quinta-feira, 14 de maio de 2009

Por linhas tortas

Parado no trânsito em alguma pista tipo um elevado, um viaduto, uma ponte ou alguma coisa suspensa lá pela Zona Norte do Rio de Janeiro, me flagrei lendo a pichação acima da janela de três casebres geminados.

"O que voce far"

O trânsito, como já disse, estava lento, a leitura seguia no mesmo ritmo:

"...ia se nao tives"

Tava meio complicado emendar as palavras separadas pelas casinhas:

"se medo?"

Para ser mais honesto, só depois de emendar as três partes e transformá-las, meio que automaticamente, em uma frase - como se estivesse fazendo uma daquelas palavras-cruzadas gigantes - que assimilei a mensagem. Isso foi há quase um ano.

Perguntei ao taxista como se chamava aquela favela. Ele disse que era um lugar conhecido como "Vila do João" ou era "Morro do João", sei la. E acrescentou: "O bicho pega ai dêntru, maluco!!".

Bueno, então juntando a forma da frase com o conteúdo da informação, a frase tem um um super significado, não é verdade?

Embaixo de um viaduto aqui na Barra Funda, perto da Pomps, algum pacifista escreveu em volta de um pilar, com letras grandes: "Odeie o seu ódio".

Lendo assim, tudo junto, é até meio besta. Mas, dentro de um ônibus cheio, parado no trânsito, puto da vida com qualquer coisa, você passa até a pensar que aquela mensagem tinha endereço certo.

Hoje mesmo, voltando para casa, procurei pela mensagem, só a vi pequenina, em letras arredondadas, no pé do mesmo pilar. Meio besta.

Me lembrei da história de Luís Fernando Veríssimo na Copa de 2006. Depois de mais de 30 dias acompanhando a SeleÇão pela Suíça e Alemanha, ele já não tinha mais livros para ler e não aguentava ler o Financial Times, único jornal legível servido no café da manhã dos hotéis onde ficou. Na falto do que ler, ia ao banheiro para ao menos soletrar 'hot' e 'cold'nas torneiras da pia e do chuveiro. O grande lance é que ele escreveu uma crônica sobre isso. E publicou n'O Globo!!

Mas, falando em banheiro e a mania de ler por linhas tortas, nada supera o que li na cabine do banheiro do último andar do prédio onde trabalho.

Antes de escrevê-la aqui, uma explicação: sabe como é porta de banheiro, né? Um monte de putaria, desenho de órgãos genitais das mais variadas espécies, troca de provocações e xingamentos entre torcidas rivais e do mesmo time, mural para recados sexuais e otras cositas más.

Na porta que vi dia desses, espremido entre toda essa esculhambação resumida acima, fisguei a seguinte pérola:

"se eu t
ivesse

d

oi

scus

euc

agar

iama

is

ra

p

ido
"

Ah, obrigado por informar!

9 comentários:

Astier Basilio disse...

ahahahahahahah
genial

Felipe disse...

Daniel, te pergunto: cão que late em mar late em terra?

Ah, Seu Cuca mandou um abraço!!!

Paulinho Mesquita disse...

auehueaheuaheue!!

melhor é a lendária na porta de um banheiro de universidade (não me pergunte qual) que diz: "enquanto você está cagando, tem um japonês estudando"

Felipe disse...

"Quando eu estou cagando, eu sinto uma coisa profunda. A merda bate na água. E a água na minha bunda"

Unknown disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

GENIAL!!!

Andrea disse...

rs rs ...otima !!!!

RC disse...

Eu conhecia essa aí de cima em outra versão:
Cagar é uma coisa bonita
Cagar é uma coisa profunda
A merda bate na água
E a água bate na bunda.
-
A métrica é melhor, não há como negar.

Mário Coelho disse...

Odeie seu ódio? Será que foi a Ana Clara que fez a pichação?

Samir Mauad disse...

"AME SEU AMOR"