Trabalho para um jornal cujo público alvo é o cidadão aspiracional.
São aquelas pessoas das classes C e D que vêem uma Ferrari na capa do jornal e o compra para alimentar seu sonho de ter uma Ferrari um dia. Aquele tipo de gente que compra livros com os títulos "homens felizes enriquecem juntos". Na palestra em que foi apresentado ao reportariado qual era o nosso público alvo, o chefe contou que o Brasil e o México são os dois únicos países onde um livro sobre monge e executivo figuram entre os mais vendidos.
São povos, acima de tudo, otimistas.
Saí da palestra pensando o quão difícil seria escrever para o tal do leitor que aspira ser rico.
Mais difícil ainda foi pensar no que eu aspiro para mim mesmo.
Ser rico com jornalismo já uma opção descartada desde quando pensei em ser jornalista, quando tinha 12 anos de idade.
Viajar o mundo para escrever sobre suas partes mais interessantes só seria possível se a Lonely Planet me descobrisse aqui, no meio da "blogosfera" e/ou da crônica esportiva.
Abrir um bar temático de futebol em campina grande poderia me causar uma cirrose hepática mais cedo do que o um possível lucro com o empreendimento...
Afinal, o que eu realmente almejo na vida?
Demorei algumas semanas pensando nisso.
Cheguei a conclusão que não cheguei a conclusão alguma.
Bom, já tenho um caminho pré-definido desde os 12 aninhos: ser jornalista.
É totalmente contraditório, mas ganhar a vida escrevendo é uma utopia realista (acabei de criar essa expressão). P*rra, os caras me pagam para escrever sobre o que eu gosto de falar.
Um grande amigo diz que o jornalista é o que ele escreve. A gente teve uma ligeira discussão sobre em qual lugar exatamente ele pode ser classificado pelo que escreve, num blog ou no jornal. Ele gosta de usar a palara stablishment e defendê-lo. Aí o debate girou em círculos.
Bom, mas eu almejo continuar escrevendo.
Eu não quero Ferraris, mansões em Miami, roupas caras, circular pelo up scale, como os colunáveis gostam de dizer.
Quero estudar fora e ser professor, também. Quero ser um professor que eu nunca tive e que, por isso, me transformou em um dos piores alunos do eixo João Pessoa-Brasília, entre os anos 80 e 90 do século passado.
Mas, principalmente, quero continuar me distraindo enquanto escrevo (assim na terra como no céu).
Sem demagogia, aspiro ser menos preguiçoso e ter a humildade de aprender mais sobre as coisas que eu sempre quis saber (mas tinha preguiça de procurar saber), e reconhecer que nem sempre eu tenho a razão.
Nem mesmo quando eu tenho certeza que estou certo. Como agora...
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4 comentários:
Teu texto poderia se resumir à seguinte frase: "Só sei que nada sei". Mas, fundamentalmente, a gente tem que se divertir para fazer um bom trabalho. Não consigo imaginar como tem gente que trabalha sem gostar do que faz. Usando outra frase, d'O iluminado, "All work and no play make Jack a doll boy".
Talvez meu comentário não faça sentindo algum. Mas dá um desconto né, são quase 6h...
Aspirar pra quê, meu irmão?
Vamos viver que as coisas acontecem...
Bicho... uma das melhores crônicas já lidas neste humilde espaço. Até você confessar que queria ser professor... Tá louco meu irmão? Professor é a profissão mais sacaneada da humanidade. A molecada joga papel, coloca apelido, toca o terror... e você ainda ganha um salário de fome pra isso. Mas... pelo que eu te conheço, nem mesmo a remota possibilidade de enriquecer esculpindo as palavras causa desânimo na sua humilde pessoa. O importante é ter dinheiro para as cervejas e para as contas. Nada mais.
Sem mais para o momento
Adorei o texto.
Tbém não sei muito bem o que quero, mudo de opinião meio rápido.
Mas sei muito bem o que NÃO quero.
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