sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Vizinhança

- Desculpa ter que te falar isso.


- Nós só queríamos dizer que a gente não ouve nada do que você conversa lá em cima...

- Ah beleza


- Mas a gente consegue ouvir todos os seus passos.


- Sim, quando você chega do trabalho à noite, geralmente depois das 21h, não é?

- É. Às vezes mais tarde um pouquinho.


- É, a gente costuma dormir tarde também. Umas onze horas a gente já tá caindo de sono


- E você não é daquele tipo de pessoa que chega, senta na cama, tira o calçado, ele faz poft no chão?

- Ah acho que sim. Nunca reparei.


- Pois é.


- E quando ele fica correndo e brincando com o cachorro?


- É. Tem isso. O cachorro é muito sozinho, né.


- A gente ouve ali debaixo que você fica correndo pela casa, né?

- hehe Fico. É a Catota. Acho que você já a viu comigo por aqui.


- É, pode ser que sim. Mas então, aí você fica atirando uma bolinha de tênis para ela apanhar. Às vezes joga um ossinho comestível para ela.

- Faço, faço isso mesmo. Mas como vocês sabem?


- Sabe o que que é?

- Hum


- É que a estrutura desse prédio é antiga, as paredes são grossas, então qualquer barulho que se faça no andar de cima ouve-se no de baixo ou do lado.

- Ah é verdade. Eu já ouvi as ranhuras do cachorro do cara do andar de cima também. Mas baixinho, não me incomoda. A vocês incomoda?


- Incomoda. Desculpa estar te falando isso. Mas é que teve um dia que você chegou umas 2h da manhã em casa e ficou jogando ossinho pra cachorra até as 4h ou mais. A gente tava quase indo lá bater na sua porta.

- Poxa, nunca soube que daria para ouvir. Me desculpa.


- E o gato também, né?

- Ah o gato é o Remela. Ele só dorme e pisa macio pelos cantos. Duvido que vocês tenham ouvido algo dele.


- Não, não, do gato não.


- Mas quase toda noite você arrasta móveis, não é?

- Huuuuuummmm Não.


- Tá. Outra coisa, você acorda de madrugada para ir ao banheiro, não é?

- Sim, acordo.


- Quando você desce da cama pisa com muita força. De madrugada ela se assusta.


- É eu tenho um negócio que acordo com o coração acelerado com qualquer coisa. Sabe o que você podia fazer?

- Hum


- Anda de chinelo em casa. Quando você entra no banheiro você bate a porta também, e a gente ouve tudo do nosso quarto. 

- Ah é?


- Você tem que fazer o seguinte: compra aquelas fitas, não sei como se chama. Como se chama, benhê, aquelas fitas que coloca na porta para não fazer barulho na hora de bater?


- Ai não lembro. Mas você encontra aqui pelo centro. Ali na galeria tem umas lojinhas que vendem, é só perguntar. Aí você coloca na sua porta do quarto e na porta do banheiro. 


- E aproveita para andar de sandália em casa, à noite, quando for ao banheiro, porque assim não incomoda quem tá no andar debaixo.


- Quando você chegar à noite da firma, brinca de outro jeito com a cachorra. Alisa a barriga dela, faz alguma coisa, mas evite ficar jogando a bolinha e o ossinho comestível para ela, tudo bem?


- Desculpa ter que te falar isso.

Um comentário:

Ruiva disse...

Isso não é nada.. Eu ouço o ronco do vizinho, a tv do vizinho, o msn do vizinho, as músicas do vizinho e, o que eu acho pior de tudo, ele fazendo sexo.
E suporto tudo isso. Teus vizinhos são meio frescos, hein..