terça-feira, 7 de junho de 2011

Eu moro na contramão

Morar na contramão é como não fazer parte da cidade, mesmo estando no meio da balbúrdia. É ver a cidade girando para o lado contrário da sua casa. É como perder o último ônibus/trem/avião. Morar na contramão é como ser um habitante de Boa Vista-RR.

Porque, para chegar em casa, o caminho só dá mão para sua casa. Qualquer outro lugar para onde se tente ir, é contramão. Dá trabalho, precisa-se de um esforço maior, paciência maior...

No caso da capital de todos os roraimenses, dá para ir ao Monte Caburaí ou Salto Angel, mas são experiências que se faz once in a life time. O que eu ainda farei. Não sei quando, mas farei.

No caso da minha casa, ela só é caminho para o autódromo, para onde só vou quando sou obrigado.

O pior de se morar na contramão é o desânimo de tirar o carro da garagem em qualquer momento. Para embicar meu unim no rumo de qualquer lugar que eu costumo frequentar, preciso pegar quatro quilômetros até chegar exatamente em frente à minha janela, só que do ooooooutro lado da marginal pinheiros. Neste trajeto está incluída a passagem por duas pontes.

Uma delas, duas vezes.

Morei na contramão, pero no mucho, quando de minha primeira passagem pela metrópole bandeirante. O ed. Cabo Frio, na Pompz, ficava no trilho para a Marginal Tietê. A única coisa que eu fazia para aquela direção era ir ao trabalho. E de ônibus. Apesar de ser pertinho, demorava 45 minutos para chegar ao sirviço. Porque não existem linhas retas nos caminhos dos ônibus.

Por metade desse tempo, fazia-se o caminho inverso. Dava a volta no quarteirão da Pompz, pegava a Francisco Matarazzo, entrava pela Av. Antártica, passava na frente do Meiras, do Bourbon, virava aa esquerda na Turiassú x Pompz, sentido contrário à marginal, e voltava exatamente em frente ao Ed. Cabo Frio. Demorava até 20 minutos. Não dá nem 2 km.

Certo dia peguei um taxi e pedi para ele fazer esse trajeto. Gastei R$ 11 para dar a volta no quarteirão, porque da arte de perder dinheiro eu entendo. Dava para ver a satisfação da taxista no cantinho dos lábios. Eu mesmo percebi a cagada imediatamente em frente ao ed. Cabo Frio após a volta ao mundo no mesmo quarteirão e disse:

- Meu avô dizia que todo dia saem de casa um besta e um esperto.

Ele soltou o riso que tava preso e concordou, por certo já deve ter ouvido essa expressão de outro zé mané.

O mais incrível minha capacidade de fazer o papel de besta quase que diariamente.

3 comentários:

Paulinho Mesquita disse...

e suas pernas. cadê?

PS: agora eu só leio seu penúltimo post. Não sei se é só comigo, mas lá em cima, no primeirão aparece um "banner" de aviso de que não é possível localizar a página. E isso me toma um ou dois parágrafos inciais do texto. Então só leio qdo ele desce...

DB disse...

p*rra! como assim? vc é a segunda pessoa que me fala isso. pior que eu nao sei nem a quem recorrer

Paulinho Mesquita disse...

recorra aos universitários. ou aos tribunais!

te mandei um print da tela pra tu ver como fica.