sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A year in the life

Faltam 16h pra, se tudo correr bem, o ano mais longo da minha vida acabar. Mas acho que já dá pra fazer seu inventário sem medo de deixar alguma coisa mais importante de fora.

Não é possível que algo de extraordinário venha me ocorrer até a meia-noite de primeiro de janeiro de dois mil e onze. Principalmente depois de um ano em que mudei de casas mais duas vezes levando somente uma muda de roupa e a minha guitarra do Wii.

Atravessei Goyaz, o triangulo mineiro e São Paulo para voltar a morar com meus pais após quatro ou cinco anos. Deixei Brasília pela terceira vez em 15 anos, sempre pensando em voltar, mas desta vez, nem tão cedo.

Justamente neste ano quando convenci a mim mesmo que meu lugar era la e que nada mais me faria sair dali, a não ser um casa com pé na areia em cabedelo, longe do barulho e rodeada por coqueiros e cajueiros frondosos, com uma internet superrapida para manter este blog atualizado.

Mas em 2010 eu rodei pelos becos de Brazlandia dentro do carro de um policial civil para fotografar traficantes, passei a manhã no Hospital de Taguatinga para conversar com uma mulher que perdera a perna em um acidente de trânsito bizarro em uma das ruas sem nomes do Distrito Federal.

Rodei atrás de cães ferais dentro do Parque Nacional de Brasília e fiquei a um metro do lixão do DF, na mira da bazuca anal dos urubus que habitam ali. Descobri histórias sobre o quadrilátero federativo antes mesmo de ele ser delimitado por Luis Cruls, BErnardo Sayao ou qualquer outro maluco que tenha inventado em construir a capital do país no meio do cerrado desértico do Goyaz.

Procurei apartamentos para alugar e aluguei o melhor e mais caro apartamento da 107 norte. Comprei um carro novo um mês antes de a Fiat fazer o favor de lançar uma versão mais nova para o carro que acabara de dar a entrada e terei até dez/14 para terminar de paga-lo.

Dormi incontáveis noites dentro de carros na porta da sede da polícia federal, passei finais de semana inteiros plantado, sob o sol de Brasília, na porta da sede da polícia federal, para fazer absolutamente nada disso, a não ser um texto sobre a razão de me manter prostrado ali.

Participei da invasão da Camara Legislativa do DF. Dormi no chão de marmore supervalorizado e ajudei a colocar a faixa "CAMARA DO POVO" no topo do prédio.

Voltei a morar com Poland, catota e Remela. Catota descobriu a alegria de viver na cidade parque. Comemorei com Poland por ela ter arrumado um dream job. Fui a Luziânia 90 vezes em 60 dias. Li A Sangue Frio, comparei um maniaco de Luziânia com o personagem principal do livro de Trumam Capote. Chorei com o desfecho da história macabra de Luziânia. Peguei carona num prêmio de jornalismo por essa mesma história de Luziânia.

Fui a Bonito-MS, agarrei jacaré com a mão, mergulhei em águas inacreditavelmente cristalinas, brinquei com um porco espinho como se fora um cachorro, fui convencido de que deveria mudar.

Tentei acabar com velhos habitos e me arrependi depois. Comecei um regime porque minha barriga já nao pesava o mesmo que minha consciência. Aprendi a beber o suficiente para conseguir voltar para casa dirigindo 20km pelas ruas caoticas de SP.

Tive a segunda pior ressaca da minha vida. Dei conselhos que nem eu mesmo sou capaz de cumprir.

BAti o motor do Scort XR3 de um velho amigo, que nunca mais me dirigiu a palavra. Senti o gosto que desejei e inclui paes integrais nos meus lanches e cafes-da-manhã. Li menos livros e vi menos filmes. Acusei injustamente, confiei desconfiando. Paguei pelo que nao devia. Descobri que sou um potencial alvo de Alzheimer quando (se) eu chegar aa velhice.

Entrei pro mundo da ilegalidade ao baixar discografias completas do Weezer, Beatles, The Who, Smashing Pumpkins, Beach Boys, além de filmes inteiros. Chorei, tropego e descontroladamente ao ver Paul McCartney ha quase um quilometro de distancia/altura de mim.

Cogitei não trabalhar nunca mais com esporte. Fui demovido, num gesto altruísta de Poland. Investi num retorno a SP. Contei com a ajuda do Fernandez. Comecei a trabalhar onde jamais havia planejado ou esperado.

Folguei sete dias em um período de 70 dias. Fui pra Turquia. Discuti com taxistas, sofri com caganeira-branca (aquela do cheiro e nao da forma), coloquei um pe na Asia e visitei o estadio do Fenerbahce. Virei a noite no aeroporto.

Participei de um programa de entrevistas ao vivo na TV turca...falando ingles. Dei entrevista a um famoso site americano e a uma tv eslovena. Aumentei minha rede de contatos. Briguei com gente incompetente. Denunciei gente com cara de anjo.

Tive um step roubado e comprei outro, provavelmente roubado, por 50 reais. Me despedi de um membro da familia que retornou aa pequenia porem heroica, apos um hiato de oito anos. Reforcei minha tese de mal humorado dentro de casa, promovi a cizania e ri disso. Fiquei preso no trânsito por três horas nas marginais Pinheiros e Tietê.

Sobrevivi

4 comentários:

fernandez disse...

bonito isso aí. faltou dizer que te deixaram na nao no reveion. grato pela citacao.

Carolina Nahuz disse...

É, massa o texto. Vida de jornalista. Movimentada e apaixonada. Intensidade à toda. Saudade de quando a vida me dava aventuras diárias desse jeito. Mas tive as minhas em 2010 [http://tinyurl.com/3y5bryn]. Feliz 2011. E que não falte nem a folga de uma semana nem o pão integral na mesa. =)

Felipe disse...

Maravilhoso. O importante é que certamente você está terminando 2010 melhor (muito melhor) do que terminou 2009.

Só pra provocar: veja que o período de quatro meses em Brasília rendeu 10 vezes mais espaço de histórias e memórias que os oito meses de Sampa.

Saudações Tricolores!!!

PS: Costa Rica é pura vida!!!

DB disse...

heheheheh é verdade. detalhe que as principais citacoes a SP sao 'coisas de nerdz' como diria um amigo nosso: baixar discographias, fazer regime, ser ainda mais rabugento...