sábado, 23 de janeiro de 2010

Mas como eu ia dizendo...

Nutro uma admiração por aquelas pessoas que conseguem se desligar do mundo e se concentrar somente naquilo que estao fazendo. O chão pode se abrir, trombas d'água desabarem, qualquer tragédia, e o cara está la, impávido que nem Cassius Clay.

É justamente porque eu não tenho essa característica. E cada vez mais me faz falta.

Neste exato momento, mesmo. Abri a caixinha de texto do blogger para começar a escrever, mas fui dar uma olhada na janela para saber o que o porteiro fazia embaixo do meu prédio (acabei de descobrir que o apartamento 203 está com vazamento e o registro de água terá de ser fechado), lavei a faquinha guinsu para descascar uma laranja, chequei meu email, li uma matéria sobre Robinho no UOL e voltei para este texto aqui...

Toda a ideia que tinha sobre distúrbio de déficit de atenção foi-se neste ínterim.

Bueno, mas como eu ia dizendo, as coisas começaram a fazer sentido para mim quando descobri que preencho os requisitos de um portador de DDA. Tá explicado porque eu nunca conseguia assimilar a maioria das coisas que rolava na sala de aula, ta explicado porque eu tenho que anotar as coisas para memorizar, tá explicado porque eu não posso ir ao cinema lotado, nem consigo ler mais de 50 páginas de um livro em um dia...

(Acabei de me levantar para beber água e escovar os dentes. Me lembrei que iria comer uma laranja)

Retomando...

Essa história do cinema é (ou já foi) um grande causador de brigas com anapô. Ela quer porque quer ir ao cinema no sabado aa noite. Para mim, só se fosse para não ver o filme. Se tiver alguma pessoa cochichando, mesmo que discretamente, ao lado, na fileira de trás, da frente, lá na ponta, toda minha atenção sai da telona e vai diretamente para o papo. Por isso, cine so antes da sessao das 18h, antes que começa a ficar lotado.

Na repartição é do mesmo jeito. Sempre quando falo ao telefone abro os dois ouvidos, um para o camarada que tá do outro lado da linha e outro para o que rola ao meu redor. O que é mais legal é que eu não consigo prestar atenção nem em um nem no outro papo. Geralmente o do telefone é mil vezes mais importante. Bem legal, nao?

(Fui à mochila conferir se havia pago a conta do celular. Sim, paguei)

Mas como eu ia dizendo...Tem um pouco de excesso de curiosidade, também. A primeira vez que parei para pensar que poderia sofrer desse mal foi assim:

Estava dirigindo, falando ao celular com numseiquem. Parei no sinal e vi dois caras conversando enquanto o sinal para pedestres estava aberto. Mas eles não atravessavam a rua. Simplesmente bloqueei da mente tudo o que era dito pela pessoa com quem conversava no celular e passei a ouvir o papo dos caras. Eles falavam de um churrasco na casa de fulano, que sicrano tava querendo ir... Um papo completamente desinteressante. E eu fiquei ouvindo aquilo. Nào podia ser normal. Dr. Google me ajudou.

(sentei no sofá e fiquei bebendo água, olhando para o nada)

Mas como eu ia dizendo...(acabei de mudar o título pela quarta vez)
Livro é um verdadeiro teste de paciência. Um dia cronometrei. Li 10 páginas em meia hora. Pode ser que eu não demore tudo isso, porque como sabia que estava cronometrando, ficava mais ligado no relógio do que no enredo.

Eu tenho que estar em um lugar isolado, sem TV, internet, telefone, sem ter passado por emoções recentemente, para manter a cabeça livre para receber informacões adicionais. Uma tática é meter o walkman (!!) no ouvido e desligar-se de qualquer outro ruído ao redor.

A música acaba virando uma mensagem sublimar e vira um complemento ao livro. Porque quando eu a ouvir novamente de novo outra vez, vou lembrar de certos trechos do livro. Norman Mailer, por exemplo, está diretamente ligado a Jimi Hendrix. Creedence a Hemingway; Muse a García Marquez...

Depois de checar mais uma vez e criar uma lista de amigos no twitter, encerro por aqui este texto.
(vou tomar banho logo antes que fechem o registro. Depois eu como a laranja)

4 comentários:

Helga disse...

Fantástico!! Então somos dois. :)

Esse tal de DDA só fui descobrir recentemente. E só fui finalmente lembrar de ir atrás mais recentemente ainda. O psíqui me mandou fazer teste de atenção no neuro. Espero que seja detectado. Pq sei que tenho isso, só fica difícil provar.

Sim, é uma merda sem tamanho. Ando precisando estudar pros meus concursos, mas quem disse que consigo?

Lara disse...

Walkman é muito ultrapassado. O negócio agora é discman!

Paulinho Mesquita disse...

ahahahahah
moleque doente!

Unknown disse...

hahahahaha eu tb tenho!!!

eu tb fico escutando a conversa dos outros. Na redação eu fico no telefone, mas com os ouvidos atentos a tudo ao meu redor kkkkkkkkkkkkk

coisa de gente doente!!

se serve de consolo: Um montão de gente é assim hahahahaha