domingo, 7 de março de 2010

A maldição da buzina

Na ânsia de externar toda revolta com a política (sic) de Brasília, as pessoas que transitam de carro em frente à PF, onde José Roberto Arruda está detido, buzinam e xingam. Mais buzinam do que xingam. Sexta-feira, dia seguinte aa confirmação de sua permanência no xadrez de luxo, eu mesmo flagrei um caminhÃO de lixo 'aos berros'.

Seria ótimo se a buzina ficasse só ali mesmo, em frente à PF, junto com o detento. Mas ela (a buzina) invade sorrateiramente as ruas de Brasília e já não é mais aquela aberração de 15 ou 20 anos atrás.

Eu sou do tempo, e eu não sou tão velho assim, que buzinar nas largas e cartesianas avenidas da capital deste país era o mesmo que defecar nas areias da praia de Ipanema, ou pegar a contramão na Avenida Paulista, ou construir um prédio na orla de João Pessoa...

Nas duas entradas da cidade, norte e sul, existem placas - discretas, é bem verdade - alertando sobre o hábito de não buzinar conservado pelos moradores desta distinta cidade. Buzinar, buzinar meeesmo só na porta do colégio, para chamar o filho que insiste em jogar bola mesmo quarenta e cinco minutos após o término da aula. E olhe lááááá...

Abriu o sinal e o camarada da frente dormiu no ponto? NInguém buzinava. Bastava uma piscadela no farol. Idem para quem estacionava em fila tripla nas comerciais.

Uma piscadela de farol significava - e ainda significa - como um aviso: abre o olho, fdp, que o trânsito tá rolando. Nesses carros novos, com 'design arrojado' (todos os design são, antes de qualquer coisa, arrojados), os faróis parecem olhos zangados e um feixe de luz alta parece um chamado para briga.

Pois bem, agora não é mais assim. Agora é mão na buzina mesmo. Sem dó. Quem já mora aqui há algum tempo estranha, faz cara feia, bota a mão para a fora do carro e gesticula, quando não devolve com uma buzina de indignação (só para agravar a situação)...

Na pequenina e heróica, buzina é item de primeira necessidade. Quando está com defeito, o dono do carro se apressa em dizer que o carro está quebrado. Não é a buzina, é o carro todo. É bom ter buzina por lá, porque o povo dirige maaaallllllllll.....

Quando eu voltei a Brasília, em 2003, trouxe a buzina comigo. Briguei com Anapô no início do namoro porque certa feita eu meti a mão nela (a buzina) para reclamar de um preguiçoso que andava a 19km/h no Eixinho desses da vida. Eu acabara de retornar da pequenina porém heróica e estava desacostumbrado com hábito. Nesta briga eu dei razão a ela. Só nesta.

Mas ela, Anapô, é tão nervosa com buzina que certo dia, em Lima, a capital de todos os peruvians, ela brigou com um dos taxistas que buzinava inocentemente em um cruzamento. O cara ficou sem entender, já que os demais 139 motoristas que congestiovavam aquele entroncamento faziam o mesmo.

Brasiliense radicada em São Paulo há três mas com passagem de volta já marcada para BSB, Anapolândia vai ter que se reacostumar a não buzinar.

Ou não, já que a buzina está tomando conta de Brasília.

Aliás, voltando ao governador preso...antes de ver o sol nascer quadrado, ele meteu propaganda nas TVs falando que não se buzina nesta capital. De quebra lançou uma maldição aos que poluem o som na região em frente à sua casa de detenção: só eu mesmo vi três batidas de carros cujos motoristas olhavam para a porta da PF e buzinavam em protesto ao presidiário. Foi no sábado passado, sem ser ontem. Uma das batidas foi um engavetamento com quatro carros. Ninguém se feriu.

Vai buzinar...

2 comentários:

Helga disse...

Muito estrangeiro em Brasília, cada um traz seu hábito. :) Uns acham bonito ficar assobiando e importunando mulheres na rua pra notificá-las de que são bonitas (ok, gostosas). Buzinam pra este fim tb.

Paulinho Mesquita disse...

odeio buzina. meu único uso para ela é qdo o camarada me tranca em fila dupla na comercial. dou uma volta nas lojas próximas, pergunto se o dono do carro tá por lá. qdo não acho, lá vai buzina!