Há algo de podre nos pulmões dos pedestres de São Paulo.
Basta olhar para o chão das ruas do centro da megalópolis para descobrir que a saúde não anda nada bem por aqui.
As calçadas estão tomadas por poças de cuspe. Sim, cuspe, cusparada, catarro, perdigotos, melecas de nariz, babas-de-moça, secreção pulmonar.
Algumas são tão ácidas que perfuram o asfalto e burbulham no manto superior da crosta terrestre. Pensei que pudesse ser a influência chinesa. Uma vez que eles tomaram conta do centro da cidade, mas os chyneses, coitados, só chegaram em massa por aqui há 15, sei la, 20 anos.
Não teria dado tempo de tanta gente cultivar babas cósmicas em seus alvéolos pulmonares. A epidemia de pigarro parece acometer os transeuntes desde muito antes.
Pode ser que sejam vítimas da grossa camada de poluição que cobre como uma lacre inviolável os céus da cidade. Ele, o manto, é tão grande que aquelas partículas que não estão no céu, formando a 'feia fumaça que sobe apagando as estrelas', estão penetrando pelas narinas e invadindo organismos e disseminando bichinhos do ran-ran recheados de coliformes fecais por aí.
Uma caminhadinha de 500 metros, talvez menos, é suficiente para ouvir a sinfonia de catarro. O gogó serve como mola propulsora do excremento líquido que sai pela boca dos paulistanos e vai ao chão à espera de uma sola de sapato. Isso, claro, se você não der o azar de passar ao lado de quem soltou o jato de lado sem olhar para quem vinha de trás, como já ocorreu comigo certa feita...Após alguns dias de náuseas, má-digestão e estomatite, eu já passo bem.
Portanto, fica a dica: se for caminhar no centro de SP, olhe para o chão, você pode estar pisando em asquerosas poças de catarro em estado de decomposição.
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