quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Essa tal liberdade

Existe uma sensível diferença entre obrigar-se a passar 40-45 dias sem beber na casa dos pais e na sua própria casa.

A casa dos pais, como o próprio nome já diz, é um ambiente familiar. Existem regras de condutas impostas naturalmente antes mesmo de você ter nascido. Não é legal tomar uma gelada todo dia vendo tv à noite, após o expediente. Assim como não é legal chegar às 4h da manhã quatro ou cinco vezes por semana, fora os finais de semana, mesmo que seus pais sejam liberais.

A convivência com a família requer uma certa disciplina infantil, para manter o quarto arrumado, tirar os pratos da mesa, nao colocar os tênis em cima do sofá, não limpar o nariz e deixar as melecas pregadas na parede do banheiro, não vomitar a cada ressaca ou arrotar como um porco chafurdante na mesa do almoço, mesmo que seja um almoço improvisado de galeto com farofa produced by Extra Supermarkets.

Até porque, se você fizer qualquer uma dessas ações na frente dos seus pais, vai ter que ouvir alguma coisa: sejam breves reprimendas ou sermões eclesiásticos que te farão desejar sair da casa deles (e não sua!) tão logo consiga emancipar-se financeiramente.

Quando se conquista a alforria e você se vê só em seu apartamento -- seja um quartim-cubículo em Brasília, num apertamento na crack-o-landia, ou numa mansão suspensa no Itaim -- não há mais regras pré-estabelecidas e você deixa de ser um viajante na boleia do destino.

O limite é o fundo da conta bancária e o teto do cartão de crédito. Está liberado tudo dentro da sua prórpria casa. Inclusive, beber diariamente, nem que seja um calicezinho de vinho à noite ou uma Weihenstephaner Vitus para acompanhar um lanche-de-peru antes de dormir. E daí para emendar com alguma programação mais pesada, basta uma mensangem no whatsapp..

É aí que mora o perigo.

E é nele que eu tô residindo a partir de hoje, quando se inicia mais uma coaresma.

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