sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

From out of nowhere

Em momentos como esse eu até penso em dar razão aa China.

Abro meu gmail dia desses aí e em vez de minha caixa de entrada está lá o google com uma faca afiada apontando para o meu pescoço:

-Bem-vindo ao Google Buzz! Você já tem 22 amigos adicionados. Edite seu perfil aqui. (se não quiser o serviço, digite sua senha oito vezes e diga mytzplick de tras para frente).

Nesse negócio de internet, quem não sabe as novas idiomatic expressions corre o risco de ser ridicularizado em uma mesa de bar (todo mundo tem um amigo mané - ou mais). Dia desses me apresentaram ao Google Wave. Fucei, mexi, revirei e não achei nada demais. Nada demais para o que eu espero da internet.

Recentemente, aderi ao twitter e desde entÀo tenho exercitado todo meu poder de síntese transformando posts imensos em frases de 140 caracteres (ou menos), daí o abandono a este espaço. Mas demorei a entrar no twitter.

Considerava que não seria importante, uma vez que já tenho facebook, orkut, faço parte de três (1, 2 e 3) blogs e tenho um fotoblog.

Aí vem o tal do google buzz e toda sua invasão de privacidade, me indicando quem são meus amigos, quem eu poderia adicionar, quem já me adicionou antes mesmo de eu aderir ao programa.

Fui ler sobre a invenção. O google com toda sua sapiência chegou aa conclusão que as pessoas entram primeiro no gmail antes de acessar aas tais redes sociais (orkut, facebook, twister). Daí no meio daquele escritório disneyland entre uma partida de totó e uma rodada de poker, os gênios da raça tiraram out of the blue:

- Vamos desbancar todas as redes sociais, inclusive a nossa (o orkut, lugar onde está explicado todo o absurdo da existência humana), e vamos fazer uma que seja acessada juntamente como gmail, antes de twitter ou facebook.

Surgiu o buzz. Devem ter feito um concurso interno para escolher o nome mais criativo, o ganhador faturou passagens para a praia de Phi Phi ou Waimea com acompanhante. Cortesia do Google Adwords. O pessoal do departamento de assalto aa privacidade começou a trabalhar.

Eles pegaram minha lista de contatos (tudo sem minha autorização) e a redistribuíram para quem pudesse ter interesse em ser meu amigo.

Nessa onda entrou um maluco com quem eu faço questão de não conversar; amigas de Anapô com quem eu nào tenho (e nem quero ter) a menor intimidade; um repórter do jornal de Toronto com quem já troquei informações quatro anos atrás; um cara que participou do mesmo campeonato de video-game uma vez na vida e que nem sequer jogou contra mim; uma garota com quem dividi o ambiente de trabalho três anos atrás mas não sei nem qual é o timbre da voz dela (mas tenho o email dela, vindo em uma lista de discussões); um cara que parei de conversar porque ele não respondia a emails; uma ou duas ex-chefes; o primo em segundo grau de um primo meu...

Claro que isso nào é só um 'privilégio' do google, o Facebook já veio com esse de me apresentar amigos. Ele não entende que não é porque eu e uma pessoa qualquer temos oito amigos em comum que nós necessariamente precisamos ser amigos.

O facebook, em um ato de cinismo, se aproveita de sua burrice informatizada e ainda sugere:

- Há tempos você não conversa com Fulano. Chame a atenção dele clicando aqui.

Peraê, além de me indicar amigos o facebook quer indicar com quem eu devo conversar? É isso mesmo?? E outra: ao retirar da página inicial alguns anúncios publicitários o facebook ainda me pede para que eu justifique:

- Você excluiu esta publicidade por que?
a) desinteressante
b) repetitivo
c) desnecessária

Falta colocar uma letra d) não te interessa! ou e) pq eu to a fim de excluir tudo do facebook!.

Bueno, mas voltando ao Buzz.

O google já previa que eu iria aderir ao seu novo experimento. Além de saber sobre todas as coisas do universo da web, o google também sabe o que eu ainda vou fazer e com quem?

Ainda pelo que li, o advento seria como uma parasita para os demais serviços, eu poderia utilizar o buzz como fonte de distruibuição de ideias e pensamentos aleatóriso para as outras redes, como o facebook, twitter e orkut.

A geringonça tá lá, cheia de colores e sorrindo para mim, esperando para que eu a torne útil. Com tanta vida exposta na internet, não sei se tenho conteúdo suficiente para preencher todas as caixinhas em branco que me oferecerem. Mesmo que tivesse, não seria muito saudável viver para atualizar buzzes, facebuquis, twister e essas cousas.

Poderia até me excluir da lista, mas vai que eu descobro amanhã que o ócio criativo do google deu resultado e passa a oferecer a opção "trabalhe de casa"?

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Já percebeu que a primeira mensagem de alguem que adere a esses novos serviços é:

- Não sei como se mexe nesse troço

Dias depois o camarada já tá escrevendo:
- So add com scrap

3 comentários:

Felipe disse...

Cara, eu acho bizarra a invasão de privacidade do face book. Eu não sei como, mas ele chega ao ponto de sugerir uma amizade com um sujeito que fez uma viagem de onibus comigo no interior da Australia, que eu nunca mais vi, nao tenho no MSN, nao tenho contato algum. É meio assustador.

E, sim, é invasivo para caralho. Eu tive orkut por seis meses, em 2005, mas explodi minha conta quando saquei que, na real, a intenção final de quem acessa o orkut sempre é azarar alguém, ver a foto de uma mulher gostosa ou supostamente gostosa que ta na pista, etc. Só é util pra quem mora fora do país e está, de certa forma, blindado.

Eu tenho pensado seriamente em explodir meu facebook. Nao aguento mais as merdas de sugestao pra eu comprar uma fazendo ou jogar uma porra de mafia wars.

Abs

Paulinho Mesquita disse...

tb não curti esse buzz. aliás, parei na etapa "não sei como mexe nesse troço". ta lá o colorido, milhares de msgs que ja enviaram, mas eu num to afim de ir conferir.

Helga disse...

Felipe: demorou mas consegui parar de jogar mafia wars, mas é fácil: há a opção de nao aparecer mais o aplicativo no canto direito do recado.

Daniel: Esta dica é salvadora: lá embaixo (no fim do gmail) tem a opção Turn Off Buzz. Mas de fato, o que você disse confere. Inclusive acabei de receber a reclamação dum conhecido falando: "putz, como você posta coisa aqui bla bla bla". Respondi: "precisando é só parar de me seguir então." ORAS.