quinta-feira, 28 de maio de 2009

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Prólogo
Por volta de 15h, quando o bolo alimentar já percorreu os trinta quilômetros de tripas/intestinos e se enfileirou no reto pedindo para sair, é hora de pegar o jornal e subir para o sétimo andar do prédio onde eu trabalho.

Por ser o andar mais alto, sem nenhuma repartição funcionando na redondeza, o banheiro é o mais limpo e tranquilo. E espaçoso também.

São sete cabines com privadas frias e, consequentemente, intactas. Rolos completos de papel higiênico, lixo vazio e água transparente.

Quinze horas é um horário bom, porque já passou o pico do almoço, o pessoal já está voltando ao ritmo normal de trabalho, então tenho sossego no reservado.

Eu preciso do sossego. Veja porque, abaixo:

Cena 1
Uma visita rápida ao banheiro do Terraço Shopping vi um maluco mijando (ou fingindo que estava). Entrei na cabine, tudo ok. Quando saí, o peguei no contrapé saindo de frente da porta da minha cabine, fingindo naturalidade. Ele percebeu meu espanto por estar tão perto da merda, e saiu aos pulos pelos corredores do shopping. Eu fiquei sem reação.

Cena 2
ParkShopping. Pela frestinha da portinhola, bizolhei um doidinho examinando outras portas. Em alguns segundos ele chegaria aa minha cabine. Travei a psileuma, a válvula que fatia o bolo alimentar, e saí disposto a brigar. Mas o tempo de me recompor foi o suficiente pra o camarada desaparecer do banheiro.

Comentei com amigos e alguns me relataram situação idêntica ou pior nos banheiros do Pátio Brasil, no centro de BRasília. Lá parece que a putaria é oficializada, com direito a comilança e tudo mais dentro das cabines. Jamais entrei em um banheiro do Pátio.

Cena 3
Um frio na espinha me apanhou de surpresa no meio de uma nevasca no Canadá. Não era por causa dos nove graus negativos que assolavam Toronto naquele momento. Era o magma pastoso se locomovendo em direção à porta de saída. A movimentação frenética das placas tectônicas me faziam tremer nas bases. Corri ao Eaton Center, shopping dos turistas de Toronto, o banheiro era acanhado e incoveniente porque as portas eram de vidro embaçado. Quando menos espero, vejo uma pessoa de pé defronte ao vidro da minha portinhola.

Interrompi a produção de merda, biquei a porta com força e gritei:

- Ei, filhodaputa!!!!!!!!
(em português mesmo)

Ao sair da cabine, procurei avidamente por um louco de camisa xadrez azulada e sapato laranja claro, meio marrom, pelo Eaton, mas não o encontrei.

Cena 4
Três anos depois, estava no Colombo, centro de compras de Lisboa. Fui fazer um stop 'n go. Junto à praça da alimentação havia um banheiro calmo, longe do fuzuê do shopping que fica ao lado do famoso Estádio da Luz, do Benfica. Lendo meu guia de viagens, sentado em trono esplêndido, vejo um vulto pela fresta da porta. De novo. As três cenas citadas acima me passaram pela cabeça em flashs de meio silésimo de segundo. Me lembrei do Pátio Brasil também. Me ocorreu a idéia de chutar a porta e chamar para brigar. Fui o mais rápido que pude no asseio para flagrar, finalmente, um filhodaputa que bisbilhota pobres mortais cagando humildemente. Deus é grande e nunca me deu essa oportunidade.

Epílogo
Estou sendo obrigado a mudar meu planejamento.

Ontem foi o quarto dia seguido que subo ao sétimo do prédio onde trabalho e as sete cabines estão ocupadas.

Quando leio 'ocupado' em todos os trincos das portinholas, me bate um desespero, até uma certa vontade de chorar, porque eu vou ter que ir a um banheiro qualquer, sujo e movimentado nos outros andares e acompanhado dos fantasmas dos banheiros de shoppings.

6 comentários:

Paulinho Mesquita disse...

vai se tratar, mlk!

Felipe disse...

Eu já fiz tanta merda no mundo todo que não tenho nenhuma exigência em termos de higiene não. Onde der pra fazer uma cagada, eu vou feliz. E te digo: sempre saio sorrindo com um sorriso de orelha a orelha. Cagar é uma das melhores sensações que o ser humano pode ter. Agora mesmo, acabei de cagar, depois do amoço e, após contemplar a obra-prima que se desenhou na lousa da privada (saiu tipo um bolo fecal montanhoso e pastoso, típico que você caga depois de uma bebedeira - o que não foi o caso).

Eu cago em dois tempos de manhã. E te digo: o alívio catársico que sinto depois de uma bela cagada é indescritível.

Viva a merda!!!

Felipe disse...

Ficou mal construído ai em cima:

Agora mesmo, acabei de cagar, depois do amoço e, após contemplar a obra-prima que se desenhou na lousa da privada (saiu tipo um bolo fecal montanhoso e pastoso, típico que você caga depois de uma bebedeira - o que não foi o caso), tive a mais cristalina certeza que minha tarde de labuta será mais suportável.

RC disse...

É preciso silêncio absoluto.

Ederson Marques disse...

Caracas, nunca vou usar banheiros de shoppings em Brasília... tenha fé... kkkkkk

Madame Mim disse...

Por que é que todo homem gosta de assuntos escatológicos?