terça-feira, 25 de maio de 2010

Cebolas

Está cada vez mais difícil encontrar cebolas nos restaurantes. Não sei o que está acontecendo.

Se o quilo do self-service for acima de R$ 24,90, já não tem mais cebola à disposição pra o pobre trabalhador que tem que utilizar desse serviço para se alimentar na hora do almoço.

É sério, pode reparar.

Se for acima desse valor, vai ser em um potinho minúsculo, fatiada, como se tivera sido feita pra compor o molho vinagrete, mas por algum motivo, acabou ganhando um potinho exclusivo, espremido entre as milhares de novas folhas que surgem nas saladas.

Cebola é algo novo pra mim. "Ainda pequeno", mandava tirar os pedaços que vinham no hamburguer do Mc'Donalds. De tanto ouvir minha mãe falando pra comer verduras, passei a permitir que se colocassem cebolas em partículas nos dogs. Sentia-me com o dever cumprido por consumi-las ali, escondidinhas.

E assim foi durante uma década ou mais. De repente, não mais que de repente, já com barba na cara, diploma de jornalista na gaveta e ressacas fenomenais, passei a colocar umas rodelas de cebola no prato. Quase sem querer, comecei a gostar de cebolas. Isso foi uns quatro anos atrás. Sem nenhum motivo aparente, simplesmente peguei e meti no prato.

Eu, com esse paladar apuradíssimo, descobri que serve pra dar um tempero natural. Sem aquela artificialidade ou misturas malucas e suspeitas das pimentas, comprehende? A cebola da pequenina porém heróica é uma coisa absurda. Sabor inigualável e letal para qualquer relação entre homem e mulher após seu consumo.

Adotava a tática da camuflagem utilizada nos hódós (hot dogs): picotava e espalhava por entre as porçÕes de feijão e de carne. Com a cebola, resolvi acrescentar alface e tomate no almoço. Mas isso já é coisa meio que recente, tipo, 2008 pra cá. Até então, meus pratos não tinham nada disso. Era no osso mesmo.

A preguiça pra comer salada me era recompensada com um pensamento meio cruel. Ao comer salada, me sentia como aquela pessoa que ajuda aos pobres na rua e pensa que um dia vai ter recompensa no reino dos céus. Comendo salada, ajudava ao meu pobre organismo e meu podre intestino a ganhar mais alguns dias saudáveis nos piores dias da minha vida, láááá na frente.

Graças a deus esqueci essa comparação absurda e adotei como hábito a trinca alface-tomate-cebola. Quando rola, também meto um pimentão, mas pimentão parece-me que é um artigo ainda mais pobre pra salada.

A última vez que encontrei pimentão em self-service foi no Spíndola, agradável restaurante às margens da Hélio Prates, entre Taguatinga e Ceilândia. O almoço lá saiu por R$ 6,50. Com direito a rodízio de carnes nobres. A cebola, por exemplo, tinha uma bandeja inteira repleta de fatias para quem quisesse.

Diferentemente dos restaurantes de saladas famosos de Brasília. O restaurante é especializado em pratos saudáveis, tem 12 tipos de folhas e um tipo de cebola, perdida e servindo de enfeite na borda da bandeja de morangos e mangas...veja você que coisa asurda!

Em São Paulo é a mesma coisa. Somente os pés-sujos servem cebola no almoço.
Estou mapeando os restaurantes localizados num raio de 2km em torno do prédio da firma e em breve não vai mais faltar cebola no almoço.

2 comentários:

Paulinho Mesquita disse...

ande com sua cebola no bolso, oras!

manu disse...

E a barreira do peixe, já venceu?