sábado, 5 de abril de 2008

Complexo de Campina Grande

Depois que morei em Campina Grande (1999-2002), fiquei com a impressão de que todos as cidades que visito que não têm praia são cópias da Rainha da Borborema.

Hoje, por exemplo, estou em Goiânia, a trabalho e depois de umas boas caminhadas pela Av. Anhangüera e outras de nome indígena, tive, mais uma vez, a impressão que a capital goiana se parece com a pequenina e heróica.

Ruas apertadas; muita gente disputando espaço nas calçadas; muito comércio informal e/ou familiar; congestionamento de carros de som com aspirantes a locutor de circo anunciando promoção de tecidos; paixão estridente pelo futebol local; bairros residenciais a duas esquinas do centro da cidade.

Tive essa mesma imagem quando fui a Joinville, Araraquara, Londrina, Franca, Anápolis, Ribeirão Preto. (Em algumas dessas cidades não tem futebol local...)

Brasília não conta.

São Paulo tem vários traços de Campina Grande, principalmente numa rua chamada 12 de outubro, na Lapa. Um motorista do trabalho ainda me fez o seguinte comentário:

- Essa rua aqui é maior bagunça. Também, né, só tem nordestino aqui!

Preconceito à parte, talvez essa seja a versão mais legítima das cidades brasileiras. Sobre isso (o estilo brasileiro), vou escrever mais para frente. Daqui dois posts, para ser mais preciso!

Ah, em Goiânia, existe, sim, ruas com nome de números, mas segundo o taxista Wescley (goiano adora nomes 'gringos'), elas não obedecem ordem alguma. A Rua 21 corta a Rua 4, que, por sua vez, segue pela 23 e vai parar na 3... Os bairros recebem o nome de Setor (Bueno, Oeste, Marista). A quantidade de mulher é visivelmente superior aa de homens por aqui. Elas também se destacam pela qualidade, com todo respeito...

Mais duas características marcantes percebi neste pouco tempo em Goiânia.

1 - Não há mais do que 100 placas informativas espalhadas pelas principais vias da cidade. Os próprios taxistas reconhecem que Goiânia é a cidade com o menor número de informações públicas - aquelas placas verdes localizada, geralmente, nos cruzamentos para informar que o Bairro tal fica aa direita, o Centro, em frente, e assim sucessivamente!

2 - Os goianos são magros de ruim. Não me refiro à sempre criativa e pitoresca culinária local, mas aa maneira de falar dos moradores. Eles engolem letras e sílabas e formam onomatopéias compreensíveis. Num bate-papo com um taxista sobre a terrível história da menina de 12 anos torturada por uma empresária, o camarada soltou essa:

- Nú...corroró, cávi!

Traduzindo:
- Nossa...Que coisa horrorosa. Nunca vi!

4 comentários:

Janaína disse...

Olhe, acho que esse taxista estava falando em mineirês...

Felipe disse...

Não à toa, quando fazemos barbeiragem no trânsito em Brasília, dizemos que fizemos uma goianada, e não uma baianada (como se diz em Sampa).

G. Fernanda disse...

Concordando plenamente com a Ira, acho que aquilo que ele disse está muito mais pra mineirês...

E olha que dos mineiros eu entendo bem... Afinal sou filha dessa terra boa... rsrsrs

Ana Clara disse...

Ah, Daniel, fala mais das onomatopéias! E diz aí, tem alguma coisa interessante nessa rua da Lapa? Gosto das coisas nordestinas de são paulo :p
Beijos