segunda-feira, 25 de maio de 2009

O mito dos cinemas de São Paulo

Tenho certeza que o Unibanco não precisa da bilheteria de Anjos & Demônios para sustentar o cinema que carrega seu nome no Shopping Bourbon, da Pomps, a 123 passos da entrada do Ed. Cabo Frio.

Um cinema que ostenta o nome de um dos maiores bancos do país, cuja família proprietária, ou ex-proprietária, faz filmes que se esquivam de todas as maneiras do lugar-comum, não precisa encher sua grade de exibição com filmes popularescos.

Além desse blablabla de Dan Brown, estão em cartaz atualmente:

- Divã;
- X-Men: Wolverine;
-Monstros vs Alienígenas;
- Star Trek;

Na boa, eu não pago para ver isso aí.
Alias, não iria nem de graça.

Estou longe de ser um cara avesso aa cultura de massa, muito pelo contrário: assisti a todos os filmes de jim carrey e os considerei inteligentes; levei minha namorada para ver homem-aranha (há uns quatro anos...ou mais); não entendo filmes que ganharam Oscar e Palma de Ouro (Gomorra e Onde os fracos não tem vez, so para citar um de cada) e otras cositas a más...

Mas existe o limite para a falta do que fazer.

O Espaço Unibanco Pompéia é um belo cinema. Salas grandes, com poltronas confortáveis, cama vibratória, espelho no teto, ar-condicionado educado e otras cositas a más...

A sala 10 é ultra-especial. As poltronas são de primeira classe do melhor avião da British Airways, ou da Emirates. Há apenas 60 lugares, mas ao fundo, lá em cima, existe um sofá superlativo com almofadas felpudas para os que chegaram atrasado e não conseguiram um lugar casado para se abraçar aa namorada durante a sessão.

Ali só passa filme legal. Filme que, esse sim, não 'dá de cumê' (para usar uma expressão paraibana) ao orçamento do Unibanco. É de qualidade mesmo. Nadas a vê com quantidade. Devia ser ponto obrigatório aos turistas cinéfilos em passagem por São Paulo a visitação e usufruto da sala 10. O preço do ingresso é o mesmo das salas normais, R$ 18.

No Shopping Cidade Jardim (onde soltaram o leão lá dentro e ele fugiu morrendo de fome, porque não encontrou ninguém para arrancar pedaço), por exemplo, tem um cinema estilo Emirates 1a. class mas a meia entrada custa inacreditáveis R$ 30. Para ver o mesmo filme que se assiste por R$ 8 em algum buraco na Paulista.

Voltando aa sala superlativa do Unibanco Pomps, ela tem o problema de horário. Os melhores filmes estão no meio da tarde. Como o documentário Vocês, os vivos, ou Impor Export. Bueno, eu acredito que esses filmes sejam bons. Mesmo que saia da sessão com a cara amassada de sono e sem ter entendido patavinas, só pela intenção já podem ser considerados melhores que os citados no começo deste post.

Com as sessões em horários para desempregados ou estudantes universitários, fica a sensação de que os filmes off the mainstream servem mais desencargo de consciência da parte cinéfila da família Salles. Se é que eles mandam em alguma coisa na programação.

Mas serve também para desmistificar essa história de que "em São Paulo é que passa filme bom a toda hora". Balela.

O HSBC, o Bombrill, o simpático (e artesanal) Gemini, o próprio Unibanco da Augusta pecam pelo excesso. Tem filmes bons com a mesma quantidade de filmes horríveis. Por ter um público muito grande, gente para ver de tudo, o filtro é mais complacente com todo tipo de gosto e é fácil cair em armadilhas: como uns filmes italianos que vi no ano passado.

Outra coisa: eles fizeram do cinema o que os americanos fizeram com os ginásios da NBA e os bandidos querem fazer dos estádios de futebol no Brasil. Vão dando nome de empresas aos locais, só para fazer a gente de besta. Porque se Unibanco ou HSBC quisessem de verdade apoiar a cultura, não cobrariam ingresso. Que utopia, não? Eles estapam a marca, cobram caro, nos fazem pagar pelo incentivo deles ao cinema e nos incutem a ideia de que eles são, realmente, apoiadores do cinema.

Você que não mora em São Paulo deve estar pensando 'Bom, então vai procurar outro cinema'. Aí é que tá: os outros 48 lugares onde tem (mais 180) salas de cinema só servem para passar X-Men, Xuxinha e o Guto, Ópaí, ó, e otras merditas a más...

Para melhorar a safra, só depois que acabar o verão lá no hemisfério norte. Porque acabam as férias e americanos e europeus voltam a pensar em filmes com conteúdo e não só bombas e efeitos especiais para as férias de meio de ano.

8 comentários:

Paulinho Mesquita disse...

filme bom, pra mim, é o que me diverte.

Felipe disse...

Tu é um chato!!! O Wolverine e o Star Trek sao os unicos filmes em cartaz para os quais eu me daria o trabalho de sair e casa para assistir a. Dê graças a Deus de que essas maravilhas do entretenimento mundial estão acessiveis num lugar confortavel.

Abs

Vanessa Dantas disse...

Daniel!

Assisti "Vocês, os vivos" na sala 10 do Pomps, domingo, dia 17, num horário comum. A sala realmente é a melhor que eu conheço entre as que me proponho a pagar. Há tempos eu não ria tanto - é uma baita tiração de sarro dos sonhos, entre otras cositas más... Vá, vá, vá!

No mais, só mesmo nos cinemas da região da Paulista encontro as opções que se adequam ao meu gosto cinéfilo.

Duro de Matar? Confesso que fui uma só vez, pré-estréia, por amor! Me recuso a pagar para ver esse tipo de filme! Pois é, mulher apaixonada faz cada coisa... até assistir Homem Aranha... ;o)

Beijo.

Felipe disse...

Tenho os quatro duro de matar em casa. Já os vi e revi várias vezes. Há cenas históricas.

"ho ho ho... Now I have a machine gun".

E ele queimando o avião no segundo filme, na cena final.

"I hate negger" grudado no peito e caminhando no meio do Harlem em NY no terceiro filme.

E o moleque sacaneando o Bruce Willis porque ele está ouvindo "Creedence" no carro também é muito bom.

Vanessa Dantas disse...

Ok, ok, Super Campbell, confesso que não foi tão ruim assistir Duro de Matar 4, e 'quase' pulei da cadeira do cinema numa das cenas. Mas só fui porque era pré-estréia (adoro o gostinho de ver antes de todo mundo!) e estava apaixonada pelo moço da época... No fim das contas, foi um programaço!

Só acho improvável repetir a dose, mas claro, isso depende da companhia!!!

Beijo.

Mário Coelho disse...

Os caras querem ganhar dinheiro com mais contas abertas e não com cinema!

Vanessa Dantas disse...

Esse post inspirou o meu último - PRO DIA NASCER FELIZ. De quebra, fiz propaganda do seu blog. Justo, justíssimo! Passa lá! Bj.

Madame Mim disse...

No cinema do Unibanco daqui estava passando o documentário da FIEL.
Tanto a sala qto o documentário são excelentes.