sábado, 28 de junho de 2008

Difícil de acreditar

Danielzinho, ainda pequeno, adorava aquelas papinhas de criança. Mesmo depois da idade de comê-la, se alimentava dela.

Se escondia do sol abrasador, entre um mangue e outro no Bessa, debaixo dos pés de cajú e enchia o bucho por lá mesmo. A primeira infância de Danielzinho foi à base de frutas tropicais (manga, cajú, jambo, mamão), papinha de bebê, além do leite, né?

Deve ter sido por isso que nunca teve um gripe, de tanta vitamina C acumulada.

Aos quatro anos, Danielzinho mudou-se para Brasília e conheceu outras comidas. Proibido pela mãe de pedir papinhas, começou a almoçar 'aquilo branco'. A única coisa que degustava no almoço era 'aquilo branco'.

Até ser apresentado às comidas de plástico. Recheadas de gordura trans e outras mazelas deliciosamente mal passadas. Dos 10 aos 23, só comeu porcaria. Nunca foi obrigado a traçar um prato de salada e nunca sentiu falta.

Carne branca?
Só de frango mesmo. No óleo era melhor ainda.

Quando começou a colocar suas primeiras gotinhas de pimenta na comida, acrescentou umas rodelas de cebola, alface, tomate e pimentão para dar um contraponto e colorir um pouco o prato gorduroso.

Somado aos péssimos hábitos alimentares, passou a beber. Começou a ficar bêbado de verdade aos 19 anos, quando entrou na faculdade. As doses foram aumentando e hoje, taí, bebendo seis meses por ano (dia sim, dia não).

Danielzinho, que a esta altura da vida já não tem nada de diminutivo, nunca foi de provar as novidades culinárias. "P*rra de cozinha contemporânea, eu quero é carne de charque", dizia, quase que adotando de vez o espírito campinense de ser.

Sem contar os chocolates, picolés, coca-cola e afins...

Um dia, um ano atrás, Danielzinho parou para pensar que poderia estar com as veias todas entupidas (por motivos óbvios); que poderia estar à beira de uma cirrose hepática ou de qualquer tragédia, mesmo aos 27 anos.

Por iniciativa própria, resolveu fazer um exame de sangue para ver até quando seus dias de junkie food durariam. Passou 12 horas em jejum para não dar nenhum resultado falso no exame.

Enquanto o sangue era coletado, pensou na escalação da seleção brasileira de 1994 para esquecer da dor:

Taffarel, Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos, Leonardo (Branco); Mauro Silva, Dunga, Raí (Mazinho) e Zinho; Bebeto e Romário.

P*ta merda, que meio-campo é esse, pelamordeDeus!!

Dezoito horas após a coleta, recebeu o resultado:

"Você está absolutamente normal. Nem uma taxa alterada. Nem uma curva ascendente, nem nada. Pode continuar com seus péssimos hábitos. Parabéns".

Vendo hoje, era impensável que uma seleção com Mauro Silva, Dunga, Raí (Mazinho) e Zinho no meio pudesse ser campeã mundial. Eu também acho muito difícil de acreditar, sinceramente, que todas as minhas taxas estejam absolutamente normais.

4 comentários:

Mário Coelho disse...

O post tá com uma cara de "quando eu era crianinha pequena lá em Barbacena"...

Paulinho Mesquita disse...

É...
Ou então tu é o Ronaldo Fenômeno.
Na copa de 94 era um reserva com ares de promessa. Na de 98 era o craque e amarelou. Em 2002 estava no auge e venceu como um verdadeiro craque.
Em 2006 estava gordo e não rendeu nada... Em 2008, bem... Em 2008 tava comendo coisa errada por aí...

FRC disse...

Putz... no próximo exame comece a pensar na atual Seleção, vai que dá sorte...

Anônimo disse...

aê, seu Daniel. A seleção de 94 era como FHC aliado ao PFL - dois passos para trás, para dar dois pra frente depois. Foi a vitória da burocracia. Mas, foi a vitória, né? Abração