terça-feira, 23 de março de 2010

This fire is outta control... (pode ser: Marinal Hell)

{Para ler ouvindo 'this fire'}

"Brasília entrou definitivamente na rota dos shows internacionais".

Não sei, nào vi em nenhum lugar, também não procurei, mas o repórter que tiver escrito isso em qualquer texto sobre os shows deste mês em Brasília merece demissão por justa causa (não sou tão cruel, é só forma de expressão).

Por coincidência, falta de grana ou de criatividade, a capital do país recebeu quatro shows internacionais de relativa grandeza...(ou não!) Fato que não deve se repetir nos próximos cinquenta anos.

Para minha decepção, todos no mês da quaresma, o que me obrigou a curtir os escoceses do Franz Ferdinand (um dos quatro que veio para o DF neste mês) sóbrio. Só por um motivo muito bom eu sairia de casa 'para dançar' e não beber. Melhor que Franz, só se fosse Strokes ou Kings of Leon...(ou Rolling Stones, ou Kinks...)

Anyway, lá fomos eu e anapolina à única casa de shows de médio porte da capital do país. Um local äs margens do lago que bem lembra uma casa de recepção para festas de formatura, baile de debutantes e outros eventos sociais inventados pelo djabo...

Sempre ouvi reclamações da acústica e da refrigeraçào da casa. No show do Franz, acústica foi ok, mas a refrigeração...

Contei 12 (ou foram 14) pilastras de sustentação do teto do Marina Hall na 'pista de dança'. Em cada uma delas, um ventilador. Como se fosse resolver o problema.

O show ocorreu dentro de um forno de padaria. E não tava lotado. Se cabem 10 mil pessoas ali, havia seis mil ensopados de suor pulando com Franz. Eu, anapolina, White Martins, Timbu, Mr. Rabbitt, e outros coleguinhas entramos nessa conta.

Tenho certeza que eles concordam que o show foi ducaralho, que os caras alucinaram, e que o calor foi proporcional ao êxito do evento.

Até o Kapranos do vocal reclamou lá. Após uma sequencia alucinante de hits, ele mexeu na camisa xadrez em vários tons de azul para se abanar e desprega-la do corpo e falou:

- I bet no one is bored here tonight. It's sssoooo hot!

A educação escocesa e o megacontrato com a Sony Music não permitiriam que ele disparasse:

- It's fucking blazing here!!!

De qualquer maneira, ele deu uma acalmada na ritmo do show e respirou cantando "I love the sound of you walking way". Quando eu pensei que ele fosse entrar nessa onda de diminuir o ritmo para nenhum dos galegos da banda cair de calor, defumado no palco, lá vieram os primeiros acordes de "This Fire"...

Aí o Marina Hall virou o inferno, o chão ficou ensopado de suor, as pessoas suaram até pelos fios da sobrancelha e o ritmo continuo assim até um super solo de bateria para encerrar a noite de domingo, quase duas horas após tocar a primeira música.

Dizem os mais sóbrios que eu, que Kapranos teria dito no palco que recomendaria shows de outras bandas de rock em brasília porque o público é "fantastic". Eu não ouvi. Devia ser na hora que me espremia em um dos ventiladores das pilastras.

Se for para aconselhar alguém, Kapranos, que diga isso aos caras que fazem shows em Brasília, para não faze-los mais no Marina Hell.

Pensando bem, se não for lá, não tem mais lugar para shows na capital do país. Whatta shame!

3 comentários:

Felipe disse...

Nunca suei tanto num show, nem em carnaval. O impressionante é que duas horas depois do show, minha calça estava encharcada como se tivesse sido enfiada numa banheira. Surreal.

Agora, eu sou um dos mais críticos quanto a essa historia de "Brasilia entrou na rota dos shows internacionais". Mas voce está equivocado ao dizer que o que rolou aqui foi excessão. Nos ultimos anos, a cidade tem se mostrado um bom mercado (sempre foi na verdade) para este tipo de shows (rock). Na verdade, nao tem como tomar preju aqui, onde o ingresso SEMPRE é mais caro (as vezes o dobro) do que nas outras cidades.

Ano passado fui num show do Heaven & Hell (o Black Sabbath com o Ronnie James Dio no lugar do Ozzy) no NN e deu OITO MIL pessoas numa quarta-feira.

O Iron Maiden em Brasília levou 23 mil pessoas ao Mané Garrinhca, com ingressos a R$ 300 (nas outras cidades era R$ 150). Pra voce ter uma ideia, o mesmo show levou 18 mil pessoas ao Rio, 16 mil ao Recife e a BH.

O Guns deixou o NN completamente lotado, com 13 mil ingressos esgotados. O AHA era um show pra 2 mil pessoas, mas a procura aumentou e mudaram o lugar do show pro NN, onde coube 5 mil pessoas.

Acho que os produtores de Brasilia gostam mesmo é de festivais de eletronico, sertanejo, axé ou pecuárias com Capital Inicial, SKANK e por aí vai. Porque ai eles enhcem o cu de dinheiro tambem com bebida e comida, porque a musica fica em segundo plano (ao contrario de um show de rock, onde a galera vai pela banda e nao pelo ambiente): o que importa é a guerra.

Enfim, ainda estamos longe de outros lugares (SP nunca vai ser igual a Brasilia) e ainda acho que demos mole com alguns shows que vieram a varias cidades no ano passado (Oasis tocou em Curitiba, Faith No More em BH e a o Metallica em Porto Alegre), mas estamos melhorando.

Dia 22 de abril tem Megadeth!!! Vamos?

Leandro Galvão disse...

Eu até ia fazer um comentário simples e objetivo, mas fiquei "tímido" com a tese-de-mestrad-prolixa de Felipe White Martins... O cara é um fenômeno :)

DB disse...

se a gente comparar bsb com GYN ou com CTBA ou com PoA, bsb está leguas distante. A comecar pelo local dos shows. Se o NN é a opcao para shows de tres a 23 mil pessoas, é pq tem alguma coisa errada, nao?
Shows internacionais aqui nao sao comuns, nao sao raros...eventualmente rola. Em 2010 ta diferente. Parece que vai rolar ate paul maccartney. bom, isso foi o governador que prometeu. e eu acredito nele