Normalmente, quando saio do sirviço ligo pra anapô ou pra casa para saber como estão as coisas. Como estava procurando um cd para o rádio, esqueci de ligar e assim que meti o outro cd dos Rolling Stones no toca-fitas, vi um policial gesticulando, me pedindo para encostar o carro ao meio fio da praça.
Meu trauma de blitz vem de 15 anos atrás na pequenina e heróica parahyba. Foi quando aprendi a dirigir, num bugue amarelo, que custou incríveis R$2,5 mil e tinha uma peculiaridade: não andava na areia. Por não ter carteira, às vezes tinha que fugir pela areia da praia. Mas depois da quarta vez que enguiçou na areia da praia, desisti desse plano.
De lá para cá, talvez tenha sido parado quatro ou cinco vezes em blitz. Por sorte, carro havia deixado de ser meu principal meio de locomoção quando mudaram a lei dos bêbêdos no trânsito.
Ontem, portanto, foi minha sexta, no máximo sétima, experiência em uma blitz. A primeira em vias paulistas.
- Habilitação, identidade, documento do veículo...
Entreguei habilitação e documento enquanto o pm checava minha placa e via que é de Brasília.
- A passeio em SP?
- Não, eu trabalho ali na Folha, tô voltando pra casa.
Fiz questão de falar que estava trabalhando e onde estava para evitar um possível bafômetro, apesar de saber que meu resultado seria 0,0.
- Tem muita gente de Goyaz aqui em SP.
Fiquei surpreso com o assunto que ele puxou. Não costumo falar sobre Goyaz, falo mais de Brasília, da Parahyba, desses lugares, mas entrei no papo, meio tenso.
- Ah, goiás é a terra das mulheres mais bonitas e gostosas do Bras...
- GOIÁS??? Então eu tô cego!!!!!!!!!!
O policial pareceu não ter gostado da minha opinião. Enquanto levava meus documentos para a caminhonete, onde havia uma policial com um computador ou algo parecido. Temi que tivesse comentado alguma merda. Ouvi ele repetir o que disse à policial. Ela ficou com os meus documentos.
- Rapaz, disse enquanto segurava a arma com a mão direita na cintura e levantava o óculos de armação fina para a luz, com a mão esquerda, eu fui naquela Caldas Novas e só vi canhão.
- Aaaah, meu amigo, Caldas Novas é uma merda. Só tem chicleteiro, negócio popularizou-se demais. Goyaz tem várias cidades interessantes, com cachoeiras, belas mulheres de bikinis...
- Ah e é??
- Éééé
Ele gostou do papo e contou o que foi fazer em Caldas Novas.
Conhecera um fazendeiro goiano e se hospedara lá. De facto, o fazendeiro tem uma filha morena e bonita, de uns 2o e poucos anos, aparentemente solteira e o polícia disse que o fazendeiro ficou empolgado quando o polícia contou os causos das ruas paulistanas.
- Será que ele quer arrumar a menina pra casar comigo, hein?, disse, mostrando os dentes podres e dando uma risada tímida que parecia soluço de bêbêdo.
Recebeu o convite para voltar à fazenda em agosto, mas pensa em gastar uma grana e fazer um cruzeiro marítimo.
Aconselhei a ele a fazer o cruzeiro marítimo, dizendo que lá, sim, só teria mulheres gostosas.
Foi eu terminar a frase e passaram duas mulheres com roupas do Brasil numa moto barulhenta. Uma branca dos cabelos longos e camisa do Brasil da Copa de 2006 pilotava. Uma morena de chapinha com camisa de algodão com o nome Brasil no meio do peito em forma de arco com short branco pequeno e cofrinho à mostra.
Sempre com a mão direita à cintura, segurando a arma, o policial carente pediu para a outra PM que estava na caminhonete me entregar os documentos, apertou minha mão e falou:
- Valeu, mano, vou dar uma apertada naquelas morenas ali da moto.
2 comentários:
Tu precisas urgentemente ir para Santa Catarina ou para o Rio Grande do Sul. Vai mudar MUITO tuas ideias absurdas sobre o planalto central.
boa crônica urbana, mas qualquer lugar tem mulher gostosa.
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