tem dúvida, mas depois da Diogo de Faria vem a Borges Lagoa ??? E a lógica ???
O bom que na Vila Madalena é só chegar e nem precisa de um endereço certo para achar um lugar para tomar uma cerveja gelada.
Abraço

Pollyana disse...

Passando por total acaso (dos mais felizes!) visitei o seu espaço aqui e encontrei um conterrâneo!
Sou tb ´Paraíbana e achei interessante ter essas visões (até porque mesmo sem sair daqui as tenho igualmente!)

Pollyana