quarta-feira, 13 de abril de 2011

Guia dos curiosos

Um jornal de São Paulo descobriu um mendigo que mora em cima da árvore. Dorme lá, cozinha, mantém relações sexuais com outras mendigas e tudo mais. É numa castanheira ou qualquer coisa do tipo gigante no finalzinho do corredor leste-oeste da cidade, também chamada de Radial Leste.

Como sempre acontece, as TVs se pautam pelos jornais, no dia seguinte bateram na porta do mendigo-lobo para conhecer sua bucólica residência.

Nesse mesmo dia, São Paulo registrava um dos recordes de trânsito no corredor norte-sul, a popular 23.05. Quem subia da zona sul para o centro não andava em velocidade superior a 19km/h. O trânsito estava tão ruim que atrapalhava até o sono dos loucos da Ferradura, tema de post neste mesmo blog há algumas semanas.

Aliás, quem seguia pela 23.05 até o centro sentia o trânsito fluir melhor justamente depois da Ferradura. Mas quem entrava pela ferradura e emendava para o corredor leste-oeste é que ficava trancado no engarrafamento.

O motivo do congestionamento?

Além do excesso de carros, óvio, o excesso de curiosidade dos motoristas. Sim, porque jornalista é espalhafatoso. Jornalista de TV é ainda mais. Os homens tentam fazer pinta de galã; e as mulheres, de gostosas & intelectuais (como se essa combinação fosse possível).

Em vez de passar direto e seguir seu fluxo natural em direção à Amaral Gurgel ou Rêgo Freitas, os motoristas no corredor leste-oeste diminuíam a velocidade para saber o que se passava ali no pé daquela castanheira. Era o pobre do mendigo-lobo dando entrevista.

Assim, forçava o carro de trás a diminuir e, inconscientemente, olhar para a árvore para saber o que djabos a gostosa & intelectual da TV fazia ali no pé da castanheira. Provocando um imenso efeito cascata capaz de parar os corredores norte-sul-e-leste-oeste. Assim como ocorre em leves colisões, albarroadas involuntárias, pneu furado, ou acidentes maiores e outros eventos que fujam do cenário normal de uma via qualquer, a curiosidade dos motoristas é um dos maiores causadores dos recordes de engarrafamento de São Paulo.

E tenho dito!

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