sábado, 14 de junho de 2008

A mulher do próximo

Como um leitor atrasado, que só pegou o gosto pela leitura (séria) depois dos 25 anos, estou quase que chegando à conclusão de que Gay Talese e os adeptos do novo jornalismo são meu estilo preferido de leitura.

Tudo bem que ainda falta ler Capote, Mailer e Wolfe, mas tudo que li de Talese até agora é exatamente o que, como e sobre eu gostaria de escrever com mais freqüência.

Exatamente dois meses após ler a primeira página de A Mulher do Próximo, li a última. Agradeço, inclusive, aa recomendação dos amigos Mr. Rabitt e Lúcio Flávio. Nada mais oportuno para mim do que esta leitura. A história da permissividade americana antes da Aids.

Melhor que Jack Kerouac, que transforma sua própria história em literatura, Talese faz da vida dos outros um belo romance. O primeiro capítulo é sobre um adolescente que compra, escondido dos pais, uma revista de mulher pelada. Talese conta como, quando e onde ele comprou. Relata o histórico familiar do garoto. E termina o capítulo descrevendo como o muleque fez para se masturbar venda a modelo Diane Webber nua nas areias da Califórnia.

No segundo capítulo, ele relata a história de Webber. Como chegou até a Califórnia para tirar aquelas fotos e sair na Playboy. O capítulo seguinte é sobre Hugh Hefner, o fundador da Playboy. E assim vai, uma coisa puxando outra.

O próprio Talese conta que o livro poderia muito começar a ser lido no capítulo oito, quando se inicia uma trama com personagens comuns que englobam todas as situações descritas no livro. Os críticos da obra dizem que Talese deixa alguns pontos em aberto. Mas, do alto da minha ignorância interpretativa e prematuro entendimento da literatura, acho que ele fez de propósito.

O livro, é bom explicar, é sobre sexo, mas não sobre putaria.
É sobre sexo, mas não chega a ser machista.
É sobre sexo, por fim, mas não é explícito.

Poderia engatar na leitura de Fama & Anonimato, mas vou dar um tempo em Talese e dar uma círculadas por outros estilos.

Já estão aqui na minha cabeceira O Príncipe Maldito, sobre D. Pedro III, e Invasão de Campo, sobre os irmãos que fundaram a Adidas e a Puma. Acho que vou ler o da história do Brasil agora. Daqui dois meses, com boa vontade, o termino e leio dos irmãos Dassler.

E se alguém encontrar A Luta, de Normam Mailer dando sopa por aí, por favor...

2 comentários:

Anônimo disse...

eu tenho uma edição antiga e tosca de A Luta. mas eu recomendo comprar, sério. o baldini tem dois exemplares: um pra ler, outro pra guardar.

Ana Clara disse...

acho o mailer uma criança de colo perto do Bukowski. E recomendo-o.
hehe
:P