segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

XR3 1993/1994: Uma história com começo e fim

Sabe aquela regrinha de amarrar o começo de uma história com o final?

Espero um dia poder fazer isso bem feito.

Pelo menos nos casos em que a história em si tenha começo e final idênticos, como essa do XR3.

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Terminou de forma trágica - não, não foi da forma mais trágica possível, mas foi traumatizante - a parceria que mantinha com o Ford Scort XR3 1993, modelo 1994.

Ele vinha mal. Cambaleando das pernas. Gosto da palavra em inglês para momentos como esse, struggling to survive. Dez dias atrás, me deixou na mão no meio do Eixo Monumental por superaquecimento do motor. O ponteiro, até então inativo, pipocou no teto do medidor da temperatura e o barulho de água quente escorrendo pelo asfalto idem me convenceu que não era apenas uma pane elétrica, mas uma trolha a ser resolvida.

Resolvida ao módico custo de R$ 11.

A partir daquele momento, a luzinha do oleo, que hibernava como o ponteiro da temperatura, nunca mais se apagou, e o motor nunca mais ficou quieto. Qdo parado em um sinal, o motor aumentava a rotação. Era uma coisa maluca. As pessoas ao lado me olhavam com cara de nojo, afinal um babaca em um xr3 caindo aos pedaços, com adesivo do Asa De Águia, ficava fazendo ceninha no semáforo acelerando como se fosse o mais veloz e o mais furioso. Mas não era minha culpa.

Eu sempre pensei que fosse problema do radiador. Mas seguimos juntos. Evitava andar com ele durante o dia porque o calor-senegalesco de Brasília poderia piorar a temperatura no motor. Sabia que o XR3 estava nas últimas. Mas não tanto nas últimas.

Durante duas noites, me serviu como cama, para 'dormir' em serviço. Leia mais sobre o assunto aqui (coisa de jornalista).

Desenvolvi uma relação fraternal com o veículo e por vezes cogitei compra-lo. Mas já havia sido contemplado com um Unim. Faltava ir à concessionária e retirar o veículo. Estava indo no fatídico dia 20 de fevereiro. Sabia que seria minha última semana com a machina.

Em pleno Eixo Monumental, o carro começou a engasgar. O volante formigou, as rodas se embolaram, as bobinas bambearam, o farol ficou com a visão turva e eu dobrei a direita, em direção aa W3 norte, onde poderia haver um pronto-socorro mais perto. Deixei o carro em ponto morto e segui assim até a 703. Parei em frente a uma qualquer, que consertava um fusca.

Pensei, 'bueno, se eles consertam fusca, vão dar um jeito nesse bichão aqui'.

Com muita má vontade, o mecânico me pediu para coloca-lo mais pra frente. Tentei dar a partida e ....

Emudeceu-se.

O mecânico com toda sua sabedoria e boa vontade deu o veredito:

- Esse bicho aqui? Ah, amigo véi, já era. Se não for só a bateria, não vai ter nada a fazer aqui para ele voltar a funcionar.

Dois doidos que fazem bicos em mecânicas da região tentaram me ajudar e disseram que não havia jeito mesmo. Liguei para o dono. Estava de ressaca, havia saído na noite anterior e tentara faturar uma garota. Só foi dormir às 9h da manhã fulo da vida porque a guria não quis jogo.

Ele foi lá na mecânica oficial do xr3, buscou o mecânico oficial do xr3 e apareceu na 703 norte duas horas após meu chamado.

Nem toda boa vontade do mundo tiraria a razào do primeiro mecânico, o que me chamou de 'amigo véi'. Nada poderia fazer o XR3 voltar à vida ali. Nem a troca da bateria por uma zerada resolveu. Acionamos o guincho.

O XR3 está na UTI, respira com a ajuda de aparelhos. Não se sabe se o plano de saúde cobrirá o prejú. O que se sabe é que eu vou investir mais uma bela grana para coloca-lo de volta em circulação. E nunca mais vou usá-lo.

Fiquei pensando o que poderia ter ocasionado o problema. Lembrei-me que qdo o mecânico consertou a mangueirinha lá do radiador, a cebolinha que acende e apaga a luz do oleo estava solta. Prendemos la onde deve ser prendida e desde então a luz do oleo nunca mais apagou-se. Vai ver foi oleo, daí o motor foi para o saco.

Fica a lembrança de um companheiro de aventuras, que me ajudou e muito nesses quase três meses de convivência diária (e noturna).

Companheiro que me foi gentilmente emprestado por um amigo e que, desde seu primeiro momento sob meu comando, deixou claro nada vem de graça.



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Erro diversas vezes aqui neste blog ao tentar amarrar o começo com o final e acho que esse tipo de coisa não se aprende.

Mas não deixo de tentar.

Um comentário:

Paulinho Mesquita disse...

essa é daquelas paixões que se vão, mas nunca são esquecidas.
tinha uma chuteira reebok que era assim. usei-a até que todos os meus dedos ficassem de fora. ganhei outras depois, mas nunca mais tive o mesmo chute sem minha chuteira.