quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Altius, fortius, citius

Puxando pela memória para escrever este post, tenho quase certeza que foi por causa dos jogos olímpicos que eu decidi ser repórter esportivo. No momento que esse sentimento de escrever sobre paixão parece começar a escorrer por entre meus dedos, me preparo para uma jornada de 16 dias de olimpismo non-stop.

A jornada, na verdade, já começou na segunda-feira, com direito a duas madrugadas acesas para ver a estréia do futebol. Bem, a quarta-feira não deu muito certo por causa da ressaca. Mas tudo bem, vamos lá...

Minha história olímpica começou com os Jogos de Barcelona, em 1992. Acompanhei todo o processo da ida do meu pai para cobrir o evento pelo Correio Braziliense. Adquiri o hábito de ler jornal diariamente por causa do noticiário olímpico. Virei madrugadas assistindo Álvaro José, na Band, comentar sobre Linford Christie, Carl Lewis, um russo da ginástica que ganhou seis medalhas de ouro, Popov e o Dream Team do basquete.

Lembro que eu jogava bola com os amigos na Asa Sul quando pedi para sair para ver a cerimônia de abertura. Não precisa nem dizer que fui motivo de chacota por várias dias, né?

É porque os caras não souberam que eu chorei quando o Brasil ganhou medalha de ouro no vôlei. (No Palau Saint Jordi, da foto acima.)

Ah, tudo bem, eu tinha só 11 anos.

Depois que acabou a Olimpíada, eu ainda li o livro sobre "os bastidores do ouro" no vôlei.
Nesse mesmo ano, reprovei a quinta série em cinco disciplinas. Entre elas, artes.

Depois de Barcelona, passei a olhar com um pouquinho mais de atenção aos outros esportes. A Olimpíada, como bem disse José Roberto Torero, é como se fosse uma religião politeísta, diferente do monoteísmo da Copa do Mundo.

Depois de formado, investi esse início da minha carreira jornalística na cobertura de outros esportes. É um campo aberto e até certo ponto inexplorado, apesar de discriminado por editores monoteístas ortodoxos.

Eu poderia estar em Pequim hoje, realizando um sonho de cobrir a olimpíada in loco. Mas por uma série de decisões individuais, algumas delas altruístas, vou ficar em São Paulo acompanhando mais uma edição. Não lamento. Só temo por essas dores que começam a surgir na base da minha mão, ao lado dos ossinhos do pulso. Tô achando que é uma tendinite olímpica.

Caso eu insista no jornalismo esportivo até 2012, quem sabe não chegue a minha vez de ir à olimpíada?

Se não rolar, não tem problema. Um dia eu vou lá em Pequim ou em Londres e tiro umas fotos, como fiz em Barcelona, 13 anos depois da cerimônia de encerramento.

5 comentários:

Felipe disse...

Eu lembro das Olimpíadas de Los Angeles, do Ping-Pong Olimpíadas, das garrafinhas de mini-coke, do album de figurinhas, do Ricardo Prado, da Geração de Prata, do Dunga e todo o time do Internacional reforçados pelo Gilmar Popoca perdendo da FRança por 2 x 0 na final do futebol... Mas são lembranças vagas.

Acompanhei forte foi Seoul e depois Barcelona. Adoro ver os esportes coletivos (futebol e bastque antes, agora o vôlei) e também aquela caralhada de medalhas distribuídas em dois dias pela natação e atletismo.

A Vela, o esporte nacional mais praticado aos quatro ventos em terras brasilis e que tantas medalhas nos trazem e enchem de orgulho e estimulam a prática do optmist, laser e star em todas as escolinhas brazucas, eu deixo pra conferir o resultado pela web.

Atenciosamente,

Ana Clara disse...

Invejo, e muito, o seu espírito olímpico. Se tiver de bobeira na madrugada, no jornal...
Beijos!

Anônimo disse...

olimpíada só tem graça se tu estiveres lá cobrindo. se não, é mais chato que fórum econômico mundial em davos.

André disse...

Enfim, Daniel, cheguei ao seu blog! Muito legal, viu?! Vai pro meu "Favorite Things". Rapaz, Expedito me disse que você era da área de esportes. Eu morreria de fome se fosse parar nessa área. Não sei se foi uma bolada que eu levei na cabeça - acho que eu tinha 6 ou 7 anos -, mas o o fato é que eu odeio futebol. Tenho ojeriza. Acho um tédio. E ainda tem uma bola que, meu Deus do céu, só faz atrapalhar o jogo!! E um doido lá que vive atrapalhando os times, zanzando pelo campo com um apito na boca, fazendo barulho. Parece um doidinho que tinha aqui em João Pessoa que achava que era guarda de trânsito. Realmente, eu não entendo como um negócio desses pode funcionar! Hehehehe... Abração, cara!

DB disse...

beleza!
volte sempre...