Uma cabeça se destaca no meio da multidão que passa instintivamente pela estação.
Ela se movimenta freneticamente, obedecendo ao movimento do corpo, que dança ao som de The Killers, no MP3, como um gringo bêbado em sua primeira vez no samba.
Os sem-expressão (até então) que cruzam por ele mudam de fisionomia e encaram a cena com natural estranheza. O que era uma cabeça quase careca comum no meio da gente vira um anônimo performático.
Quando a música acaba, ele, de rosto rosado, encharcado de suor, interrompe a dança, e segue andando normalmente até o pavilhão dos ônibus. Com um discreto sorriso de satisfação encobrindo a vergonha pela cena inesperada.
Por aqueles minutos, ele tem a sensação de que valeu a pena. Mas só naqueles minutos. Agora ele caminha ensopado, fedendo e observado por quem nunca o percebeu por ali, coisa que nunca quis.
Moral da história: não tem vergonha que interrompa a vontade, quando ela (a vontade) representa mais de uma coisa...
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3 comentários:
Killers é tão 2005... hehehe.
Já que nunca comento, saiba que leio todos os seus textos...
... mas só comentei nesse para dizer que estou de volta à família e reassumindo a camisa 10 como padrinho do Pedro. Seu "Looccooo AAAAbbbrrreeeuuuu!!!!!!"
Killers lembra Tim Festival!!! E é do caralho!!
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