terça-feira, 13 de julho de 2010

Passou a febre de bola

O neozelandês de origem dinamarquesa jogou vários campeonatos das categorias de base pela seleção da Dinamarca, mas em março deste ano optou pela cidadania neozelandesa e foi titular na lateral direita da New Zealand na Africa do Sul. Fez o gol que deu o primeiro ponto dos "oceânicos" em Copas do Mundo.

A cada quatro anos dedico um mês ou mais da minha vida a essas histórias, popularmente chamadas de cultura inútil, para acompanhar a Copa do Mundo.

E o ganês metido a galã que se mudou pra Alemanha em meados dos setenta's e teve dois filhos, um com cada mulher. Ambos nasceram em berlim e eram convocados com frequencia para jogar os campeonatos europeus sub19 e sub 21 pela selecao da alemanha. Ate que um dia, um dos irmao foi cortado da selecao e optou por obter a cidadania ganesa. Pela primeira vez na história das copas dois irmãos se enfrentaram, um por Ghana e outro pela Alemanha.

É instintivo. Quando tá rolando um jogo e eu vejo um jogador bom de bola ou em uma situacao pitoresca, eu vou la no google ou no wikipedia pra saber da vida dele.

E a irmã do craque do Uruguai, que é uma loira linda de olhos azuis, seus vinte e tantos anos, mas passa a vida numa cadeira de rodas por causa de um acidente automobilístico? Pois é. Ela estava na África acompanhando o irmão, que jogou feito loco. Ela tem um programa social ou um instituto, nao lembro bem agora, voltado a pessoas vítimas da imprudencia no transito.

Neste ano, especialmente, acompanhei cada detalhe da Copa de perto (pela internet). O esquema de regime semi aberto lá na repartição não permitia que eu não soubesse de algumas side stories, como essas.

O atacante de Honduras de sobrenome Welcome era uma espécie de Neymar/Ganso de Tegucigalpa. Ele fez o gol que classificou Honduras para as olimpíadas de 2008 e foi banco nos tres jogos da copa. Se quisessse jogar, teria de desbancar alguns figurões da história do futebol hondurenho, como Palácios e outro la cujo nombre não me recuerdo.

Tem a história do goleiro da Sérvia. O cara era odiado no país porque era reserva do reserva no time dele lá na inglaterra, mas titular na seleçao. Até que ele pegou um penalti contra a Alemanha e a Servia venceu a Alemanha pela primeira vez na historia. Qdo ainda era conhecida como Jugoslavja, a última vitória sobre os alemães fora em 1962.

Gosto desse lado desconhecido dos jogadores, não daquele papinho de infancia-pobre-bla-bla-bla, mas do que acontece na vida do jogador que está lá correndo como um louco e nós estamos aqui, do outro lado da TV, sacaneando, tirando sarro da ruindade dele.

O mimadinho atacante holandês? Filho de hippies loucaços, foi criado no meio de eco-vilas e ambientes incessados por cultura e peace-and-love. Joga muito no clube dele, na inglaterra, mas na Copa só fez b*sta.

Por vermos o futebol como um jogo e ponto final, ignoramos que, para chegar até ali, esse jogador foi tido como o melhor do bairro, depois o melhor da cidade, o melhor do clube, o melhor do país naquela posição. Nick Hornby já havia observado isso antes de mim, em Febre de Bola.

Não estou falando de Drogba, Rooney, Messi, Kaka. Esses aí não me interessam. Até porque essa não foi a Copa deles. Poderia fazer um livro com as histórias dos jogadores ordinários da Copa do Mundo. Mas dúvido que haja muita gente interessada no que rolou na trajetória do volante da Argélia ou no goleiro da Slovakia.

E aos poucos todas essas lembranças vão se apagando e perdendo a importância. Algumas ficam escondidinhas no fundo da mente e na próxima Copa podem servir para cagar uma regra com os amigos, tomando uma gelada.

Aqui pra gente? Melhor que seja assim.

Agora posso voltar a viver normalmente, retomar aa leitura dos meus livros (estou envergonhado com meu desempenho neste ano), voltar a ir ao cinema, voltar a me preocupar com coisas da vida real. Até que chegue a próxima Copa...afinal, o Brasil é logo aqui

3 comentários:

Mário Coelho disse...

Eu leria esse livro, meu caro. Uma das coisas que eu mais gosto no futebol são as histórias paralelas. Não sou muito de decorar tabelas, estatísticas, essas coisas. Isso não me importa muito, na verdade. Gosto dos causos. E são por eles que o futebol é tão grande no mundo inteiro. Enfim. Esse nariz de cera para perguntar: leste o livro do Mário Magalhães "Viagem ao país do futebol"? É muito bom, só com as histórias que, em teoria, ninguém quer ler. Até o Avaí mereceu um textinho só pra ele.

Abs

berna beat disse...

boa. eu nesta copa fiquei fã de eneyama (goleiro da niger) e salcido (ala cañota del mexico).

Felipe disse...

Porra, um dos melhores posts daqui. Se eu fosse vocÊ, publicava-o no CBET também (o CBET não é... tão longe assim... é logo ali...).

Muito boas as histórias!! Seu jornal não bancou uma pauta assim?