segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tudo ao mesmo tempo. Agora!

Neste finalzinho de férias (sabe lá deus quando serão as próximas), São Paulo conseguiu me desanimar, surpreender, assustar e inspirar em uma fração de minutos.

Foi só embicar o carro na Rudge, após bons dias em Brasília (sim, eu sou o único ser no mundo que passa as férias em brasólia), para começar o teatro dos vampiros.

Quando a Rudge já se torna Rio Branco e encosta na Ypiranga, policiais em motos e viaturas reluzentes dispersam os zoombies da crack-o-land na porção norte da minha rua. São mais de 50 vagando a esmo pelo centro de SP.

Uma moça loira, que não estava no grupo, com a cara toda pintada de maquiagem, me ajuda a entrar no elevador com Remela na caixinha da Catôta, e Catôta na coleira, indócil após 13 horas de viagem de carro. Agradeço a gentileza e ela puxa papo:

- Tá faltando gentileza neste mundo, numé?

Pelo jeito como ela disse duas das seis palavras acima, saquei que era da Parahyba ou adjacências.

- Principalmente em São Paulo, emendei
- Mas eu não sou daqui.
- De onde você é?
- Da Paraíba. Bonito de Santa Fé.

Aperto o botão do meu andar. Ela, o dela, três abaixo do meu.

- Você mora aqui?, perguntei.

Sua resposta já me daria todas as pistas de que é parahybana ou das cercanias.

- Não. Meu namorado mora. Ele é carioca, os pais são uruguaios, criado em Santos, morando em São Paulo.

Eu só havia feito uma pergunta. Ela respondeu três.

Chego em casa, descubro que o cheiro de mijo que me acompanhou a viagem inteiriiinha vem de dentro da caixinha do Remela. As 13 horas de voo rasteiro o forçaram a fazer suas necessidades fisiológicas ali dentro daquele cubículo. Para minha surpresa, até cocô tinha dentro da caixinha. O que é de cortar o coração, porque quem conhece gato sabe o quão difícil é para eles ariar o barro longe de sua latrina.

Serve para justificar a revolta do Remela entre Cristalina e Uberaba, quando ele esmurrou a grade e tentou abri-la com os dentes. Mas tudo se acertou quando entramos em casa.

Volto ao térreo mais uma vez e sou recebido com sorrisos pelo primeiro carnê de IPTU do ap, assim como o de gás, mesmo sem ter chuveiro a gás ou fogão de cozinha. O primeiro me informa, incrivelmente, que não tenho obrigação de pagar o imposto predial territorial urbano porque me enquadro no art. 1 da lei xyz, que versa sobre a isenção a prédios no centro histórico.  Afinal, alguma vantagem haveria de ter para quem mora no centro e não consome pedras.

Ao sair pela portaria, vejo que a boiada de drogados já está de volta à porção norte da minha rua. Vejo dois rapazes brigando no meio dos crackentos. Depois de levar dois socos na cara, um rapaz de casaco branco e mochila sai correndo da rua.

Antes de subir, conheço Márcio, novo vigia. Substitui ao gordinho com cara de prato, que morreu após ingerir duas coxinhas na Sé. Essa foi a versão contada pelo outro vigia da rua, o Nêgo Alex, sobre a ausência eterna do antigo vigilante.

Descubro, em meio ao IPTU e à conta do gás - que, alilás, vai me custar R$ 2,97, mesmo sem usá-lo -  que há uma correspondência em inglês, de Santa Barbara County. É uma multa de US$ 263, referente ao excesso de velocidade no referido condado californiano, em 26 de dezembro de 2011. Ainda posso recorrer. Não sei como e nem a quem.

Antes dos compromissos oficiais e mais importante do dia, recebo a informação de que a senhora de um grande amigo descolou um dream job com um dream wage.

Diante de tanta coisa em tão pouco, decido registrar esse turbilhão de emoções (só as publicáveus) aqui.